OS TEMPOS DO MAJOR SOARES

Camilo Soares de Moura Júnior
Irmão de Raul Soares, foi presidente da Câmara, agente do Executivo de Ponte Nova e
Deputado Estadual.Inicialmente, militou na mesma corrente do Senador Antônio Martins,
entretanto, mais tarde, junto com José e Lindolfo de Almeida Campos,
respectivamente seu sogro e cunhado, fez ferrenha oposição ao Senador.
 

O major Manoel Olympio Soares foi um dos chefes políticos que gozou de maior prestígio em Ponte Nova. Contraiu as primeiras núpcias com Francisca Eduarda Martins, filha do Dr. Francisco Martins Ferreira da Silva e Maria Regina Alves da Conceição.

Com o falecimento de D. Francisca, o major Soares casa-se com uma prima de sua primeira esposa, Francisca Inácia Martins, filha de Luiz Gomes da Silva e Maria Inácia da Conceição, com quem deixou grande descendência em Ponte Nova.

Manoel Olympio Soares ingressa, ainda jovem, na vida pública. Correligionário e amigo de João Pinheiro, abraçou a causa republicana e desenvolveu significativo trabalho pró-república, em toda a Zona da Mata, durante os anos que precederam a queda da monarquia.

O primeiro cargo público ocupado pelo major Soares foi o de vereador à Câmara Municipal de Ponte Nova, no período de 1881 a 1882.

Com a Proclamação da República, são dissolvidas as Câmaras e o novo governo instala os Conselhos de Intendência, no dia 21 de janeiro de 1890.

Em Ponte Nova, este Conselho foi formado por Manoel Olympio Soares, Antônio Martins Ferreira da Silva e José Caetano de Almeida Gomes.

O prestígio do major Soares já era grande junto ao governo republicano, e é esse prestígio que o leva a ser indicado presidente do Conselho de Intendência de Ponte Nova.

Promulgada a nova Constituição a 24 de fevereiro de 1891, institui-se novamente a eleição dos membros da Câmara Municipal. É também criado o cargo de Agente do Executivo, que é quem passa a gerir os negócios públicos do município, deixando ao presidente da Câmara apenas as funções legislativas.

Para o período de 07 de março de 1892 a 31 de dezembro de 1894,é eleita a primeira Câmara de Vereadores do período republicano, composta dos seguintes cidadãos: major Manoel Olympio Soares, Dr. Alfredo Dumas de Andrade, Augusto Leopoldino Mayrink, Dr. Francisco Vieira Martins, Francisco Ferreira Martins, capitão Luiz Rodrigues Sette Câmara, Dr. José Mariano Duarte Lanna, Hiram Salleé, Antônio José da Silva Bastos, Dr. Manoel Leandro Correa Brandão, Dr. Felipe Nunes Pinheiro e Joaquim Pires da Luz.

O major Soares é então eleito presidente da Câmara e escolhido agente do Executivo, acumulando, dessa forma, as funções de chefe do Executivo e do Legislativo.

Sob a incontestável e absoluta liderança do major Soares, quarenta e cinco dias após sua posse, a Câmara promulga o "Estatuto Municipal", no dia 21 de abril de 1892.

A despeito de todos os problemas advindos da então recente mudança do regime político, o major Soares tenta administrar de forma arrojada. Executa várias obras no distrito do Serra, constrói o esgoto para águas pluviais do distrito do Jequeri e instala o sistema de captação de água potável do distrito de Santa Cruz do Escalvado.

Na cidade, são feitas inúmeras obras de importância, tais como a canalização de água potável na Rua da Olaria, a construção do Matadouro Municipal e o calçamento da rua que dava acesso à Estação da Leopoldina.

inúmeras pontes e várias estradas são construídas e, ou, reformadas no meio rural .

Além de "O Rio Doce", surgido em 1886, Ponte Nova possuiu ainda quatro outros jornais durante o século XIX.

"O Pontenovense", que circulou num curto espaço de tempo durante o ano de 1892; o "O Tupinambá", que foi editado a partir de 1894; e "A Mata" e o "Serro Azul", que não lograram sucesso, pois apenas poucos números circularam durante o ano de 1898.

Entretanto, além de "O Rio Doce", apenas "O Tupinambá", cuja existência deixou de ser efêmera, influenciou, verdadeiramente, a política e a sociedade locais do fim do século.

Criado e dirigido em seus primeiros números por Luiz Brandão, "O Tupinambá" tinha periodicidade semanal e era impresso em tipografia própria. Sucedeu a seu fundador Arthur Victor Serra, que também militou na política local.

Como diretor e redator-chefe, "O Tupinambá" contou ainda com nomes ilustres, como o de Tito Bhering e Mário Bhering. Este último extrapolou as fronteiras do jornalismo provinciano e militou brilhantemente na imprensa do Rio de Janeiro, onde chegou a ser diretor da Biblioteca Nacional.

No período legislativo seguinte de 1895 a 1897, quando José Mariano Duarte Lanna é escolhido agente do Executivo e Francisco Vieira Martins é eleito presidente da Câmara, o major Soares não concorreu a cargo eletivo.

No dia 1º. de janeiro de 1898, Manoel Olympio Soares é novamente eleito presidente da Câmara. Para ser agente do Executivo,é escolhido o Dr. Camilo Soares de Moura Júnior, que, nesse período, é também eleito deputado estadual.

Por diversas vezes, em razão da ausência do Dr. Camilo, que ia atender aos chamados do Congresso Mineiro, o major Soares é quem, de fato, dirigiu os destinos de Ponte Nova nesse período legislativo, período que compreendeu a marcante data da virada do século.

