Pe.Ademir Ragazzi/Eleições 1992

O ano de 1992 ficou marcado pelas denúncias de corrupção no Governo Federal, levantadas por Pedro Collor de Mello, irmão do Presidente. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI foi instalada pelo Congresso Nacional, que, ao final de seu trabalho, vinculou o nome de Fernando Collor às atividades desenvolvidas por Paulo César Farias, ex-Tesoureiro de campanha de Collor, consideradas ilegais. Baseado na conclusão da CPI, o Congresso Nacional acata o Pedido de Impedimento que foi votado e aprovado pela Câmara no dia 27 de setembro de 1992. Assim que foi instaurado o processo, Collor de Mello foi afastado de suas funções, assumindo o vice-presidente, Itamar Franco.

Também nesse ano de 1992, o ponte-novense voltaria às urnas, em mais uma eleição municipal.

O PFL, considerado na época a maior força política do município, teve, desde o início, dificuldades para encontrar um candidato a prefeito. Antônio Bartholomeu, membro dessa corrente, avisava que não interferiria na escolha do candidato e não participaria da campanha do partido. Domingos Lanna, que não se candidatara nas últimas eleições, deixando, portanto, o cargo e o "status" de deputado, líder maior do PFL ponte-novense, parecia desanimado com o desenrolar do processo político. Os velhos próceres, como João Batista Viggiano, também não se empenhavam nas articulações partidárias.

Na falta de concorrentes, o empresário Hasenclever Tavares André é, por unanimidade, escolhido candidato do PFL à sucessão do peefelista Antônio Bartholomeu. Hasenclever, com múltiplas atividades empresariais, dedicava-se pouco ou quase nada à política. Era, portanto, uma figura pouco popular, e sua grande qualidade, para os peefelistas, era a sua capacidade administrativa pouco comum. Para compensar a falta de popularidade do candidato, é articulada a candidatura de José Silvério Felício da Cunha para vice-Prefeito. Ele recebera votações expressivas quando se elegera vereador e quando fora candidato a deputado estadual. Zezé Abdalla era médico, tinha tradição política e família numerosa. Era um candidato de peso.

Liderada pelo PFL, surge a "União Democrática Pontenovense", coligação que reunia o PDS, o PL, o PTB, o PSDB e o próprio PFL.

O PT volta com João Batista Xavier como candidato a prefeito e coliga-se com o PSB e o PC do B. Mesmo com nomes expressivos como o do advogado e ex-vereador Antônio Cézar Gonçalves Pereira, que era o candidato a vice-prefeito, o PT não "decolava" em Ponte Nova. A campanha do partido parecia mais um trabalho pora divulgar e firmar a sigla dentro do "mundo" político da cidade.

O terceiro candidato saiu do PDT, que se coligara com o PMDB, formando o "Movimento Popular Pontenovense" Era o padre Ademir Ragazzi, discípulo de Sette de Barros e candidato derrotado em 1988. Desta feita, ao contrário do que ocorrera na eleição anterior, o PMDB, liderado pelo Deputado Felipe Nery de Almeida, compõe com o PDT e lança Carlos Jardim de Rezende como candidato a vice-prefeito. Sette de Barros já havia falecido, e os acordos ficavam mais fáceis de concretizar.

Desde o momento em que foram divulgados os nomes dos candidatos a Prefeito de Ponte Nova, as pesquisas de opinião apontavam vantagem significativa para o padre Ademir. jovem, riso fácil, orador empolgante e preparado, Ragazzi aproveitava a vantagem, que era visível, para trabalhar com tranqüilidade e desenvolver uma campanha absorvente. Não foi difícil levantar recursos. Empresários de Ponte Nova, de Matipó e até de Brasília contribuíam para o fundo de companha.

A popularidade de Ademir Ragazzi crescia a cada dia e, em setembro, os pesquisas já indicavam que 48,1% dos eleitores haviam optado pelo nome do padre. O candidato petista, nestas mesmas pesquisas, ficava com 15,4%, enquanto o peefelista aparecia apenas com 13,1% das intenções de voto. Os comícios da coligação PDT/PMDB reuniam milhares de pessoas e sempre acabava em festa popular.

Enquanto assistiam, de Brasília, ao desenrolar do julgamento do Presidente da República, os ponte-novenses recebiam os resultados dos eleições do dia 3 de outubro sem muita surpresa, pois esses confirmavam os índices dos pesquisas. Ademir Ragazzi recebe o histórica votação de 16.944 votos, que representavam 55,1% dos votos apurados. O resultado, inédito na história política da região, consagrou o trabalho do grupo que apoiara o candidato e a ele próprio que, com carisma e tenacidade, elegeu-se, aos 44 anos de idade, Prefeito de Ponte Nova.

João Batista Xavier recebeu 5.226 votos, enquanto Hasenclever Tavares André ficou em terceiro lugar, com 4.288 sufrágios.

Dos 30.531 votos apurados naquela eleição, de 1992, apenas 2.436 foram branco e 1.637 foram anulados.

A coligação que elegeu o padre Ademir Ragazzi levou para a Câmara seis vereadores. Do PMDB, reelegeram-se José Januário Pereira, que obteve 486 votos, e José Rubem Tavares, com 567 votos. Essa sigla elegeu ainda Nilda Guimarães leite, com 494, e Sebastião Martins de Freitas, com 352. O PDT reelegeu dois: Lélio dos Reis Correia, com 393, e José Raimundo dos Santos, com 380. O PMN, que sem coligar apoiou o padre Ademir, conseguiu fazer um vereador com 287 votos: José Martins.

