Almirante Jorge Dodsworth Martins

O Almirante e a família Martins na história de Ponte Nova

 Revendo o nosso arquivo, onde colhemos subsídios interessando à homenagem com que a Marinha e a sociedade carioca, presente o Governo deste Município, assinalaram o centenário do Almirante Jorge Dodsworth Martins, figura que dignificou sua terra e seu país na atividade profissional e no Governo da República, duas vezes Ministro daquela pasta, vimos publicar estas linhas, atento ao convite com que nos sensibilizou a “Folha de Ponte Nova”.

Trabalhou o espírito do pontenovense cujas origens situam-se em velhos troncos mineiros, inscrita a família Martins entre os primeiros habitantes de Ponte Nova, dupla constante: o culto a seus maiores, na fidelidade a exemplos que o Almirante sobremodo honrou, zelando o patrimônio herdado, e o amor inarrefecível ao berço natal, o idealismo e o espírito cristão norteando-lhe o procedimento cívico.

Soube, efetivamente, Jorge Dodsworth Martins, enobrecer a ascendência ilustre – e o fez através de singular admirável jornadeio. Razões o assistiam nesse permanente devotar aos seus. Pois os Martins não somente se revelaram pioneiros, penetrando a terra, nela se estabelecendo. Lutaram e sofreram no trabalho de conquista, bateram-se, sublimados, em todas as frentes em que sua grandeza se promovia. Um Martins, o Padre José Miguel Martins Chaves, repetindo o piedoso gesto do Fundador da Cidade, o Padre João do Monte de Medeiros, doou terras da Sesmaria do Engenho, estendendo o patrimônio eclesiástico para a cidade baixa. Segundo vigário da Paróquia de São Sebastião e Almas de Ponte Nova, erigiu-lhe o segundo templo, mesmo sítio da primitiva capela em torno da qual nasceu o povoado.

A marcha do tempo só fez crescer as aplicações dos pioneiros indômitos. Ganhavam seqüência e se reproduziam, obstinadas, ininterruptas, fecundas. A vida pública do Município, conforme no-lo mostra o Prof. José Schiavo, em percuciente ensaio no “Jornal do Povo” de nossa terra, assim o diz. No período monárquico, após 25 dias de exercício do primeiro presidente da Câmara Municipal, Capitão Manoel Francisco de Souza e Silva, instalada a vila em 26 de abril de 1863, empossou-se o Capitão Miguel Martins Chaves; de 1865 a 1868, elevação à cidade em 30 de outubro de 1866, Chefe do Executivo: - Capitão Francisco de Assis Martins e Castro; finalmente, de 1881 a 1882, Presidente da Câmara o Comendador Antônio Martins Ferreira da Silva.

Custódio Martins Ferreira da Silva seria o primeiro da família Presidente da Câmara, na República – de 1919 a 1922, reeleito para o período de 1º de janeiro de 1923 a 11 de maio de 1927, desaparecendo antes de encerrar o mandato. De 1935 a 1950, três representantes da família Martins no Governo Municipal: Otávio Martins Soares, Cid e Luiz Martins Soares Sobrinho. 

No âmbito estadual e federal, figuram, sempre, os Martins, em posição de relevo histórico, dirigindo a política do Município. O Dr. Francisco Martins Ferreira da Silva, com o Barão do Pontal, Presidente da  Província de Minas, segundo Manoel Inácio Machado de Magalhães, no seu “Resumo Histórico”, ampara e vê aprovado o projeto de elevação à cidade; na Assembléia Geral do Império, o Dr. Custódio Martins assinala sua presença; presente, ainda, um representante da família na Constituinte Mineira, quando instalado o regime republicano: - Dr. Antônio Martins Ferreira da Silva, depois Senador, em Minas, Vice-Presidente com Bueno Brandão, por fim, Deputado Federal. Destacar-se-iam, no decurso dos dias, Luiz Martins Soares, deputado estadual extra-chapa; deputado federal, Secretário de Estado nos governos Benedito Valadares e João Beraldo; Milton Soares Campos, sobrinho do precedente, relator da Constituição Mineira, escolhido por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, em 1935, eleger-se-ia Deputado Federal, depois Governador do Estado, Senador da República; Ministro da Justiça na Presidência do Marechal Castelo Branco. Cumpre mencionar o Deputado José André de Almeida, filho do saudoso Custódio Martins Ferreira da Silva, na Assembléia Legislativa, ao tempo de Milton Campos no Palácio da Liberdade, ambos vinculados pelo parentesco. Hoje, o filho do Deputado José André, Felipe Néri de Almeida, atuante na Assembléia legislativa de Minas, está eleito Deputado Federal, fruto de seus labores positivos.

À Educação e Assistência Social em Ponte Nova, notáveis serviços prestou essa família de pioneiros. Instalando o primeiro parque industrial no Município, com a Usina Anna Florência, primeira fábrica de açúcar do Estado, os irmãos Vieira Martins dariam poderosa e decisiva contribuição à nossa economia; aos estabelecimentos de ensino; ao Hospital de Nossa senhora das Dores; à administração municipal, investido na vereança e Presidência da Câmara, estimulando, com sua indústria, as aplicações à lavoura, fonte e fulcro de nosso desenvolvimento. Em todas as iniciativas, seu apoio histórico! A Usina Anna Florência, largo período sob direções diversas, retornaria à família, afastada a ameaça de seu desaparecimento, configurada na pretensão de grupo paulista visando a obter, através do controle acionário, o limite para fabricação do produto, em favor de seu parque – São Paulo. Hoje, ampliada pelo Grupo Jatiboca, família da mesma linhagem dos Martins, ela ostenta a posição com que os pontenovenses sonhávamos.

A vocação de servir, eis a constante de quem soube enriquecer o patrimônio legado. O afeto à terra, os empenhos pertinazes em prol de sua grandeza, demonstrou-os, o Almirante Jorge Dodsworth Martins, exuberantes, nos quadros da Marinha e nos altos Conselhos da República, nos quais se inseriu, momento delicado da política nacional, a fase de recuperação que se lhe seguiu, quando o convocou o Governo Dutra.

Esmerou-se, historicamente ativo, graças à solidez das convicções puras, ao vigor de seu trabalho infatigável, impondo-o ao reconhecimento público. Jamais esquecida a terra que ele deixara nos longes da infância. Vímo-lo, com emoção, ao ensejo da primeira visita dos Pontenovenses Ausentes, interessado em levar pedras de sua cidade para revestir-lhe a morada derradeira. Do limiar da existência às vizinhanças do túmulo, a mesma devoção às origens, ao domínio das forças telúricas que o mantiveram na estacada, até o chamado final.

Guardando seus exemplos, reconhecidos a quanto se devotou o Almirante Jorge Dodsworth, todos reverenciamos a memória do cidadão lendário, pelo vero amor que o prendeu às paisagens natais, a seu Estado, ao Brasil.

 

                                                     Página de Um Arquivo

                                                     Mário Clímaco

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