Final dos Anos 40 e início dos anos 50
Milton Campos Visita Ponte Nova.
 

O ano de 1947 foi de muita movimentação política. A campanha para as elei,cões municipais, a primeira verdadeiramente livre e democrática que a cidade conheceria, empolgava políticos e cidadãos comuns.

Luiz Martins Soares Sobrinho

À medida que se aproximava o mês de novembro, a disputa política se acirrava e os ânimos se exaltavam.

A partir do início do mês de outubro, uma campanha, deflagrada por membros da UDN local, pedia o retorno de José Mariano à Prefeitura. Clímaco, assim, não presidiria as eleições que se aproximavam.

De fato, a campanha surtiu efeito e, no dia 13 de outubro, depois de quatro meses e dois dias afastado, José Mariano retorna à Prefeitura para estar, no mês seguinte, presidindo as eleições para Prefeito e Vereadores de Ponte Nova.

Sucediam-se os comícios e, na imprensa, as matérias e as publicidades enchiam os dias da comunidade.

Milton Campos evitava, como podia, interferir no processo eleitoral da sua terra natal, contrariando, profundamente, os udenistas de Ponte Nova.

No dia 25 de junho, Edgar Godoy da Matta Machado, Chefe de Gabinete do Governador, envia o seguinte radiograma à Prefeitura:

"Devidamente autorizado pelo Sr. Governador, comunico-vos para que o transmitais aos interessados, que S. Excia., seguindo norma que traçou para o seu governo, deseja não se adote seu nome para designar 'bureaux' eleitorais ou quaisquer outras organizações ou movimentos que tenham por finalidade propaganda de cunho partidário. Apresento-vos, ao ensejo, atenciosas saudações."

Essa era também uma forma de se manter afastado da campanha política que se desenrolava no município. Milton, definitivamente, não ajudaria a UDN, e com isso não melindraria seu relacionamento com o tio, Zito Soares, líder pessedista.

Sem a ajuda do Governador, a campanha da UDN não "decolava". Por outro lado, o PSD, sob a orientação do experiente Luiz Martins Soares, ocupava, a cada dia, todos os espaços políticos. De uma matéria veiculada num semanário ponte-novense, destaca-se o seguinte trecho, que dá idéia da situação confortável em que se encontrava o Partido, a apenas quatro meses das eleições:

"Em outras portes, o PSD tem conhecido derrotas e dias amargos. Aqui, porém, permaneceu majoritário, e baldadamente se coligaram contra ele correntes de todos os matizes. Não se abriu uma fenda no sólido edifício pessedista, nem se rompeu o coesão de suas fileiras. Cada militante continuou onde estava, debaixo da mesmo bandeira, fiel aos mesmos postulados, insensível às ameaças ou à sedução partidos do campo adversário." .

E bem verdade que o prestígio, o carisma e a habilidade política de Zito Soares eram os grandes responsáveis pela solidez do PSD de toda a região. Entretanto, a imparcialidade de Milton Campos e a eqüidistância da máquina governamental em relação à política ponte-novense colaboravam profundamente para o crescimento do PSD na campanha eleitoral de 1947.

Ciente disso, Zito Soares lembrava sempre que, se esta situação se alterasse, ele, também, mudaria sua conduta em relação ao Governador, retirando o apoio que sua bancada lhe emprestava na Assembléia.

"Coerente em suas atitudes, fiel ao seu passado, o PSD de Ponte Nova, sob a impecável chefia de Luiz Martins Soares, não renega sua origem, ao contrário se orgulha dela- mantêm seu apoio ao governo do República, assim como está pronto a apoiar o administração do ilustre governador Milton Campos, desde que eles não se afastem da preocupação com o bem público, do interesse pelo maior número, da verdade eleitoral, do direito de representação e do culto à justiça. Senão, não." (Jornal do Povo)

