Miguel Lanna/Eleições 1976 - Bartolomeu e Hasenclever

O ano de 1974 trouxe mudanças políticas de significativa importância. Uma séria crise do modelo econômico iria alterar o rumo dos acontecimentos político-partidários.

Surgiu, por essa ocasião, uma verdadeira conscientização internacional de que estava ocorrendo um rápido esgotamento das reservas de petróleo. Os países produtores reagiram, impondo aumento expressivo no preço do produto. O reflexo, em todo o mundo, foi imediato, em particular nos países do Terceiro Mundo. Diminuíram as taxas de crescimento do produto nacional, e a inflação voltou a subir comprometedoramente.

O ano de 1974 pode ser considerado a fase mais dura do autoritarismo pós-64. Pelo menos nove dirigentes do Comitê Central do PCB foram presos e assassinados, diversas gráficas clandestinas e "aparelhos" foram descobertos e destruídos. As prisões estavam lotadas de presos políticos, e a tortura era prática comum.

A Emenda Constitucional n. 1, de 17 de outubro de 1969, estipulava o mandato presidencial em cinco anos, e a Lei Complementar n. 15, de 13 de agosto de 1973, determinava que os presidentes fossem "eleitos de forma indireta". Assim, eleito pelo "Colégio Eleitoral", o General-de-Exército Ernesto Geisel assume o Governo da República no dia 15 de março de 1974 para ficar no poder até 15 de março de 1979.

O Ministério Geisel era um "peso pesado". Dele participavam importantes mentores e artífices do Golpe de 64. Armando Ribeiro Falcão, Justiça; João Paulo dos Reis Velhos, Planejamento e Coordenação Geral; Goubery do Couto e Silva, Gabinete Civil; e João Baptista de Oliveira Figueiredo, Serviço Nacional de Informações.

Tinha esse Ministério alguns poucos técnicos, como era o mineiro Alyson Paulinelli, da Agricultura, e o carioca Mário Henrique Simonsen, da Fazenda. Este último, economista e professor, escolhe para compor a sua equipe de trabalho dois ponte-novenses, também economistas de profissão: Luiz Sette e Câmara e Antônio Maria da Silveira.

Luiz Sette e Câmara torno-se Diretor-Geral do Departamento de Administração da Fazenda. Ele era filho de Amarílio Sette e Câmara, que, como toda essa tradicional família, tem sua origem incrustada em Santa Cruz do Escalvado.

Antônio Maria da Silveira, também economista, é nomeado Presidente do Fundação Getúlio Vargas. Antônio Maria era filho do médico José Maria do Silveira Júnior, cujos antepassados haviam tido importante participação na história da comunidade ponte-novense, através dos tempos.

Em nível estadual, é nomeado para a Delegacia Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -INCRA, órgão do Ministério da Agricultura, Afonso Damásio Soares. Agrônomo e funcionário da Divisão Técnica daquele instituto, Afonso é descendente de uma das mais tradicionais famílias de Ponte Nova e parente próximo dos Martins Soares, que tantos homens públicos deu à cidade e ao Estado.

Em Minas Gerais, Rondon Pacheco cumpria seu último ano como Governador de Estado, e em todo o País deveriam ocorrer eleições de parlamentares estaduais e federais.

Em Ponte Nova, o clima de eleição surge logo nos primeiros meses do ano.

O ex-Prefeito Domingos Lanna já tinha a sua candidatura de Deputado Estadual lançada. Alojava-se, por essa ocasião, na corrente liderada por João de Carvalho, que, aparentemente, desistira de disputar a eleição. Mas, desde que fora prefeito, aglutinava, em torno de si, um bom número de militantes, criando, assim, a sua própria corrente política.

O outro grupo político tentaria reeleger, para mais um mandato, o Deputado Fábio Vasconcellos, seu líder.

