Os turbulentos anos 40

Cid Martins Soares, Getúlio Vargas e II Guerra Mundial

Em 1939 eclode a Segunda Grande Guerra, e, apesar de o governo brasileiro não ter assumido, imediatamente, uma posição com relação às partes contendoras, a opinião pública se divide, desde os primeiros momentos, em adeptos dos Aliados ou adeptos do Eixo.

Uma grande corrente de intelectuais e políticos pressionava o governo a se alinhar com os Estados Unidos, reforçando o contingente de nações aliadas contra o terrível perigo que era o nazi-fascismo. Forças antagônicas se uniam nesta causa. O próprio Luiz Carlos Prestes, uma das maiores figuras do comunismo brasileiro de todos os tempos, então encarcerado, escreve ao líder Integralista Severo Furnier:

"nessa luta, meu amigo, não devemos ver os homens e apoiar até o próprio Getúlio se amanhã se compreender o necessidade nacional de tal programa. E quem lhe escreve isto é o homem que, pessoalmente, tem a Getúlio o mais justificável ódio. Você deve saber que foi ele quem mandou entregar a Hitler minha dedicada companheira em estado adiantado de gravidez".

Outra parte da opinião pública apoiava o nazismo. Principalmente em áreas de colonização alemã e italiana, em maior número de São Paulo para o sul, surgem os movimentos pró-Eixo e aparecem os grupos paramilitares financiados por empresários imigrantes.

Em Ponte Nova surgem grandes movimentos contra comerciantes italianos radicados na cidade.

José Mazzeo, estabelecido no ramo de gêneros alimentícios, e Domingos Pesce, no de ferragens, por exemplo, foram alvos de antipatias, e em certas ocasiões a turba furiosa chegou a ameaçar de invasão e saque suas casas comerciais.

Casa Mazzeo, alvo de manifestações durante a Segunda Grande Guerra
 

Mesmo o País não estando oficialmente em guerra, Ponte Nova sofria com os efeitos devastadores na economia, em razão do confronto que se irradiava por todo o mundo.

Os cafeicultores já vinham enfrentando sérias dificuldades, e, a partir de 39, também a cultura da cana-de-açúcar é ameaçada por uma crise aguda.

A usina de álcool anidro que estava sendo construída peio governo federal e que se tornaria, mais tarde, a "Destilaria da Raza", ou "Leonardo Truda", achava-se com seu cronograma atrasado e a previsão de inauguração para princípios de 1940 dilatou-se para o ano seguinte. As usinas de açúcar particulares estavam estranguladas pelas cotas de produção, e o preço no mercado internacional despencava.

As lideranças rurais se mobilizavam para reivindicar aos governos estadual e federal medidas de apoio à classe. Criou-se uma comissão que deveria ir ao Rio de Janeiro entrevistar Getúlio Vargas, quando pleiteariam, dentre outros benefícios, o aumento da cota das usinas. Depois da capital da República, a comissão deveria estar em Belo Horizonte com Benedicto Valladares, a quem iria solicitar a diminuição de impostos estaduais sobre os produtos da cana.

Nessa ocasião existiam duas fortes entidades ligadas ao setor: a Associação dos Agricultores e Fazendeiros de Ponte Nova, presidida por José Pinheiro Brandão, e o Sindicato dos Plantadores de Cana de Ponte Nova, que tinha como presidente Oswaldo de Albuquerque.

No País funcionava muito bem a assessoria de imprensa de Getúlio. As homenagens, na grande maioria das vezes injustificadas, ao "Pai dos Pobres", ao "Amigo dos Trabalhadores", espocavam em todos os cantos da Nação, estimuladas por assessores do Palácio do Catete.

No dia 10 de novembro de 1940, comemorou-se em Ponte Nova o aniversário do ditador com pompas pouco comuns. Desfilaram alunos da Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, do Ginásio Dom Helvécio, dos grupos escolares. Em palanque armado na Praça Getúlio Vargas, dezenas de discursos exaltaram o governo getulista. Falaram, dentre outros, Otávio Soares; padre Alcides Lanna, Diretor do Ginásio Dom Helvécio; José Maria Paradas, Inspetor Escolar; e Celso Vieira Vasconcellos e Maria do Carmo Brandão, estudantes. O clima de apoteose aumentou com a participação da Banda de Música São Sebastião.

