Morre Sete de Barros/Mais eleições-Início anos 90

A Administração Sete de Barros caracterizou-se pela intensa e conturbada movimentação política. Os constantes embates entre o Executivo e a oposição, que só fizeram crescer durante os seis anos do mandato anterior, não deixavam espaço ao prefeito. Mesmo que quisesse trabalhar de forma séria e produtiva, estaria impedido pelos efeitos das desavenças políticas que, em muitos casos, ele próprio provocava.

A gestão de Antônio Bartholomeu também sofreu, durante os primeiros momentos, os efeitos nocivos da guerra política desenvolvida durante o período anterior. Além dos problemas financeiros e econômicos, Bartholomeu tentava solucionar os problemas políticos. Tudo isso era como um processo de desaceleração, em que o Chefe do Executivo tentava absorver, sem irradiar, os choques quase diários de políticos e lideranças que se haviam habituado à briga e à violência dentro da Administração Municipal.

A oposição a Bartholomeu tentava fustigá-lo, Na Câmara, alguns vereadores ameaçavam reeditar cenas e episódios ocorridos no período anterior. Até mesmo representantes de seu partido, o PFL, o incomodavam.

O Vereador João Brant, peefelista e cunhado do prefeito, denuncia o desaparecimento do motor de um dos veículos da Prefeitura e passa a exigir de Bartholomeu medidas enérgicas contra esse tipo de coisa. O desenlace acontece com a queda do engenheiro responsável pela garagem da Prefeitura.

Não foi apenas esse assessor de Bartholomeu a lhe trazer dissabores. Roberto Gazire, que lhe prestava serviço na Secretaria de Governo, pede exoneração do cargo e, logo a seguir, compra uma briga infindável com o seu substituto, Afonso Mauro Pinho Ribeiro.

Geraldo Xavier faz, publicamente, críticas à administração, levantando suspeitas sobre a aquisição de equipamentos de informática, feita pela Prefeitura. Antônio Bartholomeu chama-lhe a atenção, exigindo que a "roupa suja seja lavada em casa". Queria que ele, o prefeito, fosse comunicado sobre qualquer irregularidade antes que chegasse ao conhecimento público. Bartholomeu sugere ao seu Chefe do Departamento de Educação e Cultura que peça afastamento do cargo, evitando uma simples e grosseira exoneração. Xavier ainda permanece na

Chefia do DMEC, até o momento em que é deflagrado vm movimento no Colégio Municipal contra o seu afastamento. Tal manifestação foi considerada, pelo prefeito, uma forma de pressão e, irritado, exonerou, imediatamente, seu secretário.

O ano de 1989 fora um ano importante, quanto ao aspecto político.

No âmbito municipal fora instalada, na Câmara dos Vereadores, a Comissão encarregada de elaborar a Lei Orgânica do Município. Depois de promulgadas as Constituições Federal e Estadual era a vez dos municípios criarem suas leis básicas. Era um momento historicamente importante. Pela primeira vez, os próprios representantes da comunidade elaborariam as leis que regeriam o município. Até então, as legislações dos municípios eram elaboradas pelas Assembléias Estaduais, que nem sempre conheciam as características políticas, sociais e econômicas das centenas de cidades espalhadas pelo Estado.

Depois de cinco anos no poder e com uma inflação sem precedentes, deixava a Presidência da República José Sarney. Para sucedê-lo, apareceram nomes dos mais expressivos da política nacional: Deputado Ulisses Guimarães, peemedebista histórico, corajoso líder da oposição ao Governo Militar, herói da campanha das "Diretas Já" e verdadeiro símbolo da dignidade política; Leonel Brizola, ex-governador dos Estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, um dos principais alvos dos autores do Golpe Militar de 1964, foi exilado e teve seus direitos políticos cassados. Almejava, agora, a Presidência; Espiridião Amim, ex-governador de Santa Catarina; Aureliano Chaves, ex-governador de Minas Gerais e ex-Vice-Presidente da Republica; Afif Domingues, empresário e líder de classe em São Paulo; Paulo Maluf, também um Governador; Luiz Inácio da Silva, líder sindical; e Fernando Collor de Melo, que havia governado o Estado de Alagoas.

