Miguel Valentin Lanna e
João Batista Vigianno - anos 60

O ano de 1965 ainda teria eleição, que levaria Israel Pinheiro da Silva ao governo do Estado e Pio Canedo à vice-governadoria.

A eleição desses dois Juscelinistas trouxe, para Minas, certo aspecto de rebeldia em relação ao Governo Militar É bem verdade que, mais tarde, com a edição do Ato Institucional n. 2, o próprio Israel Pinheiro foi convidado por Castelo Branco para organizar a Arena, o partido "oficial" do governo, em Minas Gerais.

Israel Pinheiro, candidato das Oposições Coligadas, obteve em Ponte Nova 5.428 votos, derrotando Roberto Rezende, que teve 3.198, e Pedro Gomes, que foi votado apenas por 98 eleitores ponte-novenses.

Magalhães Pinto, que deixava o poder, fez, em um de seus últimos atos, instalar em Ponte Nova a Delegacia Regional de Ensino, no dia 11 de janeiro de 1966. Era mais uma prova do prestígio dos udenistas ponte-novenses com o governador.

Saía um governador da antigo UDN e entrava outro do extinto PSD. Em Ponte Nova, essas siglas, havia muito, já não professavam os velhos dogmas daquelas agremiações. A UDN havia recebido militantes de outras facções. Na realidade, ela abrigava todos os adversários do petebismo, independentemente de sua origem. Bastava se indispor com Sette de Barros ou com João de Carvalho para ter lugar certo na UDN ponte-novense. O PSD, desde 1958, estava nas mãos de João de Carvalho. Os tradicionais pessedistas, que em Ponte Nova e região representavam o "zitismo", corrente do velho líder Luiz Martins Soares, debandaram, naquela época, para o PR e, posteriormente, para a UDN.

Nesse início de 1966, o zitismo sofre outro baque com a morte do Deputado Estadual Hilo Wilson Estevão de Andrade, ocorrida no dia 26 de janeiro. Hilo Andrade era amigo pessoal de Zito Soares e mantinha fortes ligações com os antigos pessedistas de Ponte Nova. Cumprindo o segundo mandato, Hilo Andrade tivera participação destacado na fundação da Faculdade de Filosofia de Ponte Nova.

Na noite do dia 15 de fevereiro de 1966, Abdalla sente nova indisposição. Mesmo atendido em sua residência pelo colega e Vereador Francisco Linhares Ribeiro, tem seus problemas cardiovasculares agravados e, no dia seguinte, é levado ao Hospital Nossa Senhora das Dores. Os médicos Geraldo Rodrigues e Otaviano Laperte Brina deslocam-se de Belo Horizonte para analisar o quadro de saúde do prefeito, que, pelo que tudo indicava, era irreversível.

Enquanto Abdalla lutava contra a morte, num leito do hospital, a classe política entrava em polvorosa.

Ponte Nova já não tinha vice-prefeito, e o mandato de Francisco Linhares Ribeiro, como Presidente da Câmara, havia terminado. Naquele momento de incertezas e indefinições da política nacional, os vereadores, entre desorientados e preocupados com a instabilidade do política local, protelavam a escolha de uma nova mesa diretora para o Legislativo ponte-novense.

Na tarde do sábado, 19 de fevereiro, veio a notícia, já esperada, da morte do Dr. Abdalla Felício, que, assim, não concluiria seu mandato de Prefeito de Ponte Nova.

As manifestações populares pelo falecimento do médico caridoso e humano se misturavam à excitação dos meios políticos, que se deparavam com uma situação insólita. A cidade experimentava um momento político ímpar. Não tinha, ao mesmo tempo, Prefeito, Vice-Prefeito e Presidente da Câmara.

Francisco Linhares Ribeiro, mesmo com o mandato vencido, assume interinamente a Chefia do Executivo, enquanto as correntes políticas se articulavam.

O Deputado Estadual João de Carvalho vem de Belo Horizonte para agilizar as eleições na Câmara e alçar o médico e Vereador José Inocêncio Alves Costa ao posto de Presidente. O Deputado e seus correligionários acreditavam que, regularizando a situação da Câmara, o Dr. José Inocêncio, que era membro de destaque daquela corrente política, assumiria a Chefia do Executivo. Assim, no dia 28 de fevereiro de 1966 estava eleita a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Ponte Nova, composta de José Inocêncio Alves Costa, Presidente; José Saraiva Filho, Vice-Presidente; e Benedito César, Secretário, todos três ligados à corrente de João de Carvalho. Entretanto, o grupo da extinta UDN também se movimentava. Em um carro da Caixa Econômica Estadual, o enviado do partido segue para Belo Horizonte. Na capital, deveria consultar o jurista e membro ativo da antiga UDN, José Faria Tavares, sobre a possibilidade de se nomear um Interventor Federal para o município.