Essas duas facções compuseram com candidatos a deputado federal. A primeira optou por Edgard de Vasconcellos Barros, Deputado Estadual por duas legislaturas, sociólogo e professor da Universidade Federal de Viçosa. A outra apoiaria Paulino Cícero de Vasconcellos. Apesar da semelhança nos nomes, Fábio, Edgard e Paulino não eram parentes. O último, já na época político de grande expressão, era natural de São Domingos do Prata.

No meio dessa turbulência política, a cidade assistia a acirrada discussão sobre a encampação da Companhia Telefônica Pontenovense pela TELEMIG. Para agilizar o processo de absorção da pequena telefônico local e acalmar os ânimos dos opositores da idéia, a estatal iniciou a construção de um requintado edifício para abrigar suas instalações, na Avenida Caetano Marinho.

O Prefeito Miguel Lanna absteve-se de qualquer participação nas eleições daquele ano de 1974. Ele tinha a convicção de que ao Chefe do Executivo cabia apenas presidir a eleição, como um magistrado. A utilização do poder, a ele conferido pelo cargo, para influir em processos políticos como aquele não era, para ele, admissível.

Os resultados dessas eleições, no País, foram surpreendentes. No Senado, houve renovação de dezesseis cadeiras e, na Câmara Federal, cento e setenta e cinco deputados novos se elegeram.

Ocorreu também uma inesperada avalanche de votos sobre o MDB, principalmente nos maiores estados brasileiros, e isso fez a ARENA e o próprio Governo Militar refluírem.

Desde 1966, o governo vinha alcançando maiorias amplas e confortáveis na Câmara dos Deputados: naquela ocasião, tinha 277 dos 409 parlamentares. Em 1969, o critério que estipulava o número de deputados foi alterado. Passou a prevalecer o tamanho do eleitorado, e não o da população, e a Câmara, então, ficou reduzida a 310 deputados, dos quais 233 representavam o partido do governo, restando ao MDB apenas 87 cadeiras.

Já em 1974, a ARENA elegeu 204 e o MDB atingiu o preocupante número de 160 deputados federais. A tendência era estreitar-se ainda mais essa diferença nas eleições de 1978. O governo sabia disso e temia a concretização dessa previsão. Baseado nessa hipótese, ele criaria a figura do Senador Indireto, ou Bionico, como ficou conhecido, para assegurar a maioria no Senado Federal.

ELEIÇÕES
ANO..ARENA MDB
1966 63,9% 36,0%
1970 69,4% 30,5%
1974 51,9% 48,0%

Se no âmbito federal essas eleições trouxeram surpresas, em Ponte Nova tanto o pleito como o seu resultado apresentaram a mais perfeita normalidade.

O emedebista mineiro Itamar Franco, que "estourou" em todo o Estado, obteve, em Ponte Nova, 7.729 votos, contra 4.209 dados ao outro candidato ao Senado, José Augusto Ferreira Filho.

Os cinco candidatos a deputado federal mais votados em Ponte Nova foram Edgard de Vasconcellos, que recebeu 1.561 votos; Joaquim de Mello Freire, 1.431; Elias de Souza Carmo, 1.310; Paulino Cícero de Vasconcellos, 1.281; e Camilo Nogueira da Gamo, 1.090. Para a Assembléia Estadual, Domingos Sávio Teixeira Lanna recebeu a maioria absoluta dos sufrágios, 6.122, enquanto Fábio Vasconcellos, em segundo lugar, obteve apenas 2.404 votos. Ainda foi bem votado em Ponte Nova, naquela eleição de 1974, o padre viçosense Antônio Mendes, que contabilizou 1.355 votos.

A cidade ficaria bem representada nos Poderes Legislativos Federal e Estadual. Dos cinco candidatos mais votados, três são eleitos deputados federais: Joaquim de Mello Freire, Paulino Cícero de Vasconcellos e Camilo Nogueira da Gama.

Fábio Vasconcellos reelege-se para cumprir seu terceiro mandato de Deputado Estadual, e Domingos Lanna, que fora prefeito no período de 31 de janeiro de 1971 a 31 de janeiro de 1973, também se elege para a Assembléia Estadual.