Havia candidatos para todos os gostos e o eleitor, naquele momento histórico, levou ao segundo turno dois jovens, com orientações políticas antagônicas. De um lado, Lula, do Partido dos Trabalhadores, barbudo, com um discurso socialista e modos agressivos. No outro extremo, Fernando Collor de Melo, com os cabelos bem penteados e roupas de fino corte, prometia moralizar a coisa pública, caçando os párias do serviço público, que ele popularizou com o apelido de "marajás"

Dos 22 candidatos que disputaram o primeiro turno, apenas sete receberam mais de mil votos em Ponte Nova. Collor foi votado por 10.906 eleitores, Lula recebeu 5.436 votos, Mário Covas teve 3.366 votos, Brizola ficou com 2.915, Aureliano Chaves com 1.385, Afif Domingues com 1.265 e Ulisses Guimarães com 1.011 votos.

Debates, muita publicidade dos dois candidatos que foram para o segundo turno e uma grande tensão marcaram essa etapa das eleições de 1989. Por fim, o Brasil escolhe o ex-governador das Alagoas para seu Presidente. Milhões de brasileiros, esperançosos, depositaram sua confiança no bem apessoado poliglota Collor de Melo.

Em Ponte Nova, 50,69% dos eleitores, o que representava 15.402 pessoas, dera m o seu voto a Collor enquanto 43,36%, ou 13.157 eleitores, optaram por Lula.

No ano seguinte, 199O, Ponte Nova receberia, no dia 5 de janeiro, a notícia da morte do ex-Prefeito José Sete de Barros. Sete não resistira ao câncer, e complicações circulatórias levaram-no ao Hospital Arnaldo Gavazza Filho, onde, por volta das 13 horas, uma parada cardíaca tirava a vida daquele que fora um dos mais polêmicos homens públicos de toda a história de Ponte Nova.

O Prefeito Antônio Bartholomeu decretou luto oficial por três dias, e o enterro de Sete de Barros deu-se em sua terra natal, Santa Cruz do Escalvado.

Fernando Afonso Collor de Mello assumiu a Presidência da República e executou profundas reformas na administração do País. Diminuiu o número de ministérios e reestruturou seu funcionamento. Iniciou um duro combate à inflação, que se apresentava elevadíssima. Aboliu o índice oficial da inflação como indexador econômico e impediu saques nas cadernetas de poupança As demais aplicações financeiras foram taxadas e passaram a ser limitadas em suas diversas modalidades. Juntamente com essas medidas, Collor de Mello determinou uma política de diminuição abrupta dos gastos públicos e desenvolveu muito dos mecanismos para incentivar a economia de mercado.

Em 1990, viriam novas eleições, que, mesmo não sendo municipais, levariam, com a mesma paixão, os eleitores às urnas. Em nível estadual, escolhiam-se os governadores e, no âmbito regional, votava-se para deputados federais e estaduais.

Minas Gerais tinha o retorno do experiente prócer Hélio Garcia, raposa da política mineira, discípulo dos grandes mestres que foram Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, José Maria Alkimim, Bias Fortes e tantos outros.

A surpresa ficou por conta do jornalista Hélio Costa, que, de volta dos Estados Unidos da América, ingressara na política em 1986, como deputado federal, e quatro anos mais tarde disputava o governância de Minas. E foi justamente esse jovem e inexperiente político que desbancou tradicionais lideranças, como Pimenta da Veiga, e passou para o segundo turno, assustando seu xará.

Na região havia dois ponte-novenses que pleiteavam a reeleição para a Câmara Federal: Felipe Nery de Almeida, que sai de Ponte Nova com 5.842 votos, e Aloísio Marcos Vasconcellos Novais, que recebe apenas 239 sufrágios. O jequeriense José Geraldo Ribeiro, também tentando a reeleição, obtém 1.665 votos em Ponte Nova.

Na disputa por uma vaga na Assembléia mineira, vários ponte-novenses. Animado com seu desempenho nas urnas e com o respaldo do família, José Silvério Felício da Cunha, Zezé Abdalla, consegue a expressiva votação de 5.188 votos. O empresário João Reynaldo Brandão, credenciado por duas passagens pela Diretoria do DMAES e apoiado pelo Prefeito Antônio Bartholomeu, vem em segundo lugar, com 2.966 votos. Empatados em terceiro lugar aparecem José Sete de Barros Filho, com os votos dos antigos aliados do pai, e Edi Mauri, cuja popularidade nascera e crescera em função do seu trabalho de radialista. Os dois obtiveram 1.445 votos cada um. Desses campeões de votos, nenhum logrou a eleição.

