Antônio Bartolomeu/Obras/Enchente-79

A nova Câmara foi empossada no dia 30 de janeiro, em sessão solene qve também serviu pora eleger a mesa-diretora. A escolha do presidente recaiu, mais uma vêz, na pessoa do Vereador João Mayrink. Para vice-presidente e secretário foram escolhidos Wilson de Carvalho e Silva e Reinaldo Alves Costa Filho, respectivamente.

Antônio Bartholomeu Barbosa é empossado pelo
Presidente da Câmara, João Mayrink
 

A transmissão do cargo de prefeito ocorreu no dia seguinte, 31, no gabinete do Executivo, sem grandes festas, bem no estilo dos dois mandatários, o que saía e o que assumia, sempre avessos a comemorações.

Antônio Bartholomeu recebera a "casa" em ordem. A Prefeitura não devia a fornecedores, pelo contrário, possuía um bom saldo. Sua estrutura administrativa estava organizada, com o quadro de funcionários enxuto.

As primeiras obras foram levadas a efeito nas estradas municipais, castigadas pelas últimas chuvas. Foram construídas pontes e bueiros, utilizando-se mão-de-obra de terceiros.

Em julho foi aberta concorrência pública para o asfaltamento da Rua Benedito Valadares e da Praça Dom Parreira Lara, num total de 2.758 metros quadrados de pavimentação.

O serviço de limpeza pública foi reorganizado, e o prefeito fez aumentar o efetivo de funcionários nesse setor, o que, de imediato, trouxe resultados.

Convênio com a Secretaria de Estado da Educação permitiu que a Escola Estadual Francisco Vieira Martins, em Oratórios, fosse reformada e ampliado pora receber a "extensão de série". Lá também foram executadas obras de infra-estrutura, com a construção de redes de água pluvial e de esgoto.

Ainda no ano de 1977, a Prefeitura fez construir uma escola no povoado do Gentio. Também, foram construídos seis pontes na malha rodoviária municipal, e no perímetro urbano foi feito o ajardinamento da Avenida Custódio Silva.

Para o aniversário da cidade, o prefeito reservou poucas festividades. Destacaram-se a inauguração do Arquivo Público Municipal e o Festival da Canção. O legislativo fez, nessa ocasião, a tradicional entrega de títulos de cidadão honorário. Foram homenageados, desta feita, o funcionário público e membro da Sociedade de São Vicente de Paula Marcos Rodrigues Pereira, o bancário e Presidente da Corporação Musical União 7 de Setembro Dalvo de Oliveira Bemfeito e a festejada cronista e poeta Adail Lindalva Machado Fonseca.

O Deputado Domingos Lanna divulgava, pela imprensa, todas as gestões que desenvolvia, para a construção de uma ponte sobre o rio Piranga, ligando os Bairros Palmeiras e Triângulo.

A Câmara Municipal aprovou, no dia 22 de dezembro de 1977, projeto, enviado pelo Executivo que criava o novo Código Tributário. Tornando-se a Lei n. 1.112, esse projeto foi o primeiro passo para a implantação do Projeto CIATA Convênio de Incentivo ao Aperfeiçoamento Técnico-administrativo das Municipalidades, criado pela Secretaria de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. Eram, na verdade, esforços destinados a restruturar e racionalizar os serviços de Fazenda Municipal.

Tudo ia bem com as finanças municipais. O prefeito, entretanto, reclamava dos altos custos e encargos com os órgãos governamentais. De acordo com o mandatário, eram submetidas enormes despesas à Prefeitura Municipal, decorrentes dos vários serviços da União e do Estado que funcionavam em Ponte Nova.

No dia 27 de janeiro de 1978, a Câmara reelege, para mais um período legislativo, o Presidente João Mayrink.

A imprensa noticiava a reeleição de Mayrink sem poupar elogios:

"...os representantes do Município afirmaram, de novo, sua confiança no Presidente credenciado à estima pública, graças á linha impecável de procedimento, aliada a comprovada inteligência no exercício das atribuições honrosas; á capacidade de apreender e compreender os problemas do Município, o que nosso conterrâneo sen/e sem canseiras, fidelidade absoluta a princípios saudáveis inerentes o sua formação" (Jornal do Povo, 15/02/78).

O mês de maio trouxe boas notícias para Ponte Nova. O Governador do Estado, Aureliano Chaves, atendendo aos apelos do Deputado Domingos Lanna, autoriza a construção da Ponte Palmeiras/Triângulo. O Vereador ponte-novense Reinaldo Alves Costa Filho é nomeado Diretor do Departamento de Águas e Energia de Minas Gerais, e o Deputado Elias de Souza Carmo, natural do Amparo do Serra, assume a Secretaria de Estado dos Negócios do Interior.