O terceiro ano do mandato de Miguel Lanna iniciou-se tão tranqüilo como os outros dois. A serenidade do administrador fazia com que o clima de calma e paz prevalecesse. Em poucas outras ocasiões Ponte Nova conheceu um período de tamanha calmaria nos "mares" da política local. A própria oposição agia com certa precaução para não romper aquele estado de tranqüilidade. Limitava-se a algumas reivindicações e sem o estardalhaço que habitualmente armava.

No dia 20 de fevereiro de 1975, procede-se a uma nova eleição para escolha da Mesa Diretora da Câmara Municipal. Não surgindo outra chapa, são reeleitos os Vereadores João Mayrink (Presidente), João Evangelista de Almeida (Vice-Presidente) e Vicente Pinto da Silva (Secretário). A edilidade retomou os trabalhos legislativos com o mesmo espírito de calma e tranqüilidade que reinava em toda a administração pública.

Após as últimas temporadas de chuvas, foram detectados alguns pontos críticos, nos quais era necessário construir alguns muros de arrimo. A Prefeitura, então, iniciou essas obras no Bairro Copacabana e na Vila Oliveira. Foram feitas redes de esgoto no Bairro Pacheco e várias redes de águas pluviais dentro do perímetro urbano.

Em julho, José Antônio de Vasconcellos Castro é contratado para o Departamento de Obras da Prefeitura. Engenheiro, ponte-novense, Vasconcellos já havia prestado serviço à Prefeitura de Ouro Preto e, agora, como profissional, voltava à terra natal.

A "Casa de Ponte Nova", entidade fundada no Rio de Janeiro pela colônia ponte-novense, articulava a criação da Faculdade de Tecnologia da cana-de-açúcar, para formar profissionais destinados à agroindústria sucroalcooleira. Lideravam o projeto o médico Geraldo Siffert, o General José Bretas Cupertino e o professor José Schiavo. Os estudos e as negociações caminhavam celeremente e, durante o ano de 1975, várias reuniões e encontros foram realizados em Ponte Nova .

No dia 25 de outubro, os meios políticos, a classe médica e toda a sociedade ponte-novense receberam, com pesar, a notícia do falecimento do Dr. Francisco Linhares Ribeiro. Num dos leitos do Hospital Nossa Senhora das Dores, do qual ele era Provedor, desapareceu uma das maiores expressões da política ponte-novense. Ainda jovem, com clínica estabelecida no Bairro Palmeiras, ele ingressara na política e, em 1950, fora eleito vereador. Fora diversas vezes Presidente da Câmara, presidira a UDN e a ARENA e sobressaíra como articulador hábil e Líder de grande influência.

Visita do General José Bretas Cupertino, chefe da Polícia Federal a Ponte Nova.
No primeiro plano aparecem, da esquerda para a direita, José Mucci Daniel,
Abdalla Felício, Mário Clímaco, General Bretas, Pio Pena e o Padre Alcides Lanna.

Duas medidas do Governo Estadual viriam beneficiara cidade na segunda metade de 1975. O Secretário de Saúde, Dário de Faria Tavares, através da Resolução nro. 43, institui, em Ponte Nova, a sede da Jurisdição dos Centros Regionais de Saúde, cuja área de abrangência compreendia quarenta e duas unidades.

No dia 12 de outubro, visitava Ponte Nova o Secretário de Indústria e Comércio, Fernando Fagundes Neto. Ele viera responder a um convite da Administração Municipal que se empenhava na criação de um Distrito Industrial no município. Foi recebido na Câmara Municipal, visitou indústrias, como a Fábrica de Papel e a Usina Anna Florência, e ainda manteve importantes contatos.

Politicamente, o final de 1975 foi marcado pela sessão solene do Câmara Municipal, do dia 30 de outubro, em comemoração do aniversário da cidade, oportunidade em que diversas personalidades foram contempladas com o título de Cidadão Honorário de Ponte Nova. A irmã Angélica Franciozi, o professor José Maria da Fonseca, o funcionário público municipal aposentado Jayme Pereira, o maestro José França Paixão e José Barbosa Neto, envolvidos em diversas atividades dentro da comunidade ponte-novense, foram indicados para a comenda. Dentre os políticos homenageados, encontravam-se ex-Prefeitos Domingos Lanna, natural de Rio Casca, e João Batista Viggiano, nascido em Guarará.

