Miguel Lanna, Bartolomeu,
Inocêncio A.Costa - Anos 70

 

O ano de 1972 seria outro ano de muita movimentação política em Ponte Nova e região.

Preparando-se para os embates que se feririam a 15 de novembro, a Arena elege sua Comissão Executiva no dia 21 de janeiro. Francisco Linhares Ribeiro torno-se mais uma vez Presidente de Partido. Reinaldo Alves Costa Filho é eleito Vice-Presidente, Nelson Mendes Secretário e João Trivellato Filho Tesoureiro. A Arena continuaria, por mais esse período, nas mãos de ex-udenistas, evitando, assim, que o controle do Diretório passasse para a corrente ligada a João de Carvalho.

Dez dias depois, em 31 de janeiro, acontece a eleição na Câmara Municipal, que passa o ser presidida por João Mayrink, eleito com os votos de 13 de seus pares.

Ainda nos primeiros meses do ano, fariam-se candidaturas a prefeito. O nome do Presidente da Câmara, João Mayrink, é cogitado como um dos candidatos da Arena.

A corrente de João de Carvalho, dentro desse mesmo partido, queria fazer de José Inocêncio Alves Costa o Prefeito de Ponte Nova. Não era a primeira vez que tentariam eleger Alves Costa Chefe do Executivo ponte-novense. Ele, por pouco, não chegou lá, quando o Prefeito Abdalla Felício faleceu, em 1966. Depois disso, ele e seus correligionários continuaram a perseguir, com insistência, o cargo máximo da municipalidade.

José Inocêncio, de fato, tinha credenciais para ser prefeito em Ponte Nova. Tendo sido membro da Força Expedicionária Brasileira-FEB durante a Segunda Grande Guerra, refletia nele a imagem de herói. Como médico, possuía vasta clínica, onde atendia, preferencialmente, pacientes de origem humilde. Como Vereador vinha-se sucedendo como campeão absoluto de votos nos últimos pleitos. Em 1970, por exemplo, tivera 867 votos, cerca de 300 a mais do que o segundo colocado.

O MDB optou pela não-apresentação de candidatos a prefeito. Concorreria apenas para as vagas do Legislativo. A Arena, no entanto, se movimentava com articulações, acordos e composições. A corrente composta pelos ex-udenistas apresentou, em meio às discussões, os nomes do ex-interventor Federal Miguel Valentim Lanna e do comerciante Antônio Bartholomeu Barbosa para candidatos a prefeito e vice-prefeito, respectivamente.

Antônio Bartholomeu assumira, junto com Marcos Rodrigues Pereira, as duas últimas campanhas do Deputado Federal Pedro Maciel Vidigal, nas quais o parlamentar obtivera votação surpreendente em Ponte Nova. Esses dois eram dirigentes da Sociedade São Vicente de Paula e tiveram o seu trabalho facilitado pelo momento político. Na primeira dessas eleições vivia-se o início do Governo Militar, em que a propagando contra o "perigo comunista" era o tom da publicidade governamental. Naquela ocasião, Pedro Vidigal era padre católico e anticomunista convicto. Era, portanto, um candidato que assentava muito bem com a sociedade conservadora e interiorana da Ponte Nova de então.

O bom desempenho de Pedro Vidigal projetou os nomes de Bartholomeu e Rodrigues, mas foi o primeiro que, aproveitando o momento ideal, ingressou na política partidária e sensibilizou os velhos líderes arenistas, a ponto de indicarem-no candidato a vice-prefeito.

A imprensa recebeu bem o nome de Bartholomeu, e o "Jornal do Povo", em sua edição de 3 de setembro de 1972, exaltava suas qualidades desta forma:
"Antônio Bartolomeu Barbosa, comerciante altamente conceituado nesta cidade, incansável e edificante labor na Sociedade de São Vicente de Paulo, afeito aos problemas assistenciais de sua terra, homem abnegado, que consome horas e horas no trabalho admirável visando a minorar a situação dos pobres e desamparados que, devido principalmente a situação geográfica de Ponte Nova, ensombram a sua paisagem".

Com esse novo fato político, o Presidente da Câmara, João Mayrink, ameaça compor com José Inocêncio, aproximando-se mais da corrente de João de Carvalho. Ele falava em composição, mas queria também ser o cabeça de chapa, deixando para Alves Costa o cargo de vice-prefeito. Este, por sua vez, já se havia definido pela candidatura a prefeito e tinha todo o apoio do Chefe Político João de Carvalho. Não haveria, portanto, acordo.