Da Frente de Oposição Popular (PT/PSB/PCdoB), somente dois vereadores, filiados ao PSB, lograram eleição: Heitor Raimundi recebeu 236 votos e Luiz Eustáquio Linhares obteve 344 votos.

Do PFL, elegeram-se Baltazar Antônio Chaves, com 231 votos, e José Carlos Moreira, com 219.

O PSDB também fez dois vereadores: Dennis Mendonça Ramos, com 345, e Geraldo Felício da Cunha (Geraldo Abdalla), com 331 votos.

O PL e o PTB fizeram apenas um vereador cada: respectivamente, José Mauro Raimundi, que recebeu 242 votos, e Luiz Paula da Costa, que foi votado por 262 eleitores.

Com os resultados das eleições, a euforia tomou conta da cidade. No dia 5 de outubro, mais de 2.500 pessoas foram à Praça Cid Martins Soares, em Palmeiras, para comemorar a vitória de Ragazzi. Trio elétrico e música animaram os presentes, que só deixaram o local no início da madrugada.

Falando ao povo, o prefeito eleito disse que tinha acesso ao Presidente Itamar Franco, com quem iria buscar recursos para executar obras em Ponte Nova. Com frases de impacto como: "Vocês terão no padre Ademir um companheiro de trabalho" ou, falando de sua eleição, "Se Deus assim quer, quem será contra nós ?", ele empolgava a multidão, que vibrava a cada parágrafo de seu discurso.

Ademir Ragazzi vencera as eleições e tinha tudo a seu favor. Obtivera uma votação extraordinária, que lhe emprestava credibilidade e respeitabilidade nos meios políticos estaduais e até federais. Era homem preparado e, supunha-se, capaz de fazer uma boa administração. Receberia uma Prefeitura com as finanças equilibradas, apesar dos empréstimos contraídos por Bartholomeu, para a instalação da fábrica de sucos, no final do seu mandato.

O orçamento para 1993, já votado pela Câmara, era de 365 bilhões de cruzeiros, e isso não assustava Ragazzi. Bartholomeu ainda facilitava as coisas, abrindo as portas da Prefeitura ao prefeito eleito e a seus assessores. Autorizava a todos os seus secretários que fornecessem as informações que o padre Ademir solicitasse.

A dezesseis dias de sua posse, no dia 15 de dezembro, Ragazzi anuncia o seu secretariado. O Vice-Prefeito eleito, Carlos Jardim, ficaria na Secretaria de Governo, e o advogado e ex-Chefe de Gabinete de José Sette de Barros, Ananias Alvarenga, seria indicado Procurador da Prefeitura. Para a Pasta da Agricultura e Meio Ambiente foi nomeado o engenheiro agrícola Brício Vasconcellos de Souza Lima. A Secretaria de Educação fica ria entregue à professora Aparecida Silveira, a partir do dia 1º de janeiro. funcionários municipais foram indicados para a assessoria de Ademir Ragazzi: José Edgard Gonçalves é escolhido Secretário da Fazenda, Aline Alves Costa é a Secretária de Administração e a psicóloga Fatinha Alves Costa Pereira é a Secretária de Ação Social. A nova Secretaria de Planejamento e Urbanismo seria ocupada pelo arquiteto João Bosco Rocha, e a Direção do DMAES ficaria com o engenheiro Luiz Flávio Campos. Por fim, a Secretaria de Obras, que seria ocupada pelo engenheiro civil Oswaldo Torrent Lanna. Também foram nomeados Assessores do Prefeito João Paulo de Britto, Reinaldo Alves Costa Neto e José Cunha.

A dois dias do final do ano de 1992, em 29 de dezembro, assim que se inicia o seu julgamento no Congresso Federal, o Presidente Fernando Collor de Mello assina o Pedido de Renúncia, na tentativa de interromper o processo, ficando, assim, sem receber a pena que parecia inevitável. O Senado, entretanto, mantém o julgamento e decide pela condenação do Presidente, que ficava proibido de exercer qualquer cargo público pelo período de oito anos.

Para Ponte Nova, o desaparecimento de dois políticos marcou aquele ano de 1992. A morte de Ulisses Guimarães chocou todo o País. No dia 12 de outubro, a queda do helicóptero que transportava aquele homem público e sua esposa, além do ex-Senador Severo Gomes e Henriqueta, sua mulher, emocionou a Nação. Seguiram-se, após o acidente, as buscas desesperadas para localizar os corpos na costa brasileira, entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Depois vieram as homenagens ao Dr. Ulisses, momento em que o brasileiro se deu conta da grande perda representada pela morte de um dos mais importantes políticos brasileiros de todos os tempos.

Fábio Vasconcellos
Por muitos anos, légitimo representante dos
anseios da população do Vale do Piranga

No dia 10 de novembro de 1992 morreu, em Belo Horizonte, o ex-Deputado Fábio Vasconcellos. Ele, que era natural de Barra Longa, sofria de câncer havia algum tempo e estava, nos últimos dias de vida, aos 81 anos de idade, com a saúde muito abalada.

Fábio Vasconcellos fora eleito Deputado Estadual, pela primeira vez, em 1966 e nas três eleições seguintes reelegera-se para o cargo que exercera até o ano de 1983. Fora também Diretor da Caixa Econômica Federal e empresário de destaque na capital do Estado.

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