Outros ponte-novenses, que também estavam no páreo, receberam votações menos expressivas. Ronaldo Vasconcellos obtém 382 votos na sua terra natal. Reinaldo de Lima, ídolo do futebol mineiro, em Ponte Nova recebe apenas 225 votos, enquanto Antônio Brant, que desenvolvera intenso trabalho social, à época de sua passagem pela Secretaria de Planejamento da Presidência da República, obtém apenas 186 sufrágios de seus conterrâneos.

Depois desse pleito, Ponte Nova fica representada, na Câmara Federal, por Felipe Nery e Aloísio Vasconcellos e, na Assembléia Legislativo, por Ronaldo Vasconcellos e Reinaldo de Lima.

Passados as eleições, a cidade volta ao seu ritmo normal. A Câmara dos Vereadores escolhe, para presidi-la, Wilson de Carvalho e Silva. Baiano de nascimento, Wilson estava radicado em Ponte Nova havia 45 anos. Na ocasião, contava com 67 anos de idade e tinha, já, cinco passagens pela direção do Legislativo ponte-novense.

A Prefeitura organiza um Movimento para Retomada do Desenvolvimento da Zona da Mata (MOVEMATA), que, depois de seminários e encontros, estabelece que o agroindústria é o caminho natural para o crescimento econômico da região.

Em seguida a esse movimento, e lançando o Programa de Fruticultura, com a participação do IEF, da EMATER, da UFV e da EPAMIG, mobilizando dezenas de produtores rurais, com o plantio de frutas tropicais.

A Secretaria Municipal de Agricultura, com o apoio da sua congênere estadual, executa o Projeto de Piscicultura, implantando a Unidade Central de Produção de Alevinos. O Programa de recuperação do Meio Rural levou ao pequeno produtor a tecnologia de que ele, até então, não dispunha. Com o apoio da EMATER, a Prefeitura viabilizava o correto maneio das lavouras, desde o preparo do solo, com a análise da terra, passando pela calagem, aração e gradagem, até a irrigação, passos necessários ao aumento da produtividade. Logo, os resultados foram observados, com o aumento de até 400% na produção de cereais no município.

A partir de 1991, Bartholomeu imprimiu um novo ritmo à sua Secretaria de Obras. Concluiu o novo Terminal Rodoviário, pavimentou o acesso à Rasa, pelo Bairro do Triângulo, e retomou o serviço de canalização do córrego do Passa-Cinco. Construiu dezenas de muros de arrimo e colocou outro tanto de ruas, praças e avenidas. A Prefeitura também concluiu as casas populares do Bairro Novo Horizonte, iniciadas na gestão anterior, e fez construir as do Bairro São Geraldo, as quais foram distribuídas aos funcionários municipais de baixa renda.

Outra importante conquista do Governo Bartholomeu foi a fábrica de sucos "Frutos da Mata", construída, em área adquirida pela Prefeitura, na Fazenda Ponte do Cedro. Para que essa indústria fosse implantada em Ponte Nova, Antônio Bartholomeu fez construir a câmara frigorífica, indispensável ao empreendimento, com recursos levantados no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Ponte Nova ganhava também algumas obras do Estado: o viaduto que dava como concluído o anel rodoviário e o ponte do "Kuxixo", na BR 120, obras que tiveram o apoio do Deputado Federal Felipe Nery e melhoraram, significativamente, o tráfego das rodovias de acesso à cidade. O SESI também iniciava o construção do Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT), em terreno doado pela Prefeitura.

Antônio Bartholomeu chegava ao fim de seu governo bastante desgastado. Ele perdera muito tempo, reorganizando o serviço público e colocando em dia as finanças municipais. Quando começou a desenvolver o governo propriamente dito, fazendo obras e executando programas, pecara por não exigir mais eficiência de sua assessoria de imprensa, deixando sem publicidade suas realizações. Estas até poderiam ser consideradas poucos em número, mas eram, algumas, de grande relevância social.

Bartholomeu percebia que o índice de popularidade de seu governo caíra assustadoramente. Político experiente, ele sentia a reação popular e chegou a se perturbar quando, no início de um campeonato de "juniores", convidado a dar o chute inicial, foi recebido por uma sonora vaia dos torcedores.

Desgastado e cansado, Bartholomeu chegou a perder o entusiasmo pela política. Preocupava-se, somente, com a conclusão do mandato. Desinteressou-se pela sucessão e deixou que o barco da política municipal navegasse sem timoneiro.

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