Esse euforismo e esse culo à personalidade do governante refletiam também nos governos e nas pessoas dos administradores do Estados e dos municípios.

No caso de Ponte Nova, nem todos percebiam que a administração municipal era eficaz e trazia benefícios concretos para a cidade, mas o fanatismo, reflexo da propaganda global, tornavam os elogios unânimes. Mesmo aqueles incapazes de perceber a eficiência do Governo Otávio Soares, sempre pautado pela seriedade e austeridade, aplaudiam entusiástica e alienadamente seu governo, como faziam o de Getúlio e de Benedicto.

Em agosto de 1940 grande concentração popular no largo de Palmeiras homenagem a Otávio Soares. No encontro foram muitos os discursos de agradeciemento ao governante municipal pelas obras ali realizadas. No palanque estavam também os diretores da Companhia Melhoramentos de Ponte Nova,Aristides Mendes Lins e Reinaldo Alves Costa. Em todos os pontos da cidade eram exaltados o trabalho e, principalmente, a figura do Prefeito Municipal.

Em 28 de novembro desse mesmo ano, foi a vez da agremiação esportiva "Sociedade Sportiva Primeiro de Maio" receber Otávio Soares. A reunião, concorridíssima, com pronunciamentos e a afixação de seu retrato no Salão Nobre do clube, foi motivo de ampla divulgação pela imprensa local.

As obras continuavam num ritmo ditado por Otávio: não era acelerado, mas também não comprometia o orçamento da municipalidade.

Uma nova represa foi construída no "Possa Cinco", pelo empreiteiro Reinaldo Alves Costa, para aumentar a capacidade de armazenamento de água, suprindo assim, o constante aumento da demanda do produto.

Ao engenheiro Aldo Aviani foi encomendado o projeto para o remodelação da Avenida Custódio Silva que ligava o Centro ao Bairro Palmeiras. Para aqueles que necessitassem fazer este percurso, existia o ônibus da Empresa Santa Teresinha, de José Graça, que cobrava passagem de 200 réis.

Os horrores da guerra se espalhavam pela Europa. A economia do mundo estava combalida, e somente prosperava a indústria bélica, principalmente a americana.

No Brasil, eram marcantes os incômodos econômicos gerados pela Guerra Mundial. Eram impostas restrições à importação do petróleo, e o uso do gasogênio o País. Grandes tanques externos, verdadeiros trambolhos, eram fixados na parte de trás dos veículos e serviam para a queima do carvão e a conseqüente produção do gás que moviam carros, caminhões e até tratores.

Quase três anos depois de iniciado o confronto militar que fazia milhares de vítimas na Europa, em 1942, o governo brasileiro, após ter diversos navios afundados por embarcações alemãs, resolve declarar guerra ao Eixo.

Getúlio Vargas continuava a governar com a sua característica populista, ajudado pela forte campanha publicitária desenvolvida pela sua assessoria. Aniversário do ditador, aniversário de sua posse, aniversário da Revolução de 1932, aniversário do golpe de 1937, a qualquer pretexto eram realizadas festas e comemorações, em todos os pontos da Nação, para perenizar o nome da "figura ímpar e revolucionária de Getúlio Vargas", na expressão muito usada na imprensa ponte-novense.

Após as festas, os desfiles, os fogos, os discursos que chegavam às raias da bajulação, vinham os jornais com matérias extravagantes:

"Entretanto, é justo que se reconheça que estas comemorações tem toda a sua razão de ser, porque Getúlio Vargas, com a sua bondade, com a suo energia, com o seu alto tino administrativo, com a sua longa visão sobre o panorama político nacional e quiça, mesmo, internacional, soube indiscutivelmente, influir com decisão absoluta na história pátria".

Ocorriam as grandes transformações na economia do Brasil. Iniciava-se um processo de industrialização no País, e com isso grandes massas afluíam do interior para as grandes cidades. Surgia a Siderúrgica de Volta Redonda, a Petrobrás e com elas a forte participação do Estado na economia nacional. A unidade monetária passou a ser denominada "cruzeiro", e Getúlio promulga a "Consolidação das Leis do Trabalho"

No campo político também ocorriam importantes mudanças. O brasileiro estava indignado com os métodos empregados pelo nazi-fascismo e começava a desconfiar de um governo que, combatendo países totalitários, tinha pouco ou quase nada de democrata.