Tavares telefona ao professor de Direito Constitucional, José Bonifácio de Andrada, que confirma a possibilidade de ser o Interventor nomeado pelo Presidente da República, Castelo Branco, em face do disposto no artigo 1º do Ato Complementar nº. 5.

De retorno a Ponte Nova, Mário Clímaco reúne-se com Francisco Linhares e Francisco Vieira Martins, figuras eminentes da UDN. Inicialmente, sondaram o advogado Waldemar Lanna, considerado ideai para assumir a Interventoria. Afirmando que seus compromissos profissionais não permitiriam que ele assumisse aquela função, Waldemar rejeita, de pronto, a proposta de Linhares e Martins. Ao Secretário da Prefeitura, Mário Clímaco, também foi oferecido o cargo, mas ele, pela segunda vez, se deixa levar pela modéstia e declina do convite que, com certeza, o levaria à Chefia do Executivo ponte-novense.

Waldemar Lanna ficou, então, encarregado de levar ao irmão, Miguel Valentim Lanna, o convite para ser Interventor Federal de Ponte Nova.

O engenheiro Miguel Lanna tinha também todas os qualidades para assumir o posto naquele momento delicado da vida política do lugar. Miguel Lanna era filho do ex-vereador, ex-Deputado e ex-Senador Estadual Miguel Antônio de Lanna e Silva; tinha, portanto, tradição. Coletor estadual, de hábitos metódicos e conduta séria, possuía, assim, os quesitos indispensáveis para conquistar a simpatia dos militares.

O momento exigia pressa nas decisões e Miguel Lanna, depois dos apelos do irmão, aceitou o convite. Levando cartas de indicação dos principais líderes daquela corrente política, Miguel Lanna embarca para Belo Horizonte e de lá, sem perda de tempo, segue para Brasília.

Na capital da República, entrevisto-se com o ex-ministro da Justiça Milton Campos, que então ocupava uma cadeira no Senado Federal.

O senador ponte-novense faz novas consultas e, sem grande demora, dá o sinal verde para a nomeação de Miguel Lanna. Do Senado, este segue para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores com uma carta, destinado ao seu titular, o gaúcho Mem de Sá, que continha detalhadas explicações acerca do situação política de Ponte Nova.

No Ministério, Miguel Lanna chegou a ser dispensado na portaria, com a recomendação de voltar no dia seguinte. Já a alguns metros do edifício, ele foi interceptado por um funcionário, informando-lhe que o Ministro Mem de Sá, ao saber que se trotava de um indicado de Milton Campos, iria recebê-la imediatamente.

Naquela mesma tarde do dia 3 de março de 1966, estava nomeado o primeiro Interventor Federal de todo o Estado de Minas Gerais. No País, só a cidade paulista de Osasco estava sendo governada por um Interventor. Ponte Nova era, portanto, o segundo município do Brasil a contar com esse tipo de governante.

Miguel Lanna retorna imediatamente, trazendo consigo o ato de nomeação e encerrando, dessa forma, toda a pendenga política que rolava desde a doença e morte do Prefeito Abdalla Felício.

No dia 5 de março, quatorze dias após a morte de Abdalla Felício e cinco dias após a eleição do Presidente da Câmara, o Interventor Federal Miguel Valentim Lanna assume, às 16 horas, a Prefeitura de Ponte Nova.

Apesar de ter sido alçado ao cargo através de uma nomeação do Governo do Marechal Castelo Branco, o que lhe dava uma força toda especial, considerando-se aquele momento político, sua situação não era muito cômoda.

Miguel Lanna foi feito governante em pouquíssimos dias. Ele não havia se preparado para assumir a administração pública, assim como não havia elaborado um programa de governo, passo normal quando se enfrenta um processo eleitoral convencional. Por outro lado, a Prefeitura estava com as finanças em frangalhos. A contabilidade apontava um "Restos a Pagar" da ordem de Cr$47 milhões, além de outros Cr$20 milhões de compromissos anteriormente assumidos.

Não restava a Miguel Lanna outra alternativa senão "apertar o cinto" para tentar sanear a economia municipal. Priorizada o pagamento de velhas contas e o salário do funcionalismo, e rolava os demais compromissos.

