João Batista Vigiano - Obras - anos 60

 

Ponte Nova ganhava algumas obras importantes. A construção do edifício do Fórum, paralisada desde o fim do Governo Magalhães Pinto, recomeça em maio de 1968, já no Governo Israel Pinheiro. Jornais da época afirmam que o Governador atendera solicitação do Deputado Fábio Vasconcellos.

O Deputado Federal Pedro Maciel Vidigal agradecia os votos recebidos e trabalhava pela região.Incluiu a pavimentação da estrada Ponte Nova a Rio Casca no Plano Rodoviário Nacional, e, efetivamente, as obras iniciaram-se logo, em maio de 1968.

A escola de aprendizagem profissional tornava-se uma realidade no alto do Bairro Palmeiras. Com projeto arquitetônico de Antônio Lúcio Ferrari Pinheiro e idealizada por Marcos Rodrigues Pereira, membro dedicado da Sociedade São Vicente de Paulo, essa escola tornou-se "a menina dos olhos" do Deputado Pedro Vidigal, cuja influência era decisiva para a concretização dessa importante obra.

Além de recursos federais, que em certo momento se tornaram insuficientes, auxílio substancial foi enviado por uma instituição alemã, a "Misereor"

Em junho de 1968, era assinado o convênio entre o SENAI, a FEBEM e a Conferência Vicentina, o qual viabilizaria seu funcionamento. Homenageando o mãe do Deputado Pedro Vidigal, que se dedicara entusiasticamente à obra, o escola foi oficialmente denominada "Centro de Ensino Profissional Augusta Maciel Vidigal"

Do Governo Estadual, o Deputado João de Carvalho conseguiu o apoio para transformar a Fazenda do Estado, situada nos limites do Distrito de Oratórios, em uma Fazenda-Escola e nela construir a Fábrica de Embutidos. Esse frigorífico, que poderia ter sido a mais importante obra dos últimos anos em Ponte Novo, não chegou a funcionar, mas contou com pomposa inauguração. Nesse ato estiveram presentes o Prefeito Souza Lima, de Belo Horizonte; o Secretário do Agricultura, Evaristo de Paula; e o Deputado Estadual Edgar de Vasconcellos, dentre outras autoridades. Pronunciaram-se na ocasião, enaltecendo o objetivo da obra, o Vereador Francisco Cunha e o próprio Deputado João de Carvalho.

O Prefeito João Batista Viggiano priodizou algumas obras que se faziam urgentes. Refez o calçamento, de paralelepípedo, da Rua João Pinheiro, calçou e ajardinou bom trecho da Rua Dom Bosco e desapropriou imóveis para que algumas ruas do Bairro Triângulo fossem alargadas e retificadas. Nesse mesmo bairro, fez grandes melhorias no sistema de escoamento de águas pluviais e captação de esgotos. O Bairro EFCB também ganhou melhorias, com grande serviço de aterro, arborização, instalação de meio-fio e calçamento.

A Avenida Custódio Silva sofreu significativa reforma, com a retificação de grande trecho, fazendo com que todo o seu percurso passasse a ser feito pela beira-rio, desobrigando quem seguisse direto para Palmeiras de passar pela Rua Abdalla Felício. Essa melhoria trouxe mais beleza à avenida, além de torná-la moderna e propiciar o escoamento mais ágil do tráfego. Para tal, foi necessário desapropriar diversas casas e terrenos que chegavam até as margens do Piranga.

Em certa fase de seu governo, o Estado suspendeu o envio de recursos para as escolas municipais, e Viggiano não viu outra alternativa senão socorrer esses estabelecimentos. Na área da educação, a Prefeitura também viabilizou a instalação e o funcionamento do Colégio Estadual e criou o Colégio Municipal.

Viggiano não estava livre da oposição. Na Câmara, seu mais intransigente opositor era Sandoval Romano. Além dele, o Vereador Tarcísio de Castro lançava, amiúde, seus "torpedos" contra a administração municipal.

Através da Presidência da Câmara, a pequena bancada da oposição, no início de 1968, solicitou o envio da prestação de contas do exercício anterior, 1967, para exame detalhado.

Essa solicitação tinha toda uma conotação política. O prefeito percebeu a provocação de seus adversários e enviou a seguinte correspondência à Câmara:

"Em resposta ao ofício dessa egrégia Câmara, tenho a satisfação de informar ao Presidente que baixei a portaria n. 60/68, cuja cópia segue anexa, determinando aos funcionários desta prefeitura que exibam aos Srs. Vereadores, ou a qualquer cidadão interessado, devidamente qualificado e quites com os cofres municipais, TODOS os documentos e livros relativos à minha administração, no horário do expediente normal.

Fizemos um governo de portas abertas, calcados em princípio de honradez e honestidade, não tenho razão para ocultar documentos de minha gestão a quem quer que seja.

Apresento a V: Excia., minha estima pessoal e votos de paz e saúde, firmo-me atenciosamente.

João Batista Viggiano."

