1930

O Ano de 1930 reservava surpresas para Ponte Nova, como de resto para todo o país. A economia estava combalida. O "crack" da Bolsa de Nova Iorque, que derrubou a economia americana e carregou consigo toda a estrutura financeira do Ocidente, se fazia sentir também em Ponte Nova. Produtora de café, com fortes comerciantes e exportadores do produto, a cidade só não faliu completamente por ter também outras atividades, como a lavoura, a indústria da cana-de-acúcar e a bovinocultura.

Esse ano tabém foi marcado pela agitação política, que culminou com a revolução de 3 de outubro e o início de uma nova fase na história da República Brasileira.

Com a argumentação de que a eleição de Júlio Prestes, ex-Governador de São Paulo, havia sido fraudada para assegurar a "política do café-com-leite" na qual se revezavam presidentes paulistas e mineiros, surgiu o moviemento denominado Aliança Liberal. Os liberais se fortaleceram, alastrando-se pelo país e, aproveitando o assassinato de João Pessoa, que havia sido candidato a Vice-Presidente na chapa derrotada de Getúlio Vargas, levaram a efeito a revolução que depôs Washington Luiz, já no finalzinho de seu mandato, deportando-o pra Portugal e dando posse a Getúlio Dornelles Vargas.

 
Reminiscências do movimento revolucionário de 3 de Outubro
Um dos contingentes do "Batalhão Patriótico de Ponte Nova" em evoluções pela cidade sob o comando do Coronel Oscar Paschoal
(foto gentilmente cedida por Ione Belico)
 

A revolução de 30 trouxe, em lardo bojo, reformas radicais. foi interrompido o período conhecido como República Velha, ou Primeira República, que se havia iniciado com a queda da monarquia, no qual prevalecia a "Política dos Governadores". No ineterior governavam, com mão de ferro, os "coronéis", que recebiam as dádivas dos governadores. Era uma verdadeira simbiose: os coronéis desfrutando das venesses do goverdo do Estado, se mantinham no poder. com o poder absoluto nas cidades, eles detinham os votos da sua região, mesmo que de forma fraudulenta. Esses votos eram, então, destinados aos elementos indicados pela estrutura dominante, que, dessa forma, se perenizava.

O caudilho gaúcho assumiu a Presidência da República, estruturou-se nos Estados da Federação e decidiu perpetuar-se no poder. Não convocou a prometida Constituinte e passou a hostilizar ex-aliados que queriam ver executado o programa da Aliança Liberal.

Getúlio Vargas foi mais votado do que Júlio Prestes em Ponte Nova, onde Olegário Maciel, pra o goverdo de Minas, também recebeu a maioria dos sugrágios, nas eleições de 30.

 

Reminiscências do movimento revolucionário 8 de Outubro
Um grupo de oficiais e inferiores do Batalhão Patriótico de Ponte Nova, vendo-se sentado ao centro, o respectivo comandante sr Coronel Oscar Paschoal e a seu lado, seus auxiliares sargentos José Zadra e Antônio Praxedes.

(foto gentilmente cedida por Ione Belico)

 

No pleito daquele ano, Luiz Martins Soares chegou à Câmara Federal e teve sua liderança cristalizada.

Cantídio Drumond, ligado aos lideres mineiros da Aliança Liberal, como Antonio Carlos, Arthur Bernardes, Virgílio de Mello Franco e outros próceres, assumiu a causa liberal. Seu envolvimento com a Revolução de 30 extrapolou os limites de Ponte Nova. Com grande experiência e vasta penetração em todo o Estado, ele articulou o movimento em grande parte da Zona da Mata, no Vale do Rio Doce e até em regiões do Espírito Santo, onde também exercia significativa influência.

Vitoriosa a Revolução, Olegário Maciel foi conduzido ao comando do Estado, pois, além de ter, de fato sido eleito, ele era um aliancista de primeira hora. Em Ponte Nova, ocorreu fato semelhante. Cantídio Drumond, que concluia o mandato iniciado a 12 de maio de 1927 e havia prestado relevantes serviços à causa revolucionária, foi mantido no goverdo do município.

Todos os governates de estado indicados pelo governo revolucionário passaram a ser denominados Governadores. Os mandatários municipais, a partir de 1930, passaram a ser designados Prefeitos Municipais, e foi com esse título que Cantídio Drumond continuou à frente dos destinos de Ponte Nova, depois de 24 de outubro de 1930.