A respeito dessa situação, quase incontrolável, assim ele se exprimiu:

"Quando, sobremodo honrado, assumimos o cargo de Interventor Federal, fizêmo-lo em virtude de surpreendente ocorrência que nos impossibilitou a preparação de um plano de governo."

"Encontramos precárias os condições da tesouraria. A falta absoluta de numerário, apenas representado por vales decorrentes de adiantamentos impostos pela própria crise do pessoal variável, recebendo abaixo do salário mínimo, pela inexistência de verbas orçamentarias..."

"Disciplinando o trabalho da Chefia do Fazenda, através de rigorosos aplicações dos recursos públicos, metodizamos os pagamentos, atendendo, preferencialmente, aos servidores do Município, mantidos em dia até esta dato, cumprindo, a partir de 1º. de janeiro, a legíslaç0a trabalhista, no que tange ao salário mínimo devido aos operários."

O novo sistema de abastecimento de água ainda estava sendo construído e eram graves os problemas que a Prefeitura tinha que enfrentar com este tipo de serviço. A todo instante era necessário executar obras de reparos, todas paliativas, mas indispensáveis à manutenção do sistema.

Com todas as dificuldades e mesmo com a completa escassez de recursos, Miguel Lanna viu-se obrigado a adquirir dois caminhões novos e reformar uma motoniveladora e demais equipamentos para poder executar serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo e o "patrolamento" das estradas municipais.

Miguel Lanna atacou também as obras do Rua João Pinheiro, concluindo a construção do cais, o calçamento e a edificação da balaustrada.

O Governo do Estado, através da Carpe, inicia a construção do Grupo Escolar Bias Fortes, no Bairro Esplanada.

Em outubro, é comemorado o centenário de emancipação político-administrativa de Ponte Nova. Como erroneamente se vem fazendo, comemorou-se a independência do lugar na data em que ocorreu tão somente o mudança do nome de Vila para o de Cidade, o que se deu no dia 30 de outubro de 1866, com a promulgação da Lei n. 1.300. A verdadeira emancipação do lugar, entretanto, ocorreu com a publicação da Lei Provincial n. 827, de 11 de junho de 1857, que, efetivamente, criou o Município de Ponte Nova.

A falta de recursos também fez com que o Centenário fosse comemorado com festividades modestas, longe de se equipararem com aquelas realizadas dez anos antes, no nonagésimo aniversário de Ponte Nova.

A cidade também não estava predisposta a comemorações desse tipo. O momento era de insegurança e incertezas. Todo o País assistiu, sem entender muito bem, as mudanças drásticas pelas quais passavam as instituições políticos e sociais brasileiras.

O Governo Militar "jogava duro", e a oposição radical se manifestava nos inúmeros assaltos o bancos, seqüestros e manifestações estudantis e nos famosos focos de guerrilhas, instalados em longínquas florestas e serros distantes.

O Ato Institucional de n. 3 havia, em 1965, implantado o bipartidarismo. Desde então funcionavam a Arena - que nascera com trinta e seis senadores e duzentos e quarenta deputados federais - e o MDB, com vinte membros no Senado e cento e quarenta e um na Câmara dos Deputados.

No dia 15 de novembro de 1966, aconteceu a segunda eleição do período militar. Em níveis estadual e federal, foram eleitos deputados e senadores e, nos municípios, prefeitos e vereadores.

Em Ponte Nova, uma composição, engendrada pelo Deputado João de Carvalho e que envolvia tantos nomes conservadores de antigo militância como lideranças surgidas nos recentes embates políticos, resultou no lançamento de João Batista Viggiano como candidato a prefeito.

Engenheiro da Estrada de Ferro Leopoldina, que passara a se denominar Rede Férreo Federal, Viggiano surgira como uma novidade dentro de um quadro político que não apresentara muitas inovações nos últimos anos.

Domingos Sávio Teixeira Lanna, pretenso candidato a prefeito da antiga linha udenista, também engenheiro, funcionário do Departamento Estadual de Estradas e amigo pessoal de Viggiano, cedeu seu lugar contentando-se com a candidatura a vice-prefeito.

Os vereadores apinharam-se todos num mesmo partido, a Arena. Acomodavam-se, como podiam, nas três sublegendas. Não se atreviam a filiar no MDB, e, assim, partidários de João de Carvalho, anteriormente instalados no PTB, iam para a Arena 1; tradicionais pessedistas, reminescentes do zitismo, e ex-udenistas registravam suas candidaturas na Arena 2; e outros abrigavam-se na Arena 3.