A oposição não dava folga e a 11 de outubro desse mesmo ano voltou à carga, convocando João Batista Viggiano para depor, perante a Câmara, sobre sua administração. Crivado de perguntas, ele, ao final, saiu-se bem, merecendo posteriores elogios da imprensa. De acordo com Francisco Rodrigues da Cunha Neto, vereador nesse período, os dois Edis, Sandoval e Tarcísio, davam trabalho à bancada da situação, apresentando constantes denúncias, as quais, em muitos casos, eram fundamentadas e acompanhadas de profusa documentação.

A coluna "Política e Notícia", que saía no semanário "Jornal do Povo" e era assinada com o pseudônimo de Emílio Alencar, também, incomodava. Em 9 de fevereiro de 1969, afirmou que viria a Ponte Nova um oficial do exército para verificar as contas da Prefeitura Municipal. Afirmava o colunista que muitas verbas chegavam a Ponte Nova e eram consumidos no patrocínio de festas, como o do "Pontenovense Ausente" e a da "Exposição Agropecuária", dentre outras.

Em outro ponto, o colunista dizia que para a construção da Avenida Beira-Rio faziam-se desapropriações com pagamentos milionários. "A indolência e a incapacidade também serão punidas pelo ato institucional", afirmava ele.

Irritado com as acusações, o prefeito exigiu que o periódico informasse o nome do autor ou assumisse a responsabilidade dos acusações. De posse do verdadeira identidade do colunista, ameaçou processar Joércio Pinto Moreira, ponte-novense que residia em Belo Horizonte, caso ele não interrompesse aquela série de ataques à sua administração e à sua pessoa.

Com o Governo Militar já consolidado, as instituições ligadas ao policiamento e à repressão tinham grande importância e gozavam de grande prestígio. Foi justamente nessa época que outro ponte-novense ganhou destaque nacional. O General José Bretas Cupertino foi nomeado Chefe do Departamento de Polícia Federal, órgão máximo daquela instituição, pelo Presidente Costa e Silva.

O ano de 1969 chega trazendo problemas para o Prefeito João Batista Viggiano. Os jornais "Diário de Minas" e "O Globo" noticiam: "Tribunal corta fundo de Ponte Nova". Aconteceu que o Tribunal de Contas do União suspendeu a Fundo de Participação de vários municípios, dentre eles o de Ponte Nova, alegando irregularidades nas prestações de contas do exercício de 1967. No caso específico de Ponte Nova, a documentação referente àquela prestação simplesmente não chegara ao Tribunal. De acordo com documentos arquivados na Prefeitura, ela fora enviada em 26 de abril de 1968, estritamente dentro do prazo. No dia 2 de julho, o Delegado do Tribunal de Contas do Estado, Iguassu Gisbert, reclamava, oficialmente, a remessa dos aludidos documentos.

Para regularizar a situação, o prefeito seguiu para Brasília com outro cópia da prestação de contas.

No dia 24 de junho ocorreu a festiva inauguração do asfaltamento da Avenida Arthur Bernardes, importante obra que, tendo como seqüência a Avenida Custódio Silva, tornava a ligação entre os dois extremos da cidade uma bela via, margeando o rio Piranga.

Nesse mesmo mês, o Deputado Fábio Vasconcellos é indicado Presidente da Comissão de Transportes do Assembléia Legislativa, projetando o parlamentar, que já gozava de grande prestígio na capital mineira.

Em agosto, a Arena escolhe o seu novo Diretório. Pio Gonçalves Pena é eleito Presidente, Francisco Vieira Martins é o novo Vice-Presidente e Wilson de Carvalho e Silva, o Secretário.

Pio Penna

Essa eleição foi mais uma disputa entre as duas correntes políticas predominantes. O empresário e líder da classe, Pio Pena, vitorioso, fora o candidato da corrente da ex-UDN, que aglutinava toda uma gama de tradicionais lideranças municipais. Seu concorrente, o médico e político José Inocêncio Alves Costa, era o indicado da corrente, liderada por João de Carvalho.

Essa ala surgira à época da eleição de Helder de Aquino, em 1950. Naquela ocasião ocorreram mudanças radicais na política local, que deixou de ser dividida ou disputada pelas antigas facções do "zitismo" e do "cantidismo".

Nessa fase da história política de Ponte Nova, os velhos correligionários de Luiz Martins Soares e os antigos partidários do Coronel Cantídio Drumond ajuntaram-se numa mesma corrente para enfrentar um novo adversário, que bem poderia ser denominado "carvalhismo". O curioso é que, não querendo demonstrar rebeldia com relação ao Regime Militar, estavam todos eles, zitistas, cantidistas e carvalhistas, numa mesma legenda, a Arena, então loteada em sublegendas.

No dia 6 de outubro de 1969 aconteceram grandes comemorações em Ponte Nova e Rio Casca, para marcar o inauguração da rodovia pavimentada ligava esses dois municípios. Compareceram o Governador Israel Pinheiro; seu Vice, Pio Canedo; o Ministro dos Transporte, Mário Andreazza; o Senador Milton Campos; o Comandante da 40 Região Militar, General Itiberê Gouveia do Amaral; e o Diretor do DNER, Elizeu Rezende, e o Diretor do DER, Eduardo da Silva Bambirra.

Eram inaugurados também, em Ponte Nova, o cais da Avenida Arthur Bernardes e a Praça Sérgio Alves Pereira, localizada no início da Rua Felisberto Leopoldo.

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