AS PRIMEIRAS OBRAS PÚBLICAS

A primeira Obra de vulto executada em Ponte Nova foi; sem dúvida alguma, uma ponte sobre o rio Piranga.

Não foi localizado, até esta data, nenhum documento que mencione a construção da primeira ponte sobre o no Piranga na região onde hoje se acha a cidade de Ponte Nova.

A primeira referência à ponte encontra-se em documentos, datados de 1762, deixados por Sebastião do Monte Medeiros da Costa Camargo, irmão do padre João do Monte que, oito anos mais tarde, viria fundar o Arraial da Ponte Nova.

Esses documentos dão conta de que Sebastião fez grandes reformas e ampliações na velha ponte, utilizando madeiras escolhidas e mão-de-obra escrava.

Tudo leva a crer que a ponte reformada por Sebastião do Monte foi várias vezes destruída por grandes enchentes, mas era prontamente reconstruída, sempre no mesmo lugar onde hoje se encontra edificada a ponte de concreto armado, próxima à Estações Rodoviária e Ferroviária.

Em 1781, logo após sua visita a Ponte Nova, D. Rodrigo José de Menezes, Governador da Província, determina a reconstrução da ponte do Arraial da Ponte Nova.

No ano de 1830, uma enchente de grandes proporções destruiu totalmente a ponte, que foi novamente erguida pelos habitantes do lugar.
 
A ponte foi, em várias ocasiões, destruída por enchentes. Em uma dessas,
a fotografia documenta uma travessia sendo feita por balsas.
 

Outra grande reforma da ponte foi autorizada pela Câmara Municipal, em 21 de outubro de 1863. Os arrematantes da obra foram os senhores José Maria da Silveira e João Moreira Cecílio. O engenheiro, vindo da capital para fiscalizar a Obra, foi Francisco Eduardo de Paula Aroeira. Em dezembro de 1864, a reforma estava concluída.

Em novembro de 1867, o diretor de Obras Públicas da Província autoriza o alcatroamento da ponte.

Outra grande em que por várias vezes, teve que ser refeita tal a fúria do Piranga, obra foi o cais em suas margens.

Em 08 de fevereiro de 1871, a Lei provincial nro. 1.615 autoriza a construção de um cais nas margens do rio Piranga. A obra custou aos cofres da Província a quantia de 2:000$000 e aos do município, 1:517$580, e foi executada pelo contratante Antônio Caetano da Fonseca.

O "Almanak de Minas Gerais para o ano de 1865" descreve a planta da cidade da seguinte forma:

"Estende a primeira rua a leste, desde o largo da Matriz até uma porteira colocada já em terreno particular. Deste mesmo largo parte outra rua a nordeste e vai terminar no ribeirão Vau Assu, outra segue rumo de sudeste e vai ter ao largo da municipalidade"

Portanto, à época, existiam apenas três ruas em Ponte Nova: a Rua do Rozário (hoje Rua Cantidio Drumond), que terminava em uma porteira, no alto do espigão onde iniciavam os terrenos dos herdeiros de Miguel Antônio do Monte; a Rua Direita hoje avenida Caetano Marinho), que se prolongava em uma estrada ( hoje Avenida Custódio Silva) até o ribeirão Vau-Açu, limite do perímetro urbano com a Fazenda das Palmeiras; e a Rua Municipal (hoje Rua Benedito Valadares), que terminava num largo às margens do Piranga.

Duas praças completavam a estrutura viária da cidade: o Largo da Matriz (hoje Praça Getúlio Vargas) com a igreja e, à sua volta, os casarões mais opulentos de então, e o Largo da Municipalidade (hoje Praça Dom Parreira Lara), onde se achava a Casa da Câmara e Cadeia.

O acesso à cidade para quem vinha da Capital da Província tinha o traçado semelhante ao da estrada que hoje liga Ponte Nova nas cidades de Mariana e Ouro Preto. Para quem chegava da Corte, logo após a Fazenda do Vau Açu deixava a margem do córrego de mesmo nome, subia o "Morro do Arranca Rabo", alcançava a "Olaria" e entrava na cidade pela "Rua do Rozário".

A Rua da Praia (hoje Rua João Pinheiro) foi surgindo a partir da construção da casa de D. Maria Messias e a da família Siffert, que servia de acesso às estradas de importantes propriedades rurais, tais como a Fazenda Imaculada Conceição, a Fazenda do Engenho e a Fazenda Paciência.

