Bartholomeu novamente prefeito/Radio Visão/Folha de Ponte Nova

A política de Ponte Nova dera mais uma guinada com a volta de Antônio Bartholomeu ao poder. Acabara a era do polêmico Sette de Barros para iniciara temporada do parcimonioso Bartholomeu. As grandes disputas e as violentas brigas políticas cediam lugar às negociações e às conciliações.

Antes mesmo de sua posse, o novo prefeito dava o tom de seu governo, com a escolha de seu secretariado. O dentista e professor Geraldo Duarte Xavier, ex-vereador e um dos grandes opositores de Sette de Barros, é apontado Chefe do Departamento Municipal de Educação e Cultura. O contador Mauro Moreira dos Santos, apolítico e técnico eficiente, é indicado para a Secretaria da Fazenda. Lola Dias, funcionária aposentada da Prefeitura, que já havia assessorado Bartholomeu no seu primeiro mandato, é escolhida para a Chefia da Administração Municipal. O engenheiro Luiz Flávio Campos, que sempre tivera uma postura essencialmente técnica, é mantido no cargo de Chefe do Departamento de Obras. Para o Departamento de Bem - Estar Social, Antônio Bartholomeu indica seu próprio Vice Prefeito, Edy Melo Castanheira, e para a Chefia de Gabinete é escolhido o ex-vereador Tarcísio de Castro. O engenheiro e homem de negócios João Reynaldo Brandão, que tivera uma pequena passagem peio Governo Sette de Barros, é reconduzido ao cargo de Diretor do DMAES.

Estava mais do que claro que Antônio Bartholomeu queria fazer uma administração tranqüila e equilibrada. A impressão que se tinha era de que a própria cidade clamava por paz e serenidade. Os últimos seis anos foram extremamente conturbados e haviam estressado a opinião pública, os eleitores e a população de modo geral. Bartholomeu sabia disso e evitava qualquer tipo de desavença.

As vagas da Câmara de Vereadores estavam bem distribuídas entre os partidos da cidade. O PMDB elegera quatro representantes: José Silvério Felício do Cunha, José Januário Pereira, José Rubem Tavares e José Lanna. O PFL também fizera quatro vereadores: Osvaldo Donato, José Carlos Moreira, João Brant e Baltazar Antônio Chaves. O PDT levara para a Câmara Angelino Cardoso e José Raimundo; o PTB, Luiz Costa e José Bueno. Outros três partidos fizeram um vereador cada: PDS, Wilson Carvalho; PJ, Olímpio Guilherme Toledo; e PL, Geraldo Abdalla.

Outra característica dessa Assembléia foi o alto índice de renovação. Apenas três edis se reelegeram. Wilson de Carvalho e Silva, que se vinha elegendo vereador desde 1958, foi reconduzido à Câmara por seu fiel eleitorado do Distrito do Vau-Açu; Angelino Cardoso e José Raimundo, que no período anterior estavam filiados ao PDS e apoiaram Sette de Barros até o último dia de seu mandato, passaram com ele para o PDT e agora compunham a pequeno bancada do partido, que ficara em segundo lugar no eleição majoritária.

As eleições dos irmãos José Silvério e Geraldo Abdalla foram mais um arranjo da família. Abdalla Filho fora eleito em 1982 com a histórica soma de 1.530 votos. Era a manifestação da força política da família Felício da Cunha, cujo patriarca fora Prefeito de Ponte Nova, família essa que possuía vários médicos considerados bons de voto, entre seus membros. Em 1988, resolveram dividir aquele expressivo número de votos por dois membros do clã. Obtiveram sucesso, e José Silvério, o Zezé Abdalla, mesmo dividindo os votos da família, foi o mais votado dentre os vereadores ponte-novenses, com 677 votos. Com esse resultado e muita articulação política, assume a Presidência da Câmara para o biênio 89/ 90.

João Brant, Diretor de "O Município", que desenvolvem intransigente oposição ao prefeito anterior, ocupa uma cadeira no Legislativo como autêntico porta-voz dos anti-settistas.

José Rubem Tavares elege-se vereador com votos do Bairro da Pacheco, reduto de seu pai, Wilton de Paiva Tavares, que se elegera vereador por diversas legislaturas.

Antônio Bartholomeu Barbosa assume, pela segunda vez, a Prefeitura de Ponte Nova no dia 1" de janeiro de 1989. Já no discurso de posse, anuncia um governo austero e critica abertamente a demagogia, em nítida alusão ao seu antecessor.

Em entrevista concedida à imprensa, ele avisava que iria "administrar com a comunidade, através de todos os seus segmentos e representações de classe, dirigindo seu trabalho para o desenvolvimento político e econômico, porém com os olhos voltados para a solução dos problemas daqueles que não suportam mais o demagogia e exigem providências imediatas".