João Batista Viggiano sagrou-se vencedor, sem grandes novidades. Obteve 5.169 votos, enquanto seus concorrentes, José Moreira Leite e João da Silva Bernardes, obtiveram 2.062 e 1.085 votos, respectivamente.

Dentre os vereadores, o campeão de votos foi Sandoval Romano, com 1.017. Como ele, outros cinco vereadores foram eleitos pela Arena 2: Francisco Linhares Ribeira, 708; Wilson de Carvalho e Silva, 393; Joel Saltarelli, 319; Gabriel Palermo, 302; e Nelson Mendes, 300.

A Arena 1 elegeu sete vereadores: José Inocêncio Alves Costa, com 832; Joel Soares, com 551; José Rossetti Guimarães, com 528; Leônidas Brum de Castro, com 427; Francisco Rodrigues da Cunha, com 413; Armando de Freitas, com 389; e José Saraiva Filho, com 342 votos.

Paro completar a Câmara, foram eleitos ainda dois outros vereadores pela Arena 3: Tarcísio de Castro, com 339 votos; e João Bosco do Fanseca, com 311.

Nesse pleito, o grande vitorioso foi João Vidal de Carvalha, que articulara a candidatura de Viggiano, cuja corrente política elegeu a maioria dos vereadores, sete ao todo. Como conseqüência, sua candidatura também saíra vitoriosa, pois obtivera 3.064 votos em Ponte Nova, elegendo-se, novamente, deputado estadual. Seus principais concorrentes, da Arena, Fábio Vasconcellos e Cristiano de Freitas Castro, tiveram 1.218 e 1.006 sufrágios, respectivamente. No MDB, José Sette de Barros conseguiu 2.067 votos e Aníbal Teixeira somou 53. Desses concorrentes, somente Vasconcelos e Teixeira elegeram-se, ficando os outros dois na qualidade de suplentes.

João de Carvalho experimentou, também, o gosto da vitória, quando fez de Levindo Ozanan Coelho Deputado Federal majoritário em Ponte Nova, com 1.444 votos.

Para a Câmara dos Deputados foram bem votados em Ponte Nova o padre Pedro Maciel Vidigal, pela Arena, que teve 1.213 votos, e Tancredo Neves, pelo MDB, que alcançou a marca dos 1.211 votos.

O empresário Geraldo Vasconcelos, que tentava sua reeleição como Deputado Federal, pelo MDB, teve 491 votos.

A representação política de Ponte Nova e região estava formada por João de Carvalho e Fábio Vasconcellos, lideranças ponte-novenses, que se elegeram deputados estaduais com a predominância de votos da região. Ligados à cidade, também ganharam cadeira na Assembléia Legislativa, Edgar de Vasconcellos Barros, de Viçosa, e Cyro de Aguiar Maciel, de Calambau, ex-militantes do PR. Todos os quatro filiados à Arena.

Também com ligações na cidade, elegeu-se o belo-horizontino Aníbal Teixeira. Jovem advogado e possuidor de brilhante cultura, ocupara cargos de significativa importância durante os mandatos do Governador e Presidente Juscelino Kubitschek. Casado com uma ponte-novense, procurou na cidade alguns votos para a sua eleição a Deputado Estadual.

Não se elegeram Cristiano de Freitas Castro, também ex-peerrista e agora na Arena, e Sette de Barros, no MDB, que amargaram a simples condição de suplentes.

Na Câmara Federal, a região estaria representada por Levindo Ozanan Coelho, natural de Ubá, que se ligara a João de Carvalho, tentando condensar seus votos na Zona da Mata. Elegera-se, agora, com expressivo votação.

Outro "efeito vizinhança" foi a surpreendente votação obtida pelo então padre Pedro Vidigal. Nascido em Calambau (ou Presidente Bernardes), cidade da microrregião de Viçosa, padre Pedro já havia lecionado no Colégio Dom Helvécio, de Ponte Nova. Cultivava, desde então, um bom relacionamento com pessoas que, mesmo não sendo políticos, eram elementos respeitados na sociedade ponte-novense e detinham forte poder de liderança, principalmente por causa de suas atuações nos meios religiosos. Dentre outros, Marcos Pereira e Antônio Bartholomeu Barbosa, membros destacados da Sociedade São Vicente de Paula, empenharam-se na campanha do padre/político, dando-lhe votação expressiva. Reeleito Deputado Federal, Pedro Vidigal agradeceria os votos obtidos com obras na cidade e apoio incondicional aos auxiliares, que, mais tarde, se projetariam na política partidária municipal.