Havia, também, uma pequena passagem que servia aos moradores da Olaria (hoje Bairro Santo Antônio), atravessando o quintal da residência da família Monte.

Na sessão do dia 06 de agosto de 1868, a Câmara Municipal decide

"comprar ou desapropriar uma braça do terreno, junto a caza dos herdeiros de Jozé do Monte, na rua Direita, afim de abrir um becco, para servir aos moradores da Olaria"

Com essa medida, a Câmara oficializa e alarga a pequena passagem, criando a rua que mais tarde se chamaria Rua Presidente Antônio Carlos.

Aos poucos vão surgindo outras ruas e travessas e formando a intricada e desorganizada malha viária da Ponte Nova do século XIX.

Esses logradouros eram batizados com nomes curiosos. Com o prolongamento da Rua do Rozário surge a Rua do Buraquinho ( hoje Rua São Sebastião). Para dar acesso a uma esplêndida mina que fornecia água para os moradores das proximidades, é aberta a Travessa da Biquinha hoje Rua Homero Franco). Da Rua Municipal, sempre pela encosta do morro, partia uma rua sem saída. É a Vai e Volta.

O primeiro calçamento assentado em Ponte Nova foi aprovado em 20 de agosto de 1868, pela Câmara Municipal, e custou 300 mil réis. Compreendia apenas uma das faixas da Rua Direita, estendendo-se do Largo da Matriz ate as imediações do atual edifício do Fórum.
 
Rua Direita ( hoje Caetano Marinho) no final do século passado, tendo apenas
um de seus lados calçados com pedras fincadas

 

No ano seguinte, 1869, foram executadas obras de alargamento e aturamento das Ruas do Rozário e Direita.

Só no ano de 1876 foi calçada outra rua da cidade, a do Rosário, sendo o arrematante Antônio Caetano da Fonseca.

No ano de 1884, foi calçada parte da Rua da Praia, entre as casas de João Nepomuceno da Fonseca Marinho e João Batista Siffert. Três anos mais tarde foram executadas importantes obras na Rua Direita. O arrematante Francisco Pinto Soares coordenou os trabalhos de alargamento desta rua entre as casas do Dr. Ângelo Vieira Martins e José Alves Ferreira, a deste último próxima ao "pontilhão" da Barrinha.

A matriz, construída a partir da primeira Capela de Ponte Nova peio padre José Miguel Martins Chaves, e a Casa da Câmara e Cadeia, prédio que abrigava a Câmara Municipal com suas diversas repartições e a Cadeia Pública, eram as principais edificações da cidade.

A primeira casa que abrigou a Câmara e a Cadeia foi doada pelo coronel Antônio Idelfonso Martins da Silva, filho de Francisco Martins da Silva e Maria Joaquina de Souza (da Fazenda do Quebra Canoas), portanto irmão do capitão Manuel Francisco de Souza e Silva, primeiro presidente da Câmara de Ponte Nova. O coronel Antônio Idelfonso foi também pai do deputado Antônio Martins da Silva e sogro do vereador à Câmara Municipal de Ponte Nova, presidente da Câmara Municipal de Rio Casca e senador estadual, José Cupertino Teixeira Fontes.

Em 1882, o governo da Província autoriza a construção de um novo imóvel para locar os dois órgãos. Era um prédio de dois andares, voltado para o largo e fundos, dando diretamente para o rio Piranga.

Simples e espaçoso, servia seu andar superior à Câmara dos Vereadores. Dispunha do salão das sessões, da sala do presidente, da sala do secretário, da sala do tesoureiro, de uma pequena saleta para atendimento ao público e de um banheiro. No primeiro pavimento encontrava-se a Cadeia Publica, com cinco celas e duas outras salas utilizadas pelas autoridades policiais.

Várias vezes atingida pelas enchentes do rio Piranga, a Casa da Câmara e Cadeia necessitou de inúmeras reformas, ocasião em que tanto á Câmara Municipal quanto a Cadeia Pública funcionavam em imóveis alugados.

Também no largo, dito da municipalidade, existia um Curral Público que servia de abrigo às montarias dos viajantes, de confinamento para os animais apreendidos em função de alguma irregularidade e também de Matadouro Municipal.