Bartholomeu podia até não querer brigar, mas, possivelmente com o intuito de se precaver determina uma auditoria nas contas do administração anterior.

O resultado desse trabalho não foi nado animador O técnico encarregado de analisar as contas de Sette de Barros informa que a dívida "herdada" por Bartholomeu alcançava a cosa de 530 mil cruzeiros novos, só com fornecedores. Somavam-se a isso 30 mil de "restos a pagar" e 250 mil de salários atrasados. Era uma dívida volumosa e, sem dúvida alguma, comprometeria os primeiras meses da estão Bartholomeu.

Outra característica dessa Assembléia foi o alto índice de renovação. Apenas três edis se reelegeram. Wilson de Carvalho e Silva, que se vinha elegendo vereador desde 1 958, foi reconduzido à Câmara por seu fiel eleitorado do Distrito do Vau-Açu; Angelino Cardoso e José Raimundo, que no período anterior estavam filiados ao PDS e apoiaram Sette de Barros até o último dia de seu mandato, passaram com ele para o PDT e agora compunham a pequena bancada do partido, que ficara em segundo lugar na eleição majoritária.

As eleições dos irmãos José Silvério e Geraldo Abdalla foram mais um arranjo da família. Abdalla Filho fora eleito em 1982 com a histórica soma de 1.530 votos. Era a manifestação da força política da família Felício da Cunha, cujo patriarca fora Prefeito de Ponte Nova, família essa que possuía vários médicos, considerados bons de voto, entre seus membros. Em 1988, resolveram dividir aquele expressivo número de votos por dois membros do clã. Obtiveram sucesso, e José Silvério, o Zezé Abdalla, mesmo dividindo os votos da família, foi o mais votado dentre os vereadores ponte-novenses, com 677 votos. Com esse resultado e muita articulação política, assume a Presidência da Câmara para o biênio 89/ 90.

João Brant, Diretor de "O Município", que desenvolvera intransigente oposição ao prefeito anterior, ocupo uma cadeira no Legislativo como autêntico porta-voz dos anti-settistas.

José Rubem Tavares elege-se vereador com votos do Bairro do Pacheco, reduto de seu pai, Wilton de Paiva Tavares, que se elegera vereador por diversas legislaturas.

Antônio Bartholomeu Barbosa assume, pela segunda vez, a Prefeitura de Ponte Nova no dia 1" de janeiro de 1989. Já no discurso de posse, anuncia um governo austero e critica abertamente a demagogia, em nítida alusão ao seu antecessor.

Em entrevista concedida à imprensa, ele avisava que iria "administrar com a comunidade, através de todos os seus segmentos e representações de classe, dirigindo seu trabalho para o desenvolvimento político e econômico, porém com os olhos voltados para a solução dos problemas daqueles que não suportam mais o demagogia e exigem providências imediatas".

Bartholomeu podia até não querer brigar, mas, possivelmente com o intuito de se precaver, determina uma auditoria nas contos da administração anterior.

O resultado desse trabalho não foi nada animador. O técnico encarregado de analisar as contas de Sette de Barros informa que a dívida "herdada" por Bartholomeu alcançava a casa de 530 mil cruzeiros novos, só com fornecedores. Somavam-se o isso 30 mil de "restos a pagar" e 250 mil de salários atrasados. Era uma dívida volumosa e, sem dúvida alguma, comprometeria os primeiros meses da gestão Bartholomeu.

Foram também detectadas irregularidades no "Projeto Cura". O vultoso financiamento para obras de infra-estrutura havia sido, em parte, desviado. De acordo com informações prestadas pelo Chefe do Executivo, os medições dos trechos acabados não conferiam com a planilha de serviços.

Outra situação desalentadora fora encontrada no "Pátio" da Prefeitura, onde estava instalado o Departamento de Obras e Serviços Urbanos. Lá, as máquinas e os veículos da municipalidade estavam em estado lastimável. Dezenas de automóveis, caminhões, tratores, máquinas e equipamentos diversos encontravam-se totalmente "depenados", sem peças, motores e demais componentes. Até mesmo os serviços de manutenção, como o de limpeza público, estavam impossibilitados de ser executados, tal a falta de material e equipamentos. O prefeito não viu outra saída senão a de levantar doações no comércio local para equipar, imediatamente, o pátio e o garagem. A situação era, de fato, desesperadora.

Com todos os problemas financeiros e administrativos, Antônio Bartholomeu tinha ainda que se defrontar com a política e os políticos, ainda excitados e nervosos, do período pós-Sette de Barros.

