Novamente Miguel Lanna, Centenário
do Hospital N.S.das Dores

Miguel Valentim Lanna e seu Vice-Prefeito Antônio Bartholomeu Barbosa tomam posse, perante a Câmara Municipal, no dia 30 de janeiro de 1973.

Domingos Lanna transmite ao novo prefeito, Miguel Lanna. São observados
pelo prof. Virgílio de Freitas e pelo vice Antônio Bartolomeu.

Domingos Sávio Teixeira Lanna, que deixa a Prefeitura, retorna ao Departamento de Estradas de Rodagem-DER, assumindo a Chefia da 17ª. Residência daquele órgão. Passa, em seguida, à Inspetoria de Obras da Região do Mata, que abrange as Residências de Ponte Nova, Ubá e Manhumirim e partes das Residências de Juiz de Fora e Governador Valadares.

O Governo Miguel Lanna inicia-se com toda o atenção voltada para o ensino.

A Lei Municipal n. 43, sancionada em 16 de março de 1973, autoriza o Prefeito Municipal a adquirir a "Chácara Vasconcellos", área de terra, de aproximadamente 40 hectares, situada no centro urbano da cidade.

Essa propriedade pertencera inicialmente ao médico e agricultor Manuel Vieira de Souza. Sua ampla casa-sede fora construída por Ângelo Crivellari para se tornar a residência urbana do Dr. Vieira. Com a morte deste, a chácara foi vendida ao comerciante Anselmo Vasconcellos. Anos mais tarde pertencera ao usineiro Armando Trivellato, genro de Anselmo, e, agora, passava à Prefeitura.

Nela foi instalado o Colégio Municipal, como o primeiro passo para criar, naquele local, o Centro Interescolar de Ponte Nova. Este magnífico projeto pretendia estabelecer o Museu Municipal, o Arquivo e a Biblioteca públicos e outras instituições ligadas ao ensino e à pesquisa.

O Secretário de Estado do Trabalho e Ação Social, Cícero Drumond, esteve na cidade, no dia 24 de abril, para firmar convênio com a Prefeitura Municipal, visando à instalação do escritório do Consórcio de Entidades de Assistência e Promoção Social de Ponte Nova.

Já no dia 29 de maio, aproveitando a visita do Ministro dos Transportes, Mário David Andreazza, do Governador de Minas, Rondon Pacheco, e do Diretor do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem-DNER, Elizeu Rezende, que assistiam à inauguração da pavimentação do trecho da BR 120, que liga Ponte Nova a Viçosa, solenizou-se a inauguração da Escola Polivalente Professor Raimundo Martiniano Ferreira.

Naqueles primeiros meses de 1973, também foi inaugurado o Colégio Estadual Professor Antônio Gonçalves Lanna e instalada a Faculdade de Ciências Contábeis, da Fundação Pio Pena.

Reconhecido pelo Ministério da Educação nesse mesmo ano, o segundo estabelecimento de ensino superior de Ponte Nova teve sua aula inaugural proferida, no dia 4 de agosto, pelo Deputado Elias de Souza Carmo.

Miguel Lanna governava dentro de um quadro de tranqüilidade na política municipal. Tinha também a seu favor o momento político nacional. Vivia-se o "Milagre Econômico ", fase em que se experimentou um intenso, porém discutível, desenvolvimento econômico e social. Era tudo euforia. Os recursos federais brotavam por todos os lados, e eram executadas obras pelo País inteiro, algumas faraônicas, que serviam de publicidade para o Governo Militar.

O fleumático Miguel Lanna governava com parcimônia, mas de forma produtiva. Nas dependências de uma antiga Usina Beneficiada de Café são instalados o almoxarifado , as oficinas e as garagens da Prefeitura.

Acompanhando o plano de recuperação da cafeicultura, implantado pelo Governo Federal, Miguel Lanna determina o plantio, no Passa-Cinco, de um viveiro, com proporções avantajadas. Com a colaboração do Instituto Brasileiro do Café-IBC e da Associação de Crédito e Assistência Rural - ACAR, este viveiro produzia mudas de café de alta linhagem e absolutamente sadias, que eram distribuídas aos agricultores ponte-novenses.

