A VISITA DE DOM PEDRO II A PONTE NOVA

 

O Imperador D. Pedro II empreendeu constantes viagens às províncias do Brasil. Por várias vezes, ele esteve em Minas Gerais e, em uma destas ocasiões, visitou Ponte Nova.

Atendendo ao convite para inaugurar o prolongamento da Estrada de Ferro Leopoldina, que já havia alcançado a Estação de Piranga (hoje Xopotó), D. Pedro II esteve em Ponte Nova no dia 30 de junho de 1886.

A composição que trazia o Imperador parou em São Geraldo. Um vagão aberto, especialmente preparado, foi colocado à frente do comboio, e nele embarcaram D. Pedro, a Imperatriz, membros da Corte, autoridades da Província e diretores da Leopoldina. A máquina, que vinha a seguir, puxava três outros vagões; nas Estações de Coimbra, Viçosa, Teixeiras, Roberts e Vau-Açu, D. Pedro foi saudado por populares que aguardavam sua passagem.

Ainda pela manhã, a composição chegou a Ponte Nova. A cidade havia se preparado para receber a mais ilustre visita que até então havia cruzado seus limites. Ruas limpas e enfeitadas, as casas tinham suas janelas abertas e forradas com toalhas e colchas coloridas, como ocorria nos dias de grandes festas. O espaço das janelas era disputado por vasos de flores, "cachipots"· e moradores que queriam ver e saudar a comitiva imperial.

Na estação, foguetes estouravam, a banda de música tocava, as autoridades repassavam na memória os discursos que pretendiam fazer e o povo acotovelava-se para ver, do melhor ângulo possível, o Imperador.

Descendo na plataforma da estação, D. Pedro foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal, coronel José de Almeida Campos; pelos vereadores João Martins Ferreira da Silva, José Ribeiro da Costa, Dr. José Francisco do Rego Cavalcante, Dr. Manoel Vieira de Souza e tenente José Pedro Ribeiro Soares; pelo ex-presidente da Câmara ; ex-deputado provincial, Dr. Leonardo José Teixeira da Silva; e várias outras pessoas influentes da cidade.

A primeira visita de D. Pedro foi à Câmara Municipal, situada então sobre a Cadeia Publica, junto à cabeceira da ponte, na margem direita do rio Piranga, próximo de onde hoje se encontra a agência do Bemge.

O major Lázaro Gomes entrega ao Imperador um número de seu jornal, "Rio Doce", em uma edição extra alusiva à visita.

A seguir, subindo a Rua Municipal (hoje Benedito Valadares), a comitiva chega ao Largo da Matriz.

Na igreja, recebido pelo padre João Paulo Maria de Britto, D. Pedro participa, com toda a comitiva, de um "Te Deum".

Novamente no Largo, D. Pedro II dirigiu-se ao chafariz que ali existia, inclinou-se e bebeu água sem qualquer constrangimento, para espanto geral.

Uma rápida passagem pela Escola Pública da professora Rosalina Campos, que funcionava na casa que hoje se localiza ao lado direito da Prefeitura Municipal, precedeu a visita ao Hospital Nossa Senhora das Dores.

Conta-se um episódio curioso entre D. Pedro e o Dr. Leonardo: Quando caminhavam em direção ao hospital que o Imperador deveria conhecer, a certa distância de uma casa onde funcionava uma escola particular e de um terreno baldio, D. Pedro pergunta ao médico:
- O que fazem ali aqueles bacorinhos?
 
O Dr. Leonardo, solicito, apressado em responder e um tanto preocupado com sua função de cicerone a imperial visita, diz-Ihe prontamente:
- Estão ali a se educar, senhor.

Dizem que D. Pedro preferiu não tentar esclarecer o mal entendido do Dr. Leonardo, que havia confundido uns porquinhos desgarrados da mãe, que "fuçavam" no terreno baldio, com alguns meninos da escola que chegaram à janela para saudar o Imperador.

Aliás, outra passagem curiosa já havia ocorrido, tempos atrás, entre Leonardo José Teixeira da Silva e o Imperador: acadêmico de medicina, Leonardo já não escondia suas idéias republicanas Em sua colação de grau, que contou com a presença de D.Pedro, todos os formandos, seguindo o cerimonial previamente ensaiado e que já era tradicional nas faculdades do Rio de Janeiro, respeitosamente beijavam a mão do Imperador. Leonardo José, jovem e idealista, nega-se a proceder conforme fora determinado. Sabe-se que, impressionado com a atitude daquele médico, Pedro II informa-se a respeito e determina que o "beija mão" fosse abolido. em tais ocasiões.

Conta-se também que, anos mais tarde, D. Pedro e Dr. Leonardo voltam a se encontrar e, na oportunidade, chegaram a estabelecer uma efetiva amizade.

Quando a comitiva passava em Ponte Nova novamente pelo Largo da Matriz, sugeriram a D. Pedro que também visitasse a outra escola pública da cidade, evitando uma possível situação de ciúmes. Assim, o Imperador subiu a Rua do Rosário até a esquina da Rua do Cemitério, para conhecer a escola da professora Anna Rodrigues dos Santos.

Saindo da escola, D. Pedro parou mais uma vez, desta feita para tomar um café, oferecido pelo Sr. José Ribeiro Bhering, que morava e tinha seu estabelecimento comercial, a "Casa Estrela", na esquina da Rua do Rosário com o Largo da Matriz.

Na estação, D. Pedro II embarcou com destino a Xopotó. La, o Imperador, com toda a sua comitiva, foi recebido pelo Dr. José Mariano Duarte Lanna, médico e proprietário de grande fazenda naquela região.

Inauguração da estação, discursos, foguetório, aplausos, cumprimentos e um banquete na fazenda do Dr. José Mariano constaram da agenda de D. Pedro, na Estação do Piranga, ou Xopotó. No mesmo dia, a comitiva retorna, passa por Ponte Nova e vai pernoitar em Ubá.

Documentos da família Lanna afirmam que, ao se despedir, a Imperatriz verdadeiramente impressionada com a fidalguia da casal anfitrião, retirou um rico broche que ornava seu traje e com ele presenteou a dona Elisa Martins Lanna, esposa do Dr. José Mariano.

Também existem registros informando que D. Pedro II fez vultosa doação ao Hospital Nossa Senhora das Dores e mandou distribuir quatrocentos mil réis aos pobres da cidade.

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