O BAIRRO DAS PALMEIRAS
E A ESCOLA NORMAL
 
Sede da Fazenda das Palmeiras na qual funcionou, nos primeiros anos, a Escola Normal.

No dia 03 de janeiro de 1895 assume, em Ponte Nova, uma nova Câmara Municipal. Era composta por Francisco Vieira Martins, José Cupertino Teixeira Fontes e Augusto Leopoldino Mayrink, eleitos Vereadores Gerais. Pelos distritos, elegeram-se: Francisco Ferreira Martins (Urucu), Artur Victor Serra (Amparo do Serra), Francisco Mariano Gonçalves Lanna (São Pedro dos Ferros), Salathiel Albino de Almeida Cyrilo (Grotta), Felipe Nunes Pinheiro (Rio Doce), João Martins Gomes (Jequeri) e Augusto Rodrigues Sette Câmara (Santa Cruz do Escalvado).

Escolhido por seus pares, Francisco Vieira Martins assume a presidência da Casa, sendo eleito para exercer o cargo de Agente do Executivo José Mariano Duarte Lanna.

O primeiro, descendente dos Martins, vindos de Barra Longa para a Fazenda Quebra Canoas, era médico e proprietário rural. Juntamente com seu irmão José Vieira Martins, fundou a Usina Anna Florência e teve papel destacado em inúmeras iniciativas de relevância para a Cidade de Ponte Nova.

O belo edifício da Escola Normal no princípio do século

José Mariano Duarte Lanna vinha do tronco dos Lannas, também de Barra Longa, e povoadores do Rio Casca. Também, era médico e proprietário rural. Construiu e manteve uma das mais prósperas fazendas da região, onde também instalou uma grande usina de açúcar.

Em 1886, aos 34 anos de idade, por ocasião da visita de D. Pedro II a Ponte Nova, o Dr. José Mariano hospedou o Casal Imperial e toda a sua comitiva na Casa Grande de sua magnífica Fazenda do Xopotó.

Por esta época (1895), os limites ao sul da cidade não ultrapassavam o ribeirão do Vau-Açu, e a necessidade de ampliar o perímetro urbano de Ponte Nova já havia preocupado outros administradores.

Com os recursos liberados pela Câmara em 27.11.1895, o Dr. José Mariano adquire as terras da Fazenda das Palmeiras e as anexa as da municipalidade.

Essas terras eram do coronel José Soares da Silva e pertenceram, anteriormente, à sesmaria das senhoras Maria de Jesus Ferreira e Joaquina Ferreira. Eram cinqüenta e quatro alqueires (aproximadamente 156 hectares), compreendidos entre os antigos limites de Ponte Nova, junto ao ribeirão Vau-Açu, e os do atual bairro do Guarapiranga, na época outra grande propriedade rural. Dentro destas terras estavam a ampla casa-sede e todas as demais benfeitorias da tradicional fazenda.

Fotografia de 1886, retratando a inauguração da Escola Normal. Na primeira fila, assentados da esquerda para a direita, o senador Camilo Maria de Britto, o capitão Manoel Martins Ferreira da Silva,o vigário João Paulo Maria de Britto,o bispo de Trípoli (Itália),o senador Antônio Martins Ferreira da Silva e o padre Pedro Rota (Salesiano).Na segunda fila aparecem o Dr.Alfredo Dumas de Andrade Amora, o vereador Francisco Ferreira Martins, o deputado Landulfo Machado de Magalhães,o padre capelão da Escola Normal,o juiz de direito Ângelo Vieira Martins, o tabelião Francisco Mariano Gonçalves Lanna e o advogado Miguel Antônio de Lanna e Silva.Por último,na terceira fila;também da esquerda para a direita,o coronel José Soares da Silva,o Dr.Francisco Vieira Martins,o Dr.José Mariano Duarte Lanna e o Dr.Manoel Vieira de Souza.

O Dr. José Mariano determinou ao Sr. José Domingues Machado que procedesse o levantamento topográfico e executasse o conseqüente projeto de loteamento do novo bairro, que, herdando o nome da fazenda, passou a se chamar Palmeiras .

Foram executados os serviços de armamento das principais vias do bairro que, retas, contrastavam com a tortuosidade e irregularidade das ruas do já centenário centro da cidade.

A nova empreitada do Dr. José Mariano foi a instalação de uma escola para moças, no novo bairro. Este empreendimento contou com a participação do vigário João Paulo Maria de Britto, que, em seu tempo, esteve sempre presente em todas as grandes iniciativas da municipalidade.

O vigário João Paulo, fazendo gestões junto aos altos escalões da Igreja Católica, conseguiu que as irmãs Salesianas assumissem a organização e a posterior administração do colégio.

O historiador Manoel Ignácio Machado de Magalhães conta que um pavoroso acidente ferroviário em Juiz de Fora, causando a morte de D. Luiz Lasagna, superior da Congregação Salesiana, além de freiras e outros religiosos, teria atrasado o início das atividades do colégio.

No dia 11 de abril de 1896, chegam a Ponte Nova as primeiras freiras, que se encarregam da estruturação do estabelecimento de ensino.

Designada diretora, a irmã Maria Cousirat orienta os trabalhos de outras cinco religiosas: Dolores Petazzi, Veridiana Godoy, Paulina Heymam, Olívia Fachini e Rosa Pomati.

Também foi construída, nessa época, uma pequena capela, dedicada à Nossa Senhora Auxiliadora.

A inauguração da Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora deu-se no dia 1º. de maio de 1896, entretanto o Estado só autorizou seu funcionamento no ano de 1898, ato este que oficializou o estabelecimento.

 

Automóveis no centro de Palmeiras no início do século

A primeira turma de normalistas do educandário colou grau, em solenidade muito concorrida, no dia 10 de maio de 1903.

Durante o governo do Dr. José Mariano e por iniciativa direta deste foi fundada, em Ponte Nova, a Sociedade São Vicente de Paula, instituindo-se as Conferências de São Francisco e de São Sebastião. O próprio agente do Executivo foi, durante muitos anos, um vicentino militante, participando das atividades de assistência social desta benemérita entidade.

Dinâmico e arrojado, Dr. José Mariano destacou-se, tanto na iniciativa privada quanto no trato da coisa pública, podendo ser considerado, de acordo com o Prof. José Schiavo, o primeiro grande administrador do Municfpio de Ponte Nova.

O Dr. José Mariano Duarte Lanna também foi médico atuante, tendo dedicado boa parte' de seu tempo ao Hospital Nossa Senhora das Dores, do qual foi vice-provedor e provedor. Faleceu aos sessenta e quatro anos de idade, no dia 31 de julho de 1916.