Adriano Fonseca Filho
Adrianinho

Muitos jovens ponte-novenses manifestaram-se contra a ditadura militar. Normalmente, eram estudantes que, no ambiente acadêmico dos grandes centros, conviviam com intelectuais, jovens culturas ou inteligências festejadas que se opunham ao regime arbitrário pós-64.

Dentre aqueles, o mais expressivo, sem dúvida alguma, foi Adriano Fonseca Filho, Adrianinho, como era conhecido, a despeito de seu 1,96 metro de altura. Seu avô, Alexandre Fonseca, fora pioneiro da grande indústria de Ponte Nova. Tendo adquirido a Fundição Progresso, ampliara-a, com a ajuda dos filhos, até fazer dela uma das maiores indústrias da região. Seu pai, Adriano Fonseca, além do cargo de direção nas empresas da família, fizera incursões no jornalismo e militar na político partidária local. Getulista de primeira hora, filiara-se ao PTB desde sua criação, chegando o compor o Diretório Regional do partido. Com o bipartidarismo, ingressara no MDB, tendo sido eleito seu presidente em 1972.

Adrianinho fora estudar no Rio de Janeiro. Lá, pelos portas do Movimento Estudantil, ingressou no Partido Comunista do Brasil-PC do B. Destacou-se como militante ativo, foi um dos fundadores da União da Juventude Patriótica e logo passou a ser procurado pela polícia política. Na clandestinidade, permanece ainda, por algum tempo, no Rio de Janeiro.

O jornalista José Alexandre Fonseca descreve assim essa fase da vida de Adrianinho:

"Sua principal função era expor a teoria marxista paro os companheiros de lutas, jovens estudantes, ampliar quadros e, eventualmente, fazer algum levantamento estratégico. As vezes ia bem cedo, 4 ou 5 da manhã, até cr porta de alguma fábrica, nos subúrbios do Rio, verificar condições de segurança para uma panfletagem no dia seguinte. Panfletos que ele mesmo iria redigir e muitas vezes rodar nas gráficas clandestinas, à disposição do partido".

Com o advento dos focos de guerrilha, Adrianinho se entusiasma e segue para o Araguaia. Ele, como muitos dos seus companheiros de guerrilha, não tinha qualquer treinamento militar, e o sonho deles era, na realidade, uma aventura suicida.

Adrianinho, ao que tudo indica, não participara sequer da "guerrilha urbana": "Nunca se soube que tivesse pegado em armas, assaltado bancos ou seqüestrado embaixadores. Era um intelectual, um teórico, cuidava de táticas e estratégias".

No Araguaia, Adriano Fonseca Filho alistou-se no Destacamento "B" nas mesmas fileiras em que se encontrava José Genoíno Neto, atualmente Deputado Federal pelo PT, as quais eram comandadas por Osvaldo Orlando da Costa .

Acampado com os companheiros no local conhecido como Grota do Nascimento, em novembro de 1973, Adrianinho foi surpreendido e morto a tiros por um franco-atirador, que fazia parte de uma patrulha do exército.

Enterrado em local próximo, ali mesmo no meio da mata, como acontecia a todos os guerrilheiros mortos pela repressão, Adrianinho só foi legalmente reconhecido como morto, pelo Governo Federal, em 30 de janeiro de 1996

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