O maestro Juquita

No início dos anos 70, a Corporação Musical União 7 de Setembro sofreu uma grande e importante reformulação.Sob a presidência do dinâmico Dalvo Bemfeito, é contratado o maestro José França Paixão ou maestro Juquita. Este, funcionário da Rede Ferroviária Federal tinha a música no sangue e assumiu prontamente a batuta de nossa banda de música.

Juquita, numa atitude inovadora, coloca seus filhos, Getúlio, Ronaldo, Paulo, Fernando (atual maestro), José Carlos (Talinho), sua irmã Rita, para tocarem na banda. Essa atitude, aliada ao seu carisma e sorriso contagiante, agrada de pronto outras crianças e adolescentes da época e aos poucos, a sede da banda fica pequena para tantos alunos. Muitos destes, aprendiam música na casa do maestro junto com os filhos deste. Deve-se destacar também o apoio que o mestre recebia de outro grande músico que esteve entre nós que era o pai do próprio Juquita, carinhosamente chamado de Sr.França. Compositor de muitas peças que ainda ouvimos executadas pela CMUSS e outras bandas meneiras, como "Santa Rita" (marcha festiva) e Toulentino (dobrado).

Ainda restavam alguns músicos da velha guarda como Zizinho (contra-baixo), Homero Franco (clarinetista), José Malaquias (Bombardino), José Gomes ( Saxofonista) e outros que mesmo não estando em atividade como o trombonista José Luiz do Carmo, Francisco Xavier, o Chicão (saxfonista), Rosmaninho, trompetista, contribuiram muito com seu apoio e incentivo à nova leva de futuros músicos que ingressavam na nobre arte.

Amigo de longa data do Sr. Dalvo, recebeu deste carta branca para colocar em prática uma velho sonho: Fazer uma banda de música infanto juvenil.

O sucesso foi tão grande que assustou o próprio idealizador: Inúmeras crianças apareciam na hora dos ensaios e perguntavam "posso entrar na banda?". Logicamente, eram prontamente recebidos e marcado um horário que atenderia um determinado número de alunos que muitas vezes chagavam a mais de 20 por período de aproximadamente 2:00h de segunda a sexta-feira. Era solicitado a cada um que trouxessem um caderninho de música.Quem não podia comprar, recebia das mãos do mestre o precioso apetrecho. Não se cobrava nada, apenas a assuidade e pontualidade nas aulas teóricas e práticas.Era essencial também para o maestro que o aprendiz fosse bom aluno também na escola onde estudava, que fosse aplicado e procurasse boas notas. "Se não era bom aluno, não poderia ser bom músico", e que o ensino músical só é completo com a boa educação em casa e na formação escolar. Não era raro que o mestre solicitava a determinado aluno que trousesse o boletim escolar para ver. Fazia questão também de conhecer os pais.

No início, o mestre elaborou uma cartilha com 13 lições básicas que compreendiam noções de Harmonia, Rítimo e Melodia.

O momento mais aguardado por todos os alunos era o dia que poderia colocar as mãos no seu primeiro instrumento musical.

Inúmeros pontenovense tiveram seu primeiro contato com a música nos bancos da sede da CMUSS.

Com seu olhar atento e senso infalível, Juquita, já na primeira entrevista com o candidato a músico, sabia prontamente se estava diante de um pistonista, clarinetista ou percursionista.

Seu amor ao à nossa banda resultou num casamento que perdurou até sua morte em 1992. Mas Ponte Nova sempre se lembrará com orgulho do filho que teve. Hoje além de ter uma rua com seu nome e uma instituição cultural, Juquita vive nos acordes de cada retreta, no sorriso de cada criança que abraça seu instrumento e enverga com orgulho o uniforme da CMUSS.

Mas o trabalho e o sonho do querido mestre e do também saudoso sr. Dalvo continua sob a batuta do Fernando Paixão, que, como seu pai, demonstra amor à arte de ensinar e levar à diante a tradição mineira de colocar a banda na praça.

Juquita, com seu jeito simples de cativar, de ser amigo, angariou ao longo da vida muitas amizades. Dentre tantas e tantas, podemos destacar além do Sr. Dalvo, a do sr Affonso Gonçalves dos Reis que vivia (e ainda vive) experiências semelhantes na cidade de Niterói-RJ. Clique aqui .

Outra grande admiradora, incentivadora e colaboradora era a poetisa Laene Teixeira Mucci que chegou a dedicar-lhe lindos versos que abaixo transcrevemos:

Versos para o Maestro
 
Versos para o maestro que ele está vivo
Como as sete notas musicais,
que ele está vivo como a memória
enquanto existir memória.
E se adianta no alto
como um clarão evidente,
clarevidente.
Que estremece e percorre o espaço
e se aninha de alma !
Versos para o Maestro
que ele está mais do que vivo cheio de sons
e se permite resplender
na própria cintilação...
Versos para o Maestro Juquita
por seu coração e trabalho
rodando as engrenagens difíceis
do dever, da resistência,
da coragem, da vitória,
rodando todas as rodas na passeata das rosas
e dos querubins...
Versos projéteis e projetos aos alvos demarcados...
Versos polinizados
que fecundem a trajetória das canções
e divinizem o merecimento...
Versos entristecidos
de laços e de ponteiras
com dizeres gravados no tempo...
Versos para o Maestro Juquita
que percorre Ponte Nova à frente de sua Banda
e se faz imortal.
As crianças vêm para vê-lo
Vêm os velhos,
vêm os jóvens,
vêm as aves de asas douradas,
que o maestro é dourador
e sabe conduzir o cortejo de paz...
Hão de lembrar-se de sua figura
todas as pedras, todas as ruas,
todas as praças e avenidas,
cada pedaço de cada canto,
cada momento de cada dia.
Os moços que musicou
de profunda melodia...
Seus passos marcados,
seus gestos, seus olhos,
seus negros cabelos mechados de branco,
seu porte, sua voz
escrevem a mesma história
que é de glória e de cristal...
Há muitas flores acesas
que são presas de alegria
Há a deslumbrada ternura
que assegura e se emenda
de prenda em cada minuto...
Os versos não são contidos,
são de impulso,
de certeza,
de leveza,
de carinho...
Não possuem dimensão.
São versos certeiros
como flechas,
como hinos,
como vôos repentinos
que se vão por sobre os morros
e escrevem por sobre o céu
o nome do Maestro
para servir de caminho
e de luz para o ideal !

 

Laene Teixeira Mucci
 
Poema dedicado ao Maestro Juquita pelos seus 40 anos dedicado à música.
Ponte Nova, 08/09/91
 
Conheça a página da banda

Voltar