Subgerente do Banco do Brasil S/A e político de expressão em Ponte Nova, Carlos Jardim de Rezende, nascido no Rio de Janeiro, recebeu, como os outros, o título de cidadania.

Maestro Juquita recebe das mãos do prefeito de Ponte Nova, Miguel
Valentim Lanna, o Título de Cidadão Honorário Pontenovense.

No País, a repressão continua violenta. Nas dependências do DOI-CODI é assassinado o jornalista da TV Cultura de São Paulo Vladimir Herzog. A censura, atenta, recolhe o livro "Feliz Ano Novo", de Rubem Fonseca; o romance "Aracelli, Meu Amor", de José Louzeiro; e a novela "Zero", de Ignácio de Loyola. Até "Roque Santeiro", novela da Globo, é proibida de ir ao ar. Artistas, como Fernanda Montenegro e Cidinha Campos, são proibidas de se apresentarem nos palcos com peças consideradas "perigosas" pela censura.

O bancário, que foi perseguido e preso em Ponte Nova logo após o Golpe de 64, José Kleber Leite de Castro, reabilitado e licenciado do estatal Banco do Brasil, assessorava, no Rio de Janeiro, o Presidente do Banco Nacional, Eduardo de Magalhães Pinto.

Em Minas Gerais, Antônio Aureliano Chaves de Mendonça assume o Governo, que iria deixar antes do final do mandato para se tornar Vice-Presidente da República. Seu Vice-Governador era Levindo Ozanan Coelho, da Cidade de Ubá.

O equilíbrio da Administração Miguel Lanna emprestava a todo o meio político municipal um clima de calma que chegava a ser até exagerado. A imprensa pouco ou nada veiculava sobre os acontecimentos políticos locais. Não que ela evitasse tocar no assunto, mas nada de diferente ocorria nesse campo.

As obras fluíam normalmente, sem alarde e sempre desacompanhadas de propaganda. A infra-estrutura era o ponto forte do Departamento de Obras. Foram calçadas ruas nos Bairro Santa Teresa, num total de 3.299 metros quadrados, com o assentamento de 1.395 meios de meio-fio. No Sagrado Coração de Jesus, esse serviço chegou a atingir o número de 9.109 metros quadrados de calçamento e 2.195 metros lineares de meio-fio. Seguiram-se os calçamentos no Bairro Copacabana, 4.926 metros quadrados; no Sumaré, 2.832; no Centro da cidade, 6.477; no Triângulo, 1.337; na Vila Oliveira, 1.002; e na rua de acesso ao Colégio Estadual, 612. Todos esses calçamentos vinham acompanhados de colocação de meio-fio e, em alguns casos, de construção de redes de águas pluviais.

Miguei Lanna estabeleceu como prioridade a educação e fez pesados investimentos nesse setor. Durante seu governo, o volume de recursos dedicados à educação cresceu significativamente, como demonstra o esquema abaixo:

ANO ...Cr$
1973 ..711.305,78
1974 ..682.122,13
1975 ..962.276,02
1976 1.520.821,42

Três prédios escolares foram construídos no meio rural e outros quatro foram completamente reformados, incluindo ampliações.

Era ano de eleições, mas poucos se lembravam disso.

Em monótona sessão, a Câmara reelege, para mais um período, o Presidente João Mayrink.

Até nas grandes inaugurações deixavam os políticos de propagandear o seu nome e a sua campanha.

No dia 14 de maio de 1976 foi inaugurado o Hospital Arnaldo Gavazza Filho, ligado à Associação dos Plantadores de Cana e mantido por ela, que se fortalecera como associação de classe nos últimos tempos. O Presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, General Álvaro Tavares do Carmo, participou das solenidades, que reuniram grande número de autoridades e produtores rurais da região.