Estava aí, claro, o recado pessedista e de seu "Impecável chefe". O "bem público", para eles, era o PSD. O "interesse pelo maior número" era com referência aos resultados das urnas que lhes seriam favoráveis, o mesmo querendo dizer a "verdade eleitoral". O "direito de representação" era o código que significava que, apesar de ser oposição, o PSD existia, trabalhava pela vitória e pretendia, de fato, incomodar o partido situacionista, a UDN. E, quanto ao "culto à justiça", poderia perfeitamente significar: "venceremos as eleições e assumiremos o poder em Ponte Nova". Seria injustiça o PDS ganhar e não levar. A convenção do PSD aconteceu no dia 7 de outubro daquele ano e foi só nesta data que a direção do Partido divulgou o nome dos candidatos. Zito Soares retardou o quanto pode os nomes que comporiam a chapa pessedista. Era uma tática do experiente líder. Mais uma vez a escolha recairia sobre um parente próximo. Foi lançado candidato a Prefeito seu sobrinho e homônimo, Luiz Martins Soares Sobrinho. Soares Sobrinho era o segundo dos dez filhos de Adolfo Martins Soares, que também era pai de Cid Martins Soares. Adolfo, primogênito do Maior Soares, era irmão de Zito e Otávio Soares.

O candidato a Vice-Prefeito era José Pinheiro Brandao, Presidente do PSD local, Líder ruralista e ligado por laços familiares aos Martins Soares.

As eleições transcorreram em clima tenso, mas sem grandes incidentes, e logo ficaram conhecidos os números que deram esmagadora vitória ao PSD.Luiz Martins Soares Sobrinho obteve 6.078 votos, enquanto seu concorrente, Adriano Fonseca, ficou apenas com 4.871. A legislação então em vigor previa eleições em separado para os dois cargos dos Executivos. Assim, José Pinheiro Brandão foi votado por 6.025 eleitores e o candidato o Vice-Prefeito pela UDN, Otávio lanna Vasconcelos, por 4.852. Era uma diferença significativa, considerando-se o ainda pequeno número de eleitores do município.

O PSD fez nove vereadores, sendo o Coronel Emílio Martins líder dos votos, com 799 sufrágios, seguido de Reynaldo Alves Costa, com 767, Cid Martins Soares, com 759, Samuel Gesualdo, com 676, Manoel Fonseca, com 625, Francisco Linhares Ribeiro, com 533, José Rodrigues Alves, com 483, José Torres Messias, com 349 e Aniceto de Barros, com 306. Candidatos expressivos como Manoel Marinho Camarão e Jarbas Prates, saíram derrotados.

A coligação UDN-PR elegeu apenas seis vereadores. Os campeões de voto dessa corrente foram Raymundo Bellico Sobrinho, com 795, e Amaro Ribeiro Gomes, com 725. Atrás deles, e bem distantes, vinham Antônio Leôncio Carneiro, com 552, Everardo Bráulio, com 457, Rubem Dário de Abreu Grossi, com 409 e Pedro Soares de Souza Moura, com 309.A posse dos eleitos foi acontecimento apoteótico, e, apesar de chuvoso, o dia 14 de dezembro de 1947 foi de diversas comemorações populares.Na viagem de inauguração do noturno da Estrada de Ferro Central do Brasil, chegaram de Belo Horizonte os Deputados Estaduais Tancredo de Almeida Neves, Luiz Domingos da Silvo e João Camilo Teixeira Fontes, que vieram se juntar a Antônio Caetano de Souza, que já se encontrava no cidade, para assistir à posse.Solenidade na Câmara Municipal, pronunciamentos públicos, banquetes, baile e uma infinidade de eventos exultavam mais esta vitória do PSD de Ponte Nova. O município, por esta ocasião, vivia momentos de intensa excitação social econômica. Havia-se difundido, por todo o País, o nome do virtuoso padre Antônio Pinto, que, de Urucânia, fazia suas orações, para muitos milagrosos. Estabeleceu-se, assim, intenso fluxo de visitantes que passava por Ponte Nova com destino ao distrito próximo.

As rodovias, ainda todas de terra, passaram a ter tráfego intenso, o que dificultava sobremaneira os serviços de manutenção, onerando os cofres municipais. O comércio regional foi reaquecido pelas constantes passagens das romarias, e centenas de pequenos estabelecimentos surgiam em Ponte Nova, ao longo das estradas, e, principalmente, na pequena Urucânia.

O problema maior, entretanto, foi com a escassez de acomodações para os milhares de romeiros, que afluíam de todos os cantos do País. Hotéis e pensões permaneciam superlotados. Centenas de famílias passaram a alugar quartos e outras dependências de suas casas para receber romeiros, que pernoitavam na região à espera de um encontro com o padre milagreiro.