No dia 6 do mês seguinte, Aureliano chega a Ponte Nova. É recebido no aeroporto e levado à Prefeitura. Visita, em seguida, a Usina Anna Florência e a Fábrica de Papel e assiste à assinatura de convênio entre a CAMIG e a Companhia de Desenvolvimento de Ponte Nova (CODEPON), o qual visava à aquisição de área e à construção do entreposto daquela empresa estatal. A comitiva do governador era formada pelos Deputados Federais Joaquim de Mello Freire e Paulino Cícero Vasconcellos, pelos Deputados Estaduais Fábio Vasconcellos e Domingos Lanna e pelo Diretor do DER, Geraldo Pereira da Silva.

Aureliano Chaves, Governador de Minas, em visita à Ponte Nova

com a nomeação do engenheiro Alves Costa para o DAE-MG e seu conseqüente afastamento da Câmara Municipal, assume o cargo de vereador José Alves Pereira, primeiro suplente da ARENA 1.

O Prefeito Antônio Bartholomeu aderira à terceirização e utilizava, sempre que necessário, o serviço de particulares em obras públicas. Nova concorrência é aberta, desta vez, para o calçamento de dez ruas no Bairro de Palmeiras, com poliédricos, num total de 18.592 metros quadrados.

Se, por um lado, o Deputado Domingos Lanna fazia chegar a seus eleitores todas as indicantes e demais trabalhos parlamentares, por outro, Fábio Vasconcellos dava sinais de que continuava desfrutando de grande prestígio nos meios políticos.

O jornal belo-horizontino "Diário da Tarde" estampa matéria intitulada "Os Privilegiados", na qual afirma que apenas dezenove pessoas haviam sido convidadas para almoçar com o futuro Presidente João Batista de Oliveira Figueiredo, por ocasião de sua estada em Ouro Preto; dentre esses privilegiados, estava o Deputado ponte-novense Fábio Vasconcellos. Ele se sentara ao lado de figuras como Aureliano Chaves, futuro Vice-Presidente Francelino Pereira, futuro Governador de Minas Gerais e Nelson Marchesan, Secretário-Geral da ARENA, além de outras figuras importantes daquele partido e membros destacados do Governo Militar.

Outro que estava sabendo aproveitar o importante cargo que ocupava era Reinaldo Alves Costa Filho. O engenheiro prestigiava a região com dezenas de convênios do DAE-MG, que propiciavam luz e telefonia a pequenas comunidades de Santa Cruz do Escalvado, Jequeri, Amparo do Serro e Ponte Nova.

O ano de 1978 foi também um ano de muito movimentação política, incluindo uma eleição no dia 15 de novembro.

O Senado Federal revoga o Ato Institucional n. 5 e aprova a Emenda Constitucional n. 11. É desencadeado o processo denominado "Abertura Política", redimindo os políticos cassados pela Ditadura Militar, retornando com o "habeas-corpus" e devolvendo à magistratura suas prerrogativas.

O ex-Governador de Minas, Magalhães Pinto, declara-se candidato a Presidente da República, ameaçando participar da Convenção da ARENA. O Presidente Ernesto Geisel apressa a realização daquele evento e homologa o nome de João Batista de Oliveira Figueiredo e do mineiro Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, Governador de Minas, neutralizando, assim, o pretensa candidatura de Magalhães Pinto.

No dia 5 de julho, Aureliano Chaves, jáa "escolhido" Vice-Presidente, afastasse do Governo de Minas, cedendo o lugar ao Vice-Governador, Levindo Ozanan Coelho, que ficaria no cargo até o final do mandato, 15 de março de 1979.

Ozanan era natural de Ubá e tinha grandes ligações com Ponte Nova. Como candidato a deputado, por mais de uma vez fora bem votado no município, chegando a ser o Deputado Federal majoritário de Ponte Nova. Além disso, Ozanan tinha laços familiares com o Diretor do DAE-MG, Reinaldo Alves Costa Filho, cuja residência freqüentava com habitualidade.

As eleições gerais levam para a Câmara Federal duzentos e trinta e um deputados da ARENA e cento e oitenta e nove do MDB. Para o Senado, a Lei Falcão proporciona a eleição de quinze senadores governistas, ficando a oposição com oito ameaçadoras cadeiras.