Em junho, no dia 4, foi a vez do moderno e amplo edifício da TELEMIG ser inaugurado. Representando o Governador de Minas, Aureliano Chaves, esteve em Ponte Nova, novamente, o Secretário Fernando Fagundes Neto. Da Empresa de Telecomunicações, veio o Diretor, Brigadeiro Theobaldo Antônio Koop.

Com os equipamentos instalados nesse edifício, que custara três bilhões de cruzeiros, Ponte Nova ficava definitivamente ligada à rede de Discagem Direta a Distância-DDD.

Miguel Lanna aproveitou o ensejo para inaugurar também a nova iluminação da Avenida Custódio Silva. Esse serviço veio coroar e dar como totalmente concluídas as obras daquela nova avenida, iniciadas ainda no Governo de João Batista Viggiano.

Em junho também, Miguel Lanna assina convênio com a Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais-CDI/MG, para a instalação de um bairro industrial em Ponte Nova.

Com esse convênio surgiu a "febre" de indústria. Foram feitos contatos para captar investimentos, e uma empresa chegou a se interessar pela instalação de uma siderúrgica na cidade.

A palavra de ordem era trazer indústrias para Ponte Nova. Nesse afã progressista/industrial, a Prefeitura decretou de Utilidade Pública, para fins de desapropriação, a Fazenda do Ribeirão, com 165 hectares, situada nas margens da rodovia que liga Ponte Nova a Belo Horizonte. Seu proprietário, Silvio de Almeida Costa, entretanto, insatisfeito com a medida do Governo Municipal, impetrou Mandado de Segurança contra a Prefeitura.

À medida que se aproximava a data das eleições, as forças políticas de Ponte Nova se organizavam para enfrentar a "batalha" das urnas. Só então se sentiu pulsar, de novo, o coração político do lugar.

O MDB articulou duas candidaturas. O ex-udenista Carlos Jardim de Rezende, Líder da classe bancária e ex-vereador na Câmara de Ponte Nova, tinha seu prestígio em alta e era um bom nome para disputar aquele pleito. O jovem médico Afrânio Felício da Cunha era visto como sucessor político do pai, o ex-Prefeito Abdalla Felício, e, com tal herança, estava credenciado para pleitear o cargo de Prefeito de Ponte Nova.

A ARENA promoveu a sua convenção no dia 28 de julho de 1976. Uma corrente daquele partido, liderada pelo Deputado Estadual Fábio Vasconcellos, lançou o empresário Hasenclever Tavares André como candidato a prefeito. Ele havia chegado à cidade para dirigir a Fábrica de Papel de Ponte Nova e, com dinamismo e espírito empresarial, fizera a indústria vencer a crise pela qual atravessava há anos. Constitui-se outras empresas de grande porte e adquiriu propriedades em Ponte Nova. Criou, dessa forma, a imagem do bom administrador. Seu Vice-Prefeito seria o médico José Inocêncio Alves Costa, líder popular, que militava , há muito na política local.

A outra chapa surgiu de forma surpreendente.

O prestígio do Deputado Domingos Sávio Teixeira Lanna era grande. Sua passagem pela Prefeitura de Ponte Nova, apesar de ter sido curta, fora considerada extremamente proveitosa. Naqueles dois anos, ele executara bom número de obras. Como Deputado, Domingos Lanna vinha sobressaindo, principalmente porque via suas indicações atendidas pelo Governo do Estado, conseguindo, dessa forma, trazer benefícios para a região. Com todos esses méritos, a liderança do Deputado Domingos Lanna já se havia cristalizado. Assim, não foi contestado quando surgiu com o nome de Antônio Bartholomeu Barbosa para disputar a Convenção da ARENA.

Além de ter sido indicado por um Líder de tanto prestígio, Bartholomeu tinha também o apoio do Prefeito Miguel Lanna. Ele havia sido um bom vice-prefeito. Acompanhava Miguel Lanna em todos os encontros e cerimonias políticas. Era como um discípulo atento aos ensinamentos do velho mestre, sempre observando seus gestos e atitudes sem, no entanto, extrapolar suas funções de "vice".

