Figuras Inesquecíveis do Município

Júlio Bravo Gonçalves

Este quinzenário tem procurado ser justo, lembrando figuras inesquecíveis aqui focalizadas, a exemplo do que ora o faz, no tocante ao exemplar cidadão Júlio Bravo Gonçalves.

Estabelecido em nossa terra, entregue ao comércio que tanto dignificou e, afinal, à agricultura, após uma luta a fixar-lhe o nome que tivemos a fortuna de conhecer de perto, Júlio Bravo Gonçalves revelou, anos a fio, uma face de seu temperamento afável e acolhedor: a dedicação ao Pontenovense Futebol Clube, cuja presidência exerceu segundo seu estilo, eficiente, sincero, guardando a característica modéstia no trato dos assuntos inerentes às atribuições. Sua passagem marcou época. Às excursões do alvi-rubro, nas linhas Teixeiras , Viçosa, Rio Branco e adjacências, jamais faltava. Ao velho batalhador, Hugo Saporetti, dirigindo os atletas que chegaram, através de memoráveis feitos, a campeões da Zona da Mata, vezes sem conta ajudou, no tocante ao custeio de viagens esportivas.

Um dia, a Fé o levou aos caminhos solitários em que cruzava com a pobreza doente e desvalida. Ei-lo, então, personificando o apóstolo do Mundo Espírita. Dedicou-se à Homeopatia, distribuindo, religiosa e graciosamente, medicamentos às dezenas de necessitados que lhe rondavam as portas generosas. Tal a ocorrência, a clamar assistência, que o velho Júlio Bravo, das próprias reservas, levantou o edifício do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade. Ali residiu, muitos anos, a Franciscana Paciência e a Pagem Caridade dos Santos. Mas não o esqueceram, nunca mais, os diretores e amigos do Pontenovense. Concluído o primeiro andar da sede do Clube, seu presidente Renato Marinho, ao lado do secretário geral, foram retirá-lo, alguns momentos, do seu Mundo de Caridade, a fim de que ele, assinalando a obra do edifício colonial da Avenida Caetano Marinho desfraldasse, na sacada, o pavilhão alvi-rubro. Terminado o cerimonial, repleto o novo salão, abraços afetuosos cercaram a figura que tantos, agradecidos, estimavam. À despedida, afastado daquela plêiade, o senhor Júlio Bravo Gonçalves solitariamente dirigiu-se à Tesouraria do Pontenovense, onde deixou vultosa importância para prosseguimento da obra histórica.

Certa noite - outubro de 1967 - faleceu o velho Júlio Bravo Gonçalves. A pobreza e os amigos, de todos os credos, atravessaram a noite na sala do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, transbordando para larga facha da Avenida Caetano Marinho. Cortejo de inumeráveis fiéis e amigos levaram-no, juntos o presidente do Clube, Dr. Luiz Martins da Silva e muitos diretores, ao cemitério local, quando, além de representantes do Mundo Espírita, o Pontenovense pronunciou, pelo diretor escolhido, comovido discurso de despedida.

Júlio era natural de Conceição da Boa Vista, filho de Beltrand José Caetano e Elisa Bravo Caetano, tendo nascido em 14/02/1882 e falecido em 18/10/1967. Chegou a Ponte Nova em 1914. Foi precursor do Espiritismo em nossa cidade e um dos primeiros alfabetizadores, atividade que exercia no salão térreo do Centro, o qual funcionou sob sua direção por muitos anos na rua Cantídio Drumond, onde atualmente funciona a Loja Macônica União Cosmopolita. Posteriormente, em 1941, erigiu a sede própria do Centro na Avenida Caetano Marinho, 46, onde hoje são realizados os cultos e distribuição de alimentos e remédios. De seu matrimônio com Enoi Ribeiro, nasceram os filhos Guillon Ribeiro Bravo Gonçalves, Júlio Ribeiro Bravo Gonçalves e Almenara Ribeiro Bravo Gonçalves.

Nosso jornal presta à sua memória a homenagem que sempre mereceu aquele homem que caracterizou, em toda a plenitude, a Caridade do cristão perfeito.

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