Exilados começam, já do exterior, a articular a criação de um partido para combater o "Estado Novo", e o Partido Comunista reúne a sua Comissão Reorganizadora , em algum lugar nos arredores de Rezende-RJ.

É lançado o "Manifesto dos Mineiros", assinado por Pedro Aleixo, Virgílio de Mello Franco, Arthur Bernardes, Milton Campos e outras expressões da política mineira. Esse documento cobrava a redemocratização imediata do País e exigia o plebiscito previsto na Constituição de 1937.

A Força Expedicionária Brasileira, que partiu, em 1944, com 23.344 praças, também ativou o orgulho e o espírito democrático do povo brasileiro.

Tudo que ocorria pelo País a fora refletia em Ponte Nova. A oposição, até então silenciosa, passa a dar sinal de que ainda existia e com ela surgia uma grande expectativa, gerada com a possibilidade de haver eleições em breve.

Em meados de 1944, Otávio Soares sente sua saúde combalida. De início é diagnosticada uma hepatite e, em seguida, advém uma forte crise de tuberculose pulmonar, no ainda jovem prefeito ponte-novense. Com os recursos ainda restritos da medicina da época, o mais indicado foi a sua transferência para uma região de clima ameno, onde se tentaria restabelecer sua saúde. Assim, Otávio Soares seguiu para a Cidade de Palmira (hoje Santos Dumont), clima de montanha, terra natal de sua esposa e onde serviu como Promotor de Justiça por algum tempo, antes de ingressar na política.

Todos os meios foram tentados em vão, e Otávio Martins Soares faleceu, naquela cidade, no dia 23 de outubro de 1944, aos quarenta e sete anos de idade.

Cid Martins Soares

Imediatamente, Luiz Martins Soares articula a nomeação do sobrinho Cid Martins Soares,que agora voltava pela segunda vez, aos trinta e cinco anos de idade, a ocupar a Prefeitura de Ponte Nova.

Nesse ano, a Associação Comercial, em importante iniciativa que tinha à frente Pio Gonçalves Penna, faz surgir a Escola Técnica de Comércio Pontenovense, que, rapidamente, torna-se uma importante instituição de ensino, atendendo a um grande número de estudantes que afluíam de toda a região. Para dirigi-la, são nomeados os Professores Custódio Lanna e Mário Clímaco, que responderiam pela Diretoria Técnica e Comercial, respectivamente. Já em 1947 a Escola Técnica obtém seu reconhecimento, através de Portaria do Ministério da Educação e Cultura.

No Rio de Janeiro, Getúlio Vargas sofre pressões cada vez maiores e, de quando em vez, tem que ceder. São feitas concessões e até os comunistas passam a ser tolerados.

Surge a luta pela anistia dos presos políticos, tendo como exemplo principal Luiz Carlos Prestes, preso desde 1935.

Finalmente, Getúlio Vargas, não vendo outra saída, marca eleições para a Assembléia Constituinte e para a Presidência da República. Organizam-se partidos políticos e arma-se, com grande entusiasmo, o esquema eleitoral. Surge o Partido Social Democrático-PSD, estruturado a partir da máquina administrativa do Estado Novo e organizado pelos Interventores Federais que foram indicados por Getúlio. Estes buscam nos velhos "currais eleitorais", no terreno dos "coronéis" da Velha República suas bases eleitorais.

O Partido Trabalhista Brasileiro-PTB aproveitou o Ministério do Trabalho para se estruturar a partir dos seus tentáculos, como os sindicatos e as instituições de previdência social, dentre outros.

A União Democrática Nacional-UDN aglutinou, para a sua formação, todos os adversários do regime. Oligarquias, que vinham sendo alijadas do poder desde 1930, compunham com inimigos pessoais e mais recentes de Getúlio, formando, assim, aquela agremiação.

O Partido Comunista Brasileiro-PCB, que pode ser considerado o único a sobreviver, mesmo na clandestinidade, durante o Estado Novo, ressurge, agora na legalidade, sob o controle de Prestes, Gregório Bezerra, Carlos Marighela e outras lideranças, com o apoio de intelectuais e artistas como Jorge Amado, Cândido Portinari e Graciliano Ramos, dentre outros.