Das obras de infra-estrutura urbana executadas no primeiro ano do Governo Miguel Lanna, as mais importantes foram: a construção de 5.367 metros quadrados de passeios públicos nas Avenidas Arthur Bernardes e Custódio Silva e a conclusão da pavimentação das Ruas Carlos Marques (1.820 metros quadrados), Otávio Soares (1.535), Ângelo da Mata e Andrade (1.118] e José Pedro Dias (75), acessos às escolas do SENAI (200) e ao Colégio Polivalente (1.112). Importante serviço de saneamento foi a construção das redes de águas pluviais nas Ruas Dom Bosco, José Pedro Dias e Ângelo da Matta e Andrade. Também em 1973 foram construídos muros de arrimo na Travessa Santo Antônio e na Estação de Tratamento de Água.

Miguel Lanna atendeu, de forma especial, às escolas rurais. Manteve 30 delas em funcionamento, com 44 professores e 1.467 alunos.

Do orçamento municipal de 1973, Cr$711.305,78 foram gastos na educação, o que mostra o empenho do Prefeitura na área educacional.

O ano de 73 também teve o seu burburinho político.

No dia 7 de abril, passou por Ponte Nova a estrepitosa comitiva do ex-governador José de Magalhães Pinto. Em campanha para se tornar o primeiro presidente civil depois do Golpe de 1964, o senador mineiro desceu no Aeroporto do Sombrio, com destino a Rio Doce, onde receberia título de cidadão honorário. Naquela ocasião, fazia-se acompanhar dos Senadores José Augusto Ferreira Filho, José Sarney, João Calmon, João Cleofas e Petrônio Portela. Também acompanhavam Magalhães Pinto o Prefeito de Belo Horizonte, Oswaldo Pierucetti; os Deputados Federais Geraldo Frurel e Roberto Rezende; o ex-Deputado e Suplente de Senador José Monteiro de Castro e o Secretário de Estado do Interior, Deputado Geraldo Martins Silveira.

Essa numerosa comitiva era aguardada no aeroporto por outra não menos numerosa, composta por Miguel Lanna, Antônio Bartholomeu, Domingos Lanna, Fábio Vasconcellos, Cristiano de Freitas Castro e oito vereadores ponte-novenses.

Depois dos cumprimentos de praxe, Magalhães Pinto segue com o seu séquito, engrossado pela presença dos ponte-novenses, para a vizinha Cidade de Rio Doce.

A respeito do aspecto econômico, ganhou repercussão estadual o recorde quebrado pela Usina Anna Florência, que, na sofra de 1973, fabricou um milháo de sacas de açúcar. O fato mereceu comemoraçáo, ocasião em que o Presidente da Usina, Antônio Soares de Lima Neto, recebeu o Secretário de Estodo da Agricultura, Alyson Paulinelli.

Outro fato que marcou o ano de 1973 foi o centésimo aniversário do Hospital Nossa Senhora das Dores.

Essa casa de saúde, inaugurada a 21 de setembro de 1873, foi uma das mais importantes obras realizados naquela fase da história de Ponte Nova não só pela sua importância social, mas também pelo seu caráter pioneiro, pois em toda uma vasta região era o único estabelecimento do gênero.

A obra do hospital fora idealizada pelo padre João Paulo Maria de Britto, que durante a sua longa permanência em Ponte Nova, como Pároco local, tivera marcante participação na vida política do município. O médico Leonardo José Teixeira da Silva, que também exercera os cargos de Presidente do Câmara, Deputado Provincial e Vice-Presidente da Província de Minas Gerais, liderou a construção e a implantação propriamente dita do nosocômio.

Ciente da importância e da grandiosidade daquela obra, assim se expressou, durante as solenidades de inauguração, o médico/político:

"Neste momento para mm solene, em que despeço-me dos meus companheiros da comissão, e agradeço-lhes os valorosíssimos auxílios que me prestarão, apelarei para os sentimentos patrióticos e sinceramente christãos d'aquelles que me ouve, e alimento a bem fundada esperança de que o Hospital de N. S. das Dores do Ponte Nova, será brevemente, senão um monumento grandioso, ao menos um estabelecimento útil e regular, qve dê eloqüente testemunho do nosso adiantamento e civilização".

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