Aníbal Lopes

Aos sessenta e cinco anos, falecia em Ponte Nova uma das mais completas figuras do jornalismo local, entre os maiores que assinalaram a época - a Bela Época em que cintilaram, desde 1886 com o RIO DOCE, fundação do Major Lázaro Gomes, depois mudando-se para Ubá, logrando êxito com a FOLHA DO POVO, inteligências do porte de João Stockler Coimbra, Mário Fontoura, Francisco e Otávio Martins Soares, José Eduardo, Sizenando Starling, Luiz Brandão, a poetisa Guiomar Couto, Caio de Freitas Castro, perdoadas as omissões, inesquecidas as celebrações incorporadas à fase fulgurante: - Nelson Alves, Jamil Santos, A. Brant Ribeiro, poeta e crítico literário, todos repercutindo na Capital Mineira e no Rio de Janeiro, através de noticiários em publicações categorizadas. Aníbal Lopes, abençoada existência - 30-08-882 - nasceria pobre, curso primário apenas, mas, perfeito autodidata, construiu uma vida fazendo lembrar os maiores da imprensa brasileira. O trabalho e o estudo fizeram-no marcar sua passagem, encerrada, após consagração histórica, em 13 de março de 1947. Por que consagrada? - Explicam-na os produtos de sua imaginação, fecunda e multifária: a então famosa "Vila Alexandrina", onde flores, pássaros, tanques, artísticos, imprimiam beleza rara à paisagem, situada na área em que começaria, muitos anos empós, o bairro Sumaré. A esse jardim inesquecível que encantou o poeta Belmiro Braga; intelectuais famosos, a presença, a espaços, da cinqüentenária Banda Ceciliana, do seu dileto amigo Juca Clímaco, executando peças em artístico coreto; elementos do Clero Marianense, à frente o Arcebispo D. Helvécio Gomes de Oliveira. Um dia, as vicissitudes compeliram-no a deixar a encosta, aquela jóia engastada na montanha que ele soubera rasgar e ornamentar, graças à sua imaginação genial - e o velho jornalista, criador de uma dezena de jornais, o CORREIO DA SEMANA, A EVOLUÇÃO, em destaques, ofereceu à terra idolatrada um dos melhores semanários aqui nascidos. Rodeado pelos filhos, sempre laboriosos, seu JORNAL DO POVO assinalou período riquíssimo de colaborações, da Zona da Mata e de Belo Horizonte. Culturas aprimoradas do jornalismo de Minas enriqueceram-lhe as colunas reveladores, merecendo lembradas inteligências em Minas e no Rio apreciadas, os humanistas José Pinto Coelho, poeta admirável, e José Schiavo, Edward Leão, poeta e cronista de pulso, José Lopes, cronista de singular relevo, Jamil Santos, J. Castanheira Júnior, Reinaldo Alves Costa, Brito Machado, Hermínio Barbosa, ambos de Ouro Preto, Gonçalves da Costa, José Grossi e o filho Rubem Grossi, Edgar Vasconcelos, professor catedrático da Universidade de Viçosa, membro da Academia Mineira de Letras e os colegas da notável instituição, Vivaldi Moreira, seu presidente, o irmão, poeta Edson Moreira, José Campomizzi Filho, da "Folha do Povo" de Ubá, depois Procurador do Estado no Governo Ozanam Coelho, Adriano Fonseca, o médico José Mayrink e seu filho José Maria Mayrink, jornalista categorizado da imprensa da Capital Paulista, Hélio Gonçalves Moreira, Deputado Pedro Maciel Vidigal, Lindalva Machado Fonseca, Fued Farhat, Gabriel Côrtes, a poetisa e ensaista Laene Teixeira Mucci, o primoroso poeta Mauro Ribeiro, o poeta e jornalista histórico de Viçosa, José Pinto Coelho, Salvador Ferrari, a medicina e a cultura a serviço das grandes causas da terra, José Jacynto de Alcântara, Sylvio Guimarães Reis, Gabriel Palermo, J. Garcia da Silva e outros apreciáveis colaboradores ilustrando as colunas do JORNAL DO POVO.

Faleceu Anibal Lopes na manhã de 13 de março de 1947. A plêiade de sua família edificante honrou-lhe, a herança, assumindo o Dr. José Lopes, seu filho, a redação da folha tradicional, os demais irmãos Gutenberg, Jací e Antônio Lopes aplicando-se a laboriosos e artísticos trabalhos gráficos.

Em 1951-1952, graças à devoção dos herdeiros dignos de Aníbal, surgiria o SUPLEMENTO LITERÁRIO DO JORNAL DO POVO, direção de Antônio Brant Ribeiro, Jamil Santos, Mário Clímaco, Olegário Lopes e Nelson Alves, onde fulguraram Milton Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Eugênio Gomes, biógrafo de Machado de Assis, Vivaldi e Edson Moreira, Caio de Freitas Castro, Ivo Barroso, tradutor de projeção nacional e internacional, Rosário Fusco, de Cataguases, os admiráveis poetas e humanistas José Pinto Coelho e José Schiavo, José Eduardo, José Grossi, José Mariano Duarte Lanna. Ilustrações simplesmente notáveis de A. Brant Ribeiro e Renato Carrascosa. A imprensa de Minas e do Rio de Janeiro, colunas abertas e comentários judiciosos nunca faltando através de penas cintilantes, a exemplo Edmundo Lys, escritor e diretor literário da festejada "Revista da Semana", todos atraídos pela singular iniciativa inédita da Zona da Mata.

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