Num momento de particular efervescência política, não tardaram a aparecer as candidaturas do Brigadeiro Eduardo Gomes e do General Eurico Gaspar Dutra. O primeiro era grande expressão da Força Aérea Brasileira, herói tenentista (sobrevivente dos "18 do Forte de Copacabana"), organizador do Correio Aéreo Nacional e o responsável pelo defesa aérea do Atlântico, durante a Segunda Grande Guerra, era o candidato da UDN; e o segundo, importante membro do Exército Brasileiro e Ministro da Guerra de Get8lio Vargas, candidatou-se pela coligação PSD-PTB.

Em Minas Gerais, Benedicto Valladares tratou de organizar o Partido Social Democrático-PSD, e de Ponte Nova partiu, a 8 de abril de 1945, uma comitiva para participar, no Estádio do Paissandu, em Belo Horizonte, da convenção para o lançamento das bases do partido. Hierarquicamente chefiados por Cid Martins Soares, estiveram na capital do Estado: Emílio Silva Martins, Ary Martins, José Pinheiro Brandão, Helder de Aquino, Targino de Souza, Pio Pena, Augusto Lopes Castanheira, João Sette, Mário Brito e Silva, Rafael Frederico, Augusto Rodrigues Seabra e José Soturnino Mafra.

Nesse mesmo dia foi eleita a comissão do PSD mineiro, que ficou assim composta: Presidente, Benedicto Valladares; Vice-Presidente, Israel Pinheiro; Primeiro-Secretário Juscelino Kubistchek de Oliveira; Segundo-Secretário, Cristiano Machado; e Tesoureiro, João Correia Beraldo. Vinte outros membros efetivos foram eleitos para fazer parte do diretório, dentre estes estava o nome do líder ponte-novense Luiz Martins Soares, que se misturava aos de importantes próceres como Fernando Mello Viana, Gustavo Capanema, Bias Fortes, José Maria Alkimim e tantos outros expressivos políticos mineiros.

Com a campanha nas ruas, os políticos da situação, em Ponte Nova, aproveitaram para desenvolver um eficiente trabalho.

No dia 27 de maio foi preparada uma "grande homenagem" a Cid Soares, no Bairro Palmeiras. Tal festa se realizaria pelo "vontade do povo" e em agradecimento ao Prefeito pelas muitas obras realizadas naquele bairro. Discursaram, sempre enaltecendo os figuras do General Dutra, de Zito Soares e de Cid: Mário Rodrigues Seabra, Ângelo da Matta e Andrade, Augusto Rodrigues Seabra, Artur da Silva Lanna, Luiz de Oliveira Otoni, Augusto Mendes Filho, Elias Salim Mansur e José Maria da Fonseca. O Prefeito, que se fazia acompanhar da esposa, foi o último a falar, pedindo votos para o General Eurico Gaspar Dutra.

Não era só a situação que se mobilizava e se aglutinava em torno do PSD. A oposição também se articulava, dividida, principalmente, entre a União Democrática Nacional-UDN e o Partido Republicano-PR.

Nomes como o do médico José dos Reis Cotta, do advogado e filho do ex-Presidente da Câmara Jaime Cerqueira Marinho, do também médico e filho do fundador da Usina Anna Florência, Francisco Vieira Martins Filho e o do ex- Juiz de Direito Ângelo Vieira Martins abrigaram-se na UDN.

O PR, em nível nacional, nada mais era do que uma nova versão do antigo PRM, reeditada pelo próprio Arthur Bernardes, e no município era representado por antigos correligionários do ex-Presidente, como José André de Almeida, Emílio Rabello Barbosa e Pedro Soares de Moura, dentre outros, capitaneados por Cristiano de Freitas Castro, filho do ex-Deputado e velho prócer peerrista José Felipe, e genro de Bernardes.

De vários setores da sociedade surgem, ou reaparecem, descontentes com o regime, com Getúlio Vargas, com Benedicto Valladares ou, até mesmo, com o próprio Otávio Soares.