Restava, dos mais votados na cidade, Tancredo Neves, que já se destacava como líder de expressão nacional. Sua participação no Governo Vargos e sua curta passagem pela vida parlamentar brasileira Já lhe conferiam votação expressiva onde a fosse buscar.

O empresário Geraldo Vasconcellos, irmão de Fábio, que tentava voltar à Câmara, e Cantídio Drumond Filho, herdeiro político do pai, o ex-Prefeito Cantídio Drumond, não conseguiram eleger-se.

Concorria à reeleição para o Senado o ex-Governador Milton Campos, que teve, em Ponte Nova, a expressiva soma de 5.402 votos.

Miguel Valentim Lanna, após 11 meses de governo, passa a Prefeitura a João Batista Viggiano, no dia 31 de janeiro de 1967.

Miguel Valentin Lanna dá posse à João Batista Vigiano

As comemorações dos eleitos projetam, ainda mais, a imagem de João de Carvalho. Um grandioso jantar na sede social do mais importante clube da cidade, o Pontenovense Futebol Clube, reúne centenas de correligionários e traz a Ponte Nova Levindo Ozanan Coelho e outros políticos de expressão, empolgando a corrente liderada pelo Deputado Estadual.

Já no início do mandato de deputado, João de Carvalho apresenta algumas importantes realizações. Cria os Grupos Escolares Reynaldo Alves Costa e Carlos Trivellato. Instala também, nesse ano, 1967, o Ginásio Estadual de Ponte Nova .

A classe política do município sofre grande perda quando, no dia 27 de julho de 1967, morre, aos 63 anos de idade, o ex-Prefeito Helder de Aquino. Membro do antigo PSD, tornara-se dissidente e se fizera Prefeito de Ponte Nova em 1951. Foi fazendeiro e gerente do Banco Financial. Apoiou a candidatura de João de Carvalho, com quem rompeu em seguida, em razão do polêmico desmonte do morro do triângulo.

Helder havia planejado o desaterro do local e queria ver seu projeto realizado no governo de seu sucessor. Este, entretanto, optara pelo loteamento imediato do bairro e pela distribuição dos lotes, o que foi considerado por Helder atitude eleitoreira, visando à campanha de Carvalho a Deputado Estadual.

Viggiano governava a cidade com otimismo. Recebeu uma Prefeitura com as contas regularizadas e tinha maioria na Câmara dos Vereadores. Sofria, contudo, a oposição de alguns edis. Notadamente, Sandoval Romano, na qualidade de mais votado membro do Legislativo, lançava suas farpas ao prefeito. Foi assim que, quando era preparada a estatização do serviço de abastecimento de água, esse vereador desfechou violenta campanha contra a medida, fazendo o prefeito voltar atrás.

O acontecimento do ano foi a XII Exposição Agropecuária, que se travestiu de evento político, com a presença do General José Bretas Cupertino, então importante figura do Governo Militar, do Ministro da Agricultura, Ivo Arzua, de Pio Canedo, do Senador Milton Campos e de diversas outras personalidades.

Em toda a Nação, prefeitos, vereadores, deputados e senadores tomaram posse em 1967. Na capital federal, um novo Marechal/Presidente também assumia o poder. Saía Castelo Branco e entrava Costa e Silva.

Para Minas Gerais havia uma relação entre os dois períodos. Os vices-presidentes eram, ambos, mineiros: com Castelo Branco serviu José Maria Alkimim e com Costa e Silva serviria Pedro Aleixo.

Os dois conhecidos próceres das Alterosas possuíam extensas listas de serviços prestados à Nação, e também, como bons mineiros que eram, longa vida pública repleta de história e de folclore.

O jornalista Sebastião Neri, em seu livro "350 Histórias do Folclore Político", conta que, quando saiu o AI 5 e todo o Brasil vivia assustado com a truculência do Regime Militar o jornalista Carlos Chagas, à cata de dados e informações para suas análises políticas, liga para Alkimim e pergunta:

- Na sua opinião, Deputado, como vai o Regime?
Sabendo perfeitamente que as ligações telefônicas eram habitualmente "grampeadas", ele não titubeou ao responder:
- Vai muito bem, meu filho. Imagine você que eu já perdi três quilos. Deu uma risadinha rápida e colocou o aparelho no gancho.

Volta à página inicial