Não bastassem todos esses arranjos, surge uma nova candidatura a candidato a Prefeito de Ponte Nova. O líder ruralista Catulino Novais pleiteava a candidatura e deixou que seu nome viesse à tona nas águas revoltas da política ponte-novense. Ele era cunhado do ex-Deputado Federal Geraldo Vasconcellos e do Deputado Estadual Fábio Vasconcellos, portanto tinha o apoio político necessário. Um dos fundadores da Associação Rural do Vale do Piranga, embrião do hoje poderoso Sindicato Rural de Ponte Nova, tinha, dessa forma, o apoio da classe ruralista, forte e coesa, na época.

No dia 26 de agosto, a partir das vinte horas, a Arena reuniu-se em convenção para a escolha de seus candidatos. Apresentaram-se apenas duas chapas, que deveriam disputar a vaga da Arena 1. A que saísse derrotada na convenção não estava fora das eleições, posto que disputaria a Prefeitura pela sublegenda "Arena 2"

Nessa altura dos acontecimentos, a corrente carvalhista da Arena já havia ido buscar um ex-adversário, o velho chefe peerrista Cristiano de Freitas Castro, para compor a chapa de Alves Costa.

A dupla Miguel Valentim Lanna (Prefeito)e Antônio Bartholomeu Barbosa vice-Prefeito recebeu os votos de 23 convencionais, enquanto José Inocêncio Alves Costa (Prefeito) e Cristiano de Freitas Castro (Vice) ficaram com 12 votos apenas.

A convenção da Arena suscitava grande interesse, pois a sublegenda "Arena 1" tinha a seu favor o número de vagas para candidatos a vereador, podendo apresentar até vinte deles. Já a "Arena 2" tinha esse número limitado, dez candidatos.

Domingos Lanna, nos últimos dias de seu governo, concluía e inaugurava as obras executadas em sua gestão. A Avenida Custódio Silva, toda asfaltada, era entregue ao tráfego. O edifício do Grupo Escolar José Mariano era reformado pela Comissão de Construção, Ampliação e Reforma de Prédios Escolares-CARPE, que havia atendido à solicitação do Deputado Fábio Vasconcellos.

As eleições transcorreram com total normalidade. A disputa ocorria mesmo entre as duas correntes arenistas. De um lado, as velhas lideranças ligadas ao zitismo e à UDN, utilizando processos políticos tradicionais; do outro, João de Carvalho e seus correligionários, lideranças novas, de métodos populistas.

Miguel Lanna conseguiu aglutinar grandes forças políticas da cidade em torno de seu nome. Diversas entidades representativas hipotecaram o seu apoio ao ex-interventor, e nomes respeitabilíssimos abraçaram a sua candidatura.

A campanha de Lanna e Bartholomeu cresceu rapidamente, e, por mais que José Inocêncio e seus correligionários trabalhassem, o resultado foi favorável aos candidatos da Arena 1.

Miguel Valentim Lanna venceu o pleito, obtendo 7.778 votos, enquanto José Inocêncio Alves Costa ficou com 6.111.

Para a Câmara Municipal, foram eleitos quatorze vereadores da Arena e apenas um do MDB. A surpresa ficou por conta do estreante Afonso Lopes Ribeiro Filho, que se elegeu com a surpreendente soma de 900 votos. Seguiram-no João Mayrink, com 874, Angelino Cardoso, com 805, José Maria Raimundi, com 713, João Evangelista de Almeida, com 708, Wilson de Carvalho e Silva, com 662, Wilton Paiva Tavares, com 618, Otávio Lanna de Vasconcellos, com 579, Francisco Rodrigues da Cunha Neto, com 553, João Guimarães, com 542,.José Ribeiro da Silva, com 507, José Alves Pereira, com 490, Antônio Menezes Marques, com 489 e Geraldo Duarte Xavier, com 450. Pelo MDB, reelegeu-se Vicente Pinto da Silva, com 458 sufrágios.

Prefeito, vice-prefeito e vereadores são empossados no dia 30 de janeiro de 1973. Nesse mesmo dia é escolhido Presidente da Câmara o Vereador João Mayrink, também Presidente da Casa no período legislativo anterior, bem como o Vice-Presidente eleito, João Evangelista de Almeida, e o Secretário, Vicente Pinto da Silva.

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