A chamada grande imprensa fazia constante cobertura do trabalho do padre Antônio, e figuras notáveis das capitais vinham se avistar com ele.

Na realidade, o fenômeno padre Antônio Ribeiro Pinto tomou corpo e se expandiu logo após a Segunda Guerra, quando foram veiculadas as primeiras notícias que davam conta de suas curas milagrosas.

Episódio interessante dá conta do número de pessoas que procuravam a então pequena Vila de Urucânia para pedir uma graça àquele religioso: Mário Clímaco, durante a sua interinidade na Prefeitura, no período de 11 de junho a 13 de outubro de 1947, recebeu o jornalista Neiva Moreira, da equipe do jornal "A Vanguarda" e líder político ligado ao PTB do Rio de Janeiro.Após longa entrevista com o Prefeito em Exercício, Neiva Moreira publica grande reportagem, enaltecendo as qualidades de seriedade e honestidade de Clímaco e elogiando seus atos à frente da Prefeitura de Ponte Nova. No entanto, em certa altura da matéria, o jornalista/político deixa escapar uma crítica. Afirmava ele que os desentendimentos entre o PSD e a UDN do município era de tal intensidade que Mário Clímaco, em certas ocasiões, ficava indeciso. Naquele momento, por exemplo, ele não se dava conta da necessidade de reformar a estrada que ligava a sede do município ao Distrito de Urucânia. Em resposta a Neiva Moreira, Clímaco afirma que providenciaria as obras de manutenção da estrada assim que ele, Neiva, conseguisse interromper o colar de automóveis que se formava durante as vinte e quatro horas do dia ao longo de toda a rodovia.De fato, a situação foi se agravando e o padre Antônio, em certo momento, teve de interromper suas atividades e se ausentar de Urucânia, transferindo-se para Rio Casca.

Na esfera federal, a política caminhava sem grandes novidades, dando idéia de que o governo da General Dutra ainda não se iniciara de fato. Em 1947, é criado o Plano Salte, e a Comissão de Investimentos propõe a privatização de empresas estatais, como a Fábrica Nacional de Motores e a Companhia Siderúrgica Nacional.Ainda nesse período, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional cancelam o registro do Partido Comunista do Brasil e cassam os mandatos do Senador Luiz Carlos Prestes, de quatorze Deputados Federais e de centenas de Deputados Estaduais, abrigados na legenda e espalhados por toda a Nação.

Em Ponte Nova, Luiz Martins Soares Sobrinho, logo que assume, rescinde os contratos com a Companhia telefônica Aliança Mineira e com a Companhia Melhoramentos de Ponte Nova. As duas empresas não conseguiam manter um bom nível nos serviços telefônico e de abastecimento de água e energia elétrica, dos quais eram concessionárias. Equipamentos sucateados e administrações ineficientes fizeram delas alvo de insatisfação popular e de críticas violentas, comumente estampadas na imprensa.Novo contrato foi firmado com a Companhia Ouropretana de Tecidos, Luz e Telefones, que assumiu a telefonia e a distribuição de energia, enquanto a Prefeitura se encarregaria do sistema de fornecimento de água e coleta de esgoto.

Logo no primeiro ano de seu governo, Soares Sobrinho fez grandes investimentos na educação. Através de subvenções concedidas à Escola Normal, ao Ginásio Dom Helvécio e à Escola Técnica de Comércio, fez com que aumentasse o número de vagas nesses estabelecimentos. Também, foram criadas duas escolas rurais em áreas que careciam desse serviço.

Todas essas medidas trouxeram aumento efetivo de quase cinqüenta por cento no número de alunos matriculados para o ano de 1949, saltando de 2.424 para 3.412.

A política local manteve-se estável durante os primeiros meses de 1948. As correntes ligadas à UDN, ao PR e ao PTB, com seis vereadores eleitos, faziam, como podiam, oposição ao forte e influente PSD. Eram nove os vereadores dessa legenda, que tinham como chefe absoluto o prestigioso Luiz Martins Soares. Com estrondosa votação em 1946, Zito Soares havia sido o segundo Deputado Federal mais votado de Minas, ficando atrás apenas do ex-governador Benedicto Valladares. Como há muito vinha ocorrendo, os zitistas sobrepujavam, com votos, a oposição