Era cobrada do prefeito, uma série de medidas, alterando outras tantas, levadas a efeito pelo ex-prefeito e que desagradavam a muitos. O nome do Terminal Rodoviário, por exemplo, que, por imposição de Sette de Barros deveria chamar-se " Geraldo de Assis Ribeiro", em homenagem ao pai do Deputado Federal José Geraldo Ribeiro, natural de Jequeri, que Sette de Barros levara à condição de majoritário nas eleições de 1986, era contestado pelo Vereador João Brant. Na tribuna da Câmara, ele exigia a manutenção do nome do construtor e político ponte-novense Reynaldo Alves Costa, naquele espaço público. Como fazia em seu jornal, ataca, agora na Câmara, o seu arquiinimigo: "O ex-Prefeito é insano, injusto e calculadamente perverso".

Bartholomeu fazia o que podia para atender os seus correligionários, sem alterar a nova ordem política. Mostrava-se habilidoso. Ao mesmo tempo que tomava uma decisão de impacto, como no caso dos leilões dos carros de luxo do ex-prefeito, levados a efeito bem em frente ao Paço Municipal, recebia os vereadores pedetistas, acenando-lhes com favores e benesses.

As atenções voltaram-se para Brasília, quando, no dia 13 de janeiro de 1989, o Presidente José Sarney nomeia a segunda mulher para o Ministério da República. Assumia a Pasta do Trabalho a ponte-novense Dorothéa Fonseca Werneck. Economista, com o título de "Doutora" pelo "Boston College", a nova Ministra havia se projetado no Governo Federal como Secretária de Empregos e Salários, durante a gestão de Almir Pazzianoto no próprio Ministério do Trabalho. Dorothéa fora também Assessora do Secretário do Planejamento do Presidência da República, João Batista de Abreu, quando respondera pelo Coordenação do Pacto Socila.

Outro pontenovense que se destacava era o ex-presidente da CARPE, Aloísio Marcos Vasconcellos Novais. Eleito Deputado Federal em 1986, pelo PMDB, assumira, em fins de 1988, a Chefia da Casa Civil do Governador Newton Cardoso . Eram, os dois, motivos de esperança para a classe política e de orgulho para todos os pontenovenses.

À medida que tomava conhecimento da situação real da Prefeitura, Bartholomeu tomava algumas providências, visando equilibrar o quadro financeiro. Das anunciadas 120 demissões, concretizavam-se apenas 81. Além dos excedentes, são denunciados, também, dezenas de "funcionários fantasmas", lotados irregularmente na Unidade dos Trabalhadores Mirins (UTM) e na Associação Pontenovense de Proteção à Criança (APPC), principalmente.

Ponte Nova vivia também o clima da Constituinte. Havia passado um momento importante da vida nacional. Deputados e senadores prepararam uma nova Constituição Federal, mais moderna, ditando avanços e atendendo às aspirações do povo brasileiro.

Na cidade eram realizadas Audiências Públicas Municipais, nas quais se faziam representar todos os segmentos da sociedade. Durante essas audiências eram preparados pareceres e sugestões para serem apresentados aos vereadores, que elaborariam a Lei Orgânica do Município.

Aos meios de comunicação de Ponte Nova foram acredidos importantes elementos nos últimos tempos. Uma concessão, emitida em 1983, havia dado aos sócios Adelso Rodrigues de Lima, Arlindo Martins de Abreu Filho e Ulisses Nascimento o direito de operação de duas emissoras de rádio, uma AM e outra FM. Sette de Barros, no final do ano de 1986, adquire essa concessão e coloca no ar a Rádio Visão AM, no dia 19, de novembro. Mais tarde viria a FM, com o nome de "Vale do Piranga".

No dia 24 de dezembro de 1988, circula o primeiro número do jornal "Folha de Ponte Nova". Era uma bem estruturada sociedade entre o jornalista José Carlos Itaborahy Filho, o professor João Batista Xavier e o empresário Francisco da Cruz de Carvalho. O primeiro retornara, formado, de Belo Horizonte para trabalhar no "Jornal de Ponte Nova", de propriedade de Francisco Eustáquio Salgado. Trabalhou depois em "O Município" e na "Folha da Mata", jornal da cidade de Viçosa, que esboçou, por algum tempo, uma versão ponte-novense. O segundo, que era também técnico da Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, já tinha manifestado aptidão pelo jornalismo e pela política. O último tinha o "faro"de empresário. Ligado ao setor jornalístico, uma vez que era proprietário das bancas de jornais e distribuidor de editoras de revistas para Ponte Nova e região, Carvalho deu o suporte financeiro e logístico ao empreendimento.

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