Em Ponte Nova, o Prefeito e a ARENA, composta de correntes políticas conservadoras e tradicionalmente fortes no município, apoiam candidatos da legenda governista. Mas a tendência era votar no MDB, e não era só nos grandes centros que ela se manifestava. Até mesmo o eleitor ponte-novense dava mostras de que queria experimentar a oposição ou de que já não suportava a situação.

Tancredo Neves, do MDB, disparo com 8.978 votos, seguido, de longe, por Fernando Fagundes Neto, com 3.796. Os Deputados Federais mais votados são Joaquim de Mello Freire, 3.151; Rosemburgo Romano, 2.884; e Ibrahim AbiAckel, 950.

Para a Assembléia Legislativa, lidera a apuração o emedebista Carlos Jardim de Rezende, com 6.974 votos. O MDB era, até então, incipiente na cidade. Fizera apenas quatro vereadores nas últimas eleições municipais, que, juntos, haviam obtido 1.646 votos. Este mesmo número equivalia à soma dos votos de apenas dois dos mais votados da ARENA, na eleição de 1976.

O segundo Deputado Estadual mais votado foi Domingos Lanna, que recebeu 4.761 votos. Deixava ele, dessa forma, de ser o candidato mais votado de Ponte Nova, como ocorrera em outras eleições. Com 1.536 votos, Fábio Vasconcellos fica em terceiro lugar.

A "síndrome" emedebista atingira Ponte Nova de forma avassaladora. Jardim, que representava o sigla naquela eleição, recebe mais que a soma dos dois deputados arenistas que pleiteavam a reeleição.

O ano de 1979 começa com muitas chuvas, que castigam Ponte Nova. Em janeiro, o rio Piranga transborda, provocando destruição e morte. Em fevereiro, nova enchente, sem precedentes, arrasa, literalmente, a parte baixa da cidade. Os primeiros levantamentos revelam deslizamentos em vários locais. Na Rua Cantídio Drumond, na Rua Vigário João Paulo, na Rua Olegário Maciel, no Bairro Triângulo e na parte alta de Palmeiras, barrancos encharcados correm, invadem residências, obstruem ruas e destroem calçamentos e passeios. Dezenas de casas desabam no Bairro Copacabana, na Rua São Geraldo, no Bairro de Fátima, na Vila Oliveira e na Rasa.

Os estragos atingem seis quilômetros de margens, dentro do perímetro urbano. Todo o asfalto e os calçamentos das vias próximos ao Piranga são destruídos. O cais das Avenida Arthur Bernardes e Beira Rio é arrancado e o serviço de abastecimento de água é interrompido.

No total, 125 casas são totalmente destruídas e 212 ficam parcialmente danificadas. No meio rural, as estradas se tornam intransitáveis e nove pontes são carregadas pelas águas. A Prefeitura contabiliza 1.966 desabrigados e bilhões de prejuízos.

A situação da Administração de Antônio Bartholomeu, de confortável e tranqüila, passou o ser extremamente difícil e complicada. A Prefeitura precisava reparar dezenas de locais que haviam sido totalmente arrasados pelas chuvas. A reconstrução de todos esses pontos, considerados críticos, era prioridade absoluta, pois dela dependia a volta do normalidade no município. Para complicar a situação, tais obras eram dispendiosas e os cofres públicos é que deveriam arcar com essas vultosas despesas.

Outro grande problema, que requeria solução urgente, era o dos desabrigados. Afinal foram mais de trezentas casas, total ou parcialmente destruídas, todas elas de famílias de baixa renda. Restava, ainda, a preocupação com as doenças epidêmicas, características dessas ocasiões.

Antônio Bartholomeu via, assim, enterrados todos os seus planos e projetos de governo.

No dia 16 de fevereiro, Reinaldo Alves Costa Filho faz-se novamente presente na região, ocasião em que o DAE-MG firma convênio com a Prefeitura de Ponte Nova, visando atender, com energia elétrica, as seguintes com unidades: Alfavaca, Oratórios, Bairro Novo Horizonte, Bairro Esplanada e Usina Anna Florência.

Os efeitos devastadores das chuvas de janeiro e fevereiro sensibilizam a sociedade ponte-novense, que se movimenta, com o apoio irrestrito da Prefeitura, para a criação da Comissão Municipal de Defesa Civil (COMDEC).

Além disso, mais uma notícia pesarosa chega o Ponte Nova, abalando, mais uma vez, os meios políticos locais.

O Vereador e Presidente da Câmara João Mayrink, que havia seguido pora Belo Horizonte, depois de sentir indisposições cardiovasculares, morre na manhã do dia 8 de abril de 1979.