Na realidade, Antônio Bartholomeu já havia sido apresentado como candidato há mais de seis meses. Ainda em dezembro de 1975, em uma reunião na residência de João Batista Viggiano, então Presidente da ARENA, seu nome fora aventado. Nessa ocasião também ficara acertado que seu vice seria o próprio Viggiano, tudo, evidentemente, sob os auspícios do Deputado Domingos Lanna.

Por apenas dois votos, Hasenclever ganhou o direito de disputar as eleições pela ARENA 1, enquanto Antônio Bartholomeu ficava com a ARENA 2.

Dez dias depois dessa festa política da ARENA, no dia 7 de agosto de 1975, a cidade e principalmente os meios políticos e empresariais foram colhidos de surpresa com a morte repentina, com 67 anos de idade, do ex-Deputado Geraldo Vasconcellos. Ele se projetara no Estado como empresário, tendo-se destacado, principalmente, no comércio de automóveis, instalando agências revendedoras em diversas cidades mineiras. Em Ponte Nova, Geraldo Vasconcellos fora presidente do Pontenovense Futebol Clube e do Centro de Choferes. Em Belo Horizonte, dirigira o Clube Atlético Mineiro e, na vida pública, fora Deputado Federal, no período de 1959 a 1963, quando chegara a presidir a Comissão de Transportes da Câmara.

Nas vésperas das eleições de 15 de novembro de 1976, Ponte Nova possuía 22.528 eleitores inscritos, distribuídos desta forma: Sede, 12.914; Palmeiras, 7.027; Vau-Açu, 1.191; e Oratórios, 1.396.

Logo após a escolha dos candidatos, a campanha tomou corpo e a cidade "respirava" política e eleições.

Os cabos eleitorais de Hasenclever exploravam o seu dinamismo, o seu sucesso empresarial e a sua capacidade administrativa:
"Voltamos o repetir que Hasenclever, partindo de uma indústria falida, à custa de seu esforço e da sua capacidade administrativa, não só recuperou a fábrica que derrotara tantos pontenovenses ilustres, como ainda partiu paro o sua ampliação, criando uma indústria sofisticado e moderna, que não só é o orgulho de Ponte Nova, como também se alinha entre as mais modernas e produtivas do estado".
Já os responsáveis pela campanha de Antônio Bartholomeu queriam transmitir ao eleitorado a imagem do equilíbrio e da seriedade:
"Equilíbrio, sempre o equilíbrio, regendo os passos desse pontenovense de velha cepa, desse filho de agricultores que, começando nos lutas rudes do campo, veio para a cidade a fim de trabalhar, obediente às normas tradicionais, que deram prosperidade a seus pais, grandes lidadores das boas causas".
A origem humilde de Antônio, assim como a sua religiosidade, não era esquecida pelos seus correligionários:
"Antônio Bartolomeu, cidadão de modesto origem, labora no meio comunitário desde tenra idade."
Ou ainda:
"Antônio Bartolomeu tem suas origens num lar cristão, onde sempre sobejaram lições de trabalho".

Há muito não se via uma campanha eleitoral tão concorrida quanto a que precedeu as eleições de 15 de novembro de 1976. Havia a disputa interna dentro dos partidos, em que as sublegendas se defrontavam. Essa disputa, entretanto, era mais acirrada entre as duas correntes do partido governista, pois a oposição, com menos possibilidades de vitória, tinha desestimulado a disputa interna.

Além da competição interna, havia a contenda entre os dois partidos, a ARENA e o MDB, o que chegava a criar grande expectativa entre os observadores políticos.

O MDB vinha crescendo muito em todo o País, e mesmo em Ponte Nova, cidade tradicionalmente conservadora, a oposição se fortalecera sensivelmente.

 
(extraído do Livro: "Lavoura e Riqueza, Voto e Poder".
Do historiador Prof.Antônio Brant Ribeiro Filho)

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