Alguns advogados militantes da comarca local, por exemplo, em 4 de abril fazem publicar na imprensa local o seguinte documento:

"Os abaixo assinados, a exemplo do que fizeram seus colegas de outros portes do Brasil, e atendendo aos imperativos de sua vocação democrática, declaram que se comprometem a prestar gratuitamente, seus serviços de advocacia a todas as pessoas que, por motivo de opinião política, forem, porventura vítimas de quaisquer violências nas comarcas onde trabalham.

Ponte Nova, 15 de março de 1945.

ass.:
José Grossi, Geraldo Grossi, Emílio Rabello Barbosa, Gerson Monteiro Borbosa, Otávio Lanna Vasconcellos, Pedro Soares S. de Moura, José André de Almeida, Antônio M. Pinto Coelho, Jayme Marinho, João Brandão Pacífico, Luiz Pinheiro".

No auge de toda esta movimentação política, naquele ano de 1945, em reunião do PR no Rio de Janeiro, o ex-Presidente Bernardes divulga telegrama recebido de correligionários, dando conta de que prefeitos da Zona da Mata mineira, incluindo o de Ponte Nova, Cid Martins Soares, estavam praticando violências contra os peerristas e os partidários do Brigadeiro Eduardo Gomes.

Nesse meio tempo aparece o campanha, em nível nacional, pela manutenção de Getúlio no poder. Nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro, a turba, orientada, gritava: "Queremos Getúlio, queremos Getúlio". O movimento passou logo a ser conhecido como "Queremismo" e os seus ativistas Como "Queremistas".

O desfecho desse momento político era imprevisível, e os principais chefes militares, sabendo disso, depuseram Getúlio no dia 29 de outubro de 1945

O governo da Nação é entregue ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, que permaneceria no cargo até a posse do novo Presidente da República, a ser eleito no dia 2 de dezembro de 1945.

Na formação do Ministério de José Linhares, destacar-se-ia um ponte-novense. Para ocupar a pasta da Marinha, é convocado o vice-almirante Jorge Dodsworth Martins. Ele nascera em Ponte Nova no ano de 1884, sendo filho de Custódio José Ferreira Martins e Georgina Dodsworth. Custódio, descendente dos Martins da Silva, formara-se em medicina e, na política, exercera os cargos de Deputado Geral, Presidente da Província do Espírito Santo e posteriormente, abandonando a política partidária, dirigiu o Instituto de Surdos-Mudos do Rio de Janeiro

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Jorge Dodsworth Martins
 

Jorge Dodsworth Martins assume o Ministério em 31 de outubro de 1945, servindo ao Governo de José Linhares até o dia 31 de janeiro de 1946. Com a posse de Dutra, ele é reconduzido ao cargo, em que permanece até 3 de outubro de 1946.

Naquele ano de 1945 foi instituído o alistamento eleitoral, que se estendeu até o dia 8 de outubro. A esse alistamento deveriam comparecer todos os homens, até um ano após completar 18 anos de idade, e as mulheres maiores de 18, até um ano após adotar uma profissão lucrativa. A multa pelo não-alistamento variava de Cr$100,00 a Cr$1.000,00.

Em Ponte Nova foram alistados, pelo Partido Social Democrático-PSD, 14.445 eleitores e, pela União Democrática Nacional-UDN, apenas 2.303.

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O advogado e jornalista Rubem Grossi conta, em interessante matéria publicada num jornal ponte-novense, uma piada envolvendo um assustado eleitor dessa fase de nossa história política:

"homem humilde, do meio rural, encontra-se casualmente com um cabo eleitoral de Zito Soares que lhe pergunta, logo após os cumprimentos de praxe:
- Como é, compadre, você e a comadre já se alistaram ?
-Olha que o prazo é até o dia oito.
- Olha aqui, seu cumpadre, alistá eu alistei, mais a muié náo.
- Ora, mas por quê?
- Sabe, eu tava pensando outro dia: já penso se a muié alista, e já um dia ela passa por vocês, ajudantes do Doto Zito e intão vocês falam: "Olha ali, aquela é nossa". Já pensou, cumpadre ?
Meu voto, eu inté do para o Doto Zito, mais minha muié eu não divido com ninguém não".

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Para saber mais, clique abaixo:
Getúlio Vargas
Olga, mulher de Luiz Carlos Prestes entregue à Hitler
Queremismo
Os 18 do Forte Copacabana
Governo Eurico Gaspar Dutra

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