Nascido em 19 de junho de 1918, João Mayrink elegera-se Vereador por diversas legislaturas e durante sua vida pública vira crescerem o seu prestígio e o respeito não só de seus eleitores, como também de seus pares, indistintamente, que admiravam sua inteligência e sua sagacidade.

A sobriedade e a conduta firme de João Mayrink fizeram com que ele fosse eleito Presidente da Câmara por oito períodos legislativos consecutivos. Com o seu desaparecimento, assume a Presidência da Câmara o Vice, Tarcísio de Castro, Vereador eleito pelo MDB.

A Prefeitura socorre, com obras, os pontos mais atingidos pelas chuvas, priorizando os considerados mais perigosos. Constrói muros de contenção nas encostas das Ruas São Sebastião, Vigário João Paulo e Olegário Maciel.

Com desabrigados espalhados por toda parte, inclusive nas dependências do Parque de Exposições da cidade, Antônio Bartholomeu levantou, com o Governo do Estado, recursos para a construção de casas populares para abrigar esse enorme contingente de flagelados.

Alcançando sucesso as investidas do prefeito, é aberta à concorrência pública a construção de 120 casas populares, no alto do Bairro São Pedro, vencida pela empresa A. Fonseca Comércio e Indústria Ltda.

Em agosto, morre outro importante político ponte-novense. O advogado e antigo líder peerrista José André de Almeida faleceu no dia 12 daquele mês, deixando uma vida público de mais de trinta anos. Era filho do ex-Presidente da Câmara e Agente do Executivo ponte-novense Custódio Silva, falecido em 1926. Era, portanto, descendente da velha linhagem dos Martins da Silva, das mais importantes da história política de Ponte Nova.

Bernardista convicto, José André viveu importantes momentos da vida política de Minas Gerais. Em 1936, foi eleito Vereador da Câmara Municipal de Ponte Nova. Essa Câmara, assim como todas os demais do País, foi fechada pelo Golpe de 1937. Nas eleições realizadas em 19 de janeiro de 1947, foi eleito Deputado Estadual pelo PR. Durante seu mandato, que durou até 1951 José André esteve, sempre em destaque, chegando a ocupar algumas Comissões da Assembléia Estadual.

Nesse mesmo mês de agosto, no dia 22, chega a Ponte Nova a notícia do nomeação de José Kleber Leite de Castro para a Diretoria de Crédito Rural do Banco Central.

José Kleber entrou para o Banco da Brasil S. A. aos dezoito anos de idade, em 1953. Foi professor da Escola técnica de Comércio Pontenovense e militou no jornalismo local. Orador brilhante, Kleber destacou-se como líder sindical e participou do política partidária, elegendo-se vereador em Ponte Nova.

Sempre com posições radicais, fez intenso oposição ò administração de Abdalla Felício. Quando estourou o Golpe de 1964, foi preso, tachado de comunista, portanto inimigo do movimento, e levado a Belo Horizonte para julgamento pela Justiça Militar.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez o curso de Direito e, em 1969, ingressou nos quadros do Banco Central, servindo à Assessoria Técnica da Gerência de Crédito Rural e Industrial. Foi ainda Assessor da Presidência do Banco Nacional S.A. e Diretor do Banco Nacional de Crédito Rural S. A.

Para Ponte Nova, politicamente, o ano de 1979 encerra-se com o visita do Governador de Minas Gerais, Francelino Pereira dos Santos. Ele vem à cidade para o encerramento do XXI Exposição Agropecuária, no dia 9 de setembro.

Aproveitando a visita do governador procedeu-se às inaugurações do nova sede do Departamento de Estrada de Rodagem (DER) e do Agencia Regional do Instituto de Pensão do Servidor do Estodo de Minas Gerais (IPSEMG).

Nesse dia, também foi celebrado convênio com a Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais para implantação e operação de um Centro Industrial Sociointegrado.

Sancionada naquele ano de 1979, a Lei da Anistia permitia o retorno dos exilados, e no País, foram libertadas centenas de presos políticos. Leonel Brizola retorna ao Brasil, via São Borja, Miguel Arraes é recebido no Recife e Luiz Carlos Prestes desce no Aeroporto do Galeão, onde era aguardado por milhares depessoas.

A abertura política, prometida pelo Governo Militar, de fato progredira durante 1979. Entretanto, não se pode dizer o mesmo da economia brasileira: inflação galopante, desemprego, estagnação e dívida externa, era tudo o que se via.

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