São criados os cargos de Cobrador da Divida Ativa e de Diretor de Obras. Para o primeiro, foi nomeado o Sr. Ignácio Braga, que se incumbiu de aumentar a receita com a regularização dos impostos, que, desde a proclamação da República, vinha apresentando elevado índice de inadimplentes. Para o segundo cargo, foi indicado o Dr.Mário Marinho Bhering, que inicia uma série de grandes obras no município: altera a planta do bairro Palmeiras, calça ruas e executa importantes serviços de infra- estrutura.

Em janeiro de 1901, invertendo as posições da legislatura anterior, Camilo Soares de Moura Júnior é eleito presidente da Câmara e Manoel Olympio Soares torna-se agente do Executivo.

Durante o primeiro ano do mandato do major Soares, a ponte sobre o rio Piranga, que havia sido seriamente danificada pelas últimas chuvas, passou por importantes reformas.

O Estado destinou a quantia de 6.025$888 para as obras e determinou ao engenheiro Antônio Olyntho de Almeida Gomes que acompanhasse e fiscalizasse a reforma.

O fato marcante na política do município no período foi, sem dúvida, a ascensão do comendador Antônio Martins Ferreira da Silva a vários, e cada vez mais importantes, cargos da política do Estado.

Antônio Martins Ferreira da Silva, nascido em 10 de setembro de 1847, era filho de Francisco Martins Ferreira da Silva, médico e proprietário da Fazenda Apaga Fogo, portanto irmão da primeira esposa do major Soares. Pelo lado paterno, era neto de Ana Leonarda da Conceição, herdeira da Fazenda do Quebra Canoas e bisneto do alferes Leonardo José Teixeira, comerciante em Furquim e que foi trucidado por salteadores quando, em viagem, passava pela Serra da Mantiqueira.

Ligado politicamente ao major Soares desde os movimentos políticos que antecederam a implantação do regime republicano, Antônio Martins participou da elaboração da primeira Constituição Estadual e prestou relevantes serviços a Ponte Nova.

Com extensa vida pública, com passagens pela Câmara dos Vereadores, assembléia Estadual, Senadoria Estadual, Câmara dos Deputados e Vice-Presidência do Estado, o senador Antônio Martins tornou-se uma das mais altas expressões da política mineira.

Datado de 22 de fevereiro de 1902 aparece, em Ponte Nova, o primeiro número do semanário "O Piranga". Este jornal, circulando por mais de 15 anos, tornou-se um dos mais importantes órgãos da imprensa ponte-novense.

Fundado por Júlio de Almeida Pinho, que, após cinco anos dirigindo o semanário, vende-o a Mário Carneiro da Fontoura, natural de Campos-RJ, "O Piranga" passa a ser gerenciado pelo jornalista Aníbal Lopes, que também se destaca como articulista brilhante.

A linha editorial de "O Piranga" caracterizou-se pelo apoio irrestrito à política do senador Antônio Martins.

No ano de 1904, surge "A Alvorada", sob a direção de Sebastião Velasco, que o mantém, ininterruptamente, por três anos.

Em uma nova eleição em 1905, Manoel Olympio Soares reelege-se presidente da Câmara para o triênio de 1905 a 1907. Desta feita, volta a acumular o cargo de agente do Executivo.

Marcam esta fase algumas obras públicas. O já velho problema de abastecimento de água foi combatido com a melhoria do sistema de distribuição na cidade e a implantação do serviço nos distritos de Amparo do Serra, do Grotta e do Rio Doce.

No Patrimônio de Palmeiras foi onde se executou o maior número de obras, no período de 1905 a 1907. Importantes serviços de terraplanagem mudaram as feições do bairro, que também passou a contar com um serviço de abastecimento de água. Suas largas ruas, sempre com nomes indígenas (Avenida Sycopema, Rua Ubirarema, Rua Acaiaca, Rua Guarani etc.) ganharam meio-fio e arborização.

No centro da cidade, destacou-se o alargamento "do beco que vai da Rua Direita até o Hospital" (hoje Ruas Presidente Antônio Carlos e Dr. Leonardo).

A Rua da Olaria(hoje Rua Presidente Antônio Carlos) ganhou um chafariz.

No distrito de Urucu foi construído um cemitério, e o de Jequeri passou a contar com uma nova Cadeia Publica.

Também em 1905 surge, por iniciativa do engenheiro Mário Bhering, o primeiro colégio para os rapazes da cidade.

O "Externato Ponte Nova" era dirigido pelo cônego Nativo Lessa e iniciou suas atividades com 36 jovens matriculados no curso preparatório.

Entretanto, diversas dificuldades fizeram com que o empreendimento não lograsse êxito e, no final do ano de 1906, o "Externato Ponte Nova" fecha suas portas .

O "Gimnasio Sant'Anna" foi a segunda tentativa de se criar um educandário dedicado ao preparo dos jovens da região. Em prédio alugado e situado na Rua Municipal (hoje Rua Benedito Valadares) e em casa que havia sido residência do Dr. Camilo Soares de Moura Júnior, o cônego Guilherme Rodrigues instala, em 11.10.1907, a escola que tinha como diretor-honorário o senador Antônio Martins.

Todo o trabalho e a dedicação do cônego Rodrigues não foram suficientes e, com pouco mais de um ano de existência, o "Gimnasio Sant'Anna" encerra suas atividades.

A nova Câmara Municipal, que assumiu no dia 1º. de janeiro de 1908, ainda contou com a participação do major Soares, que, já idoso e com quase trinta anos de vida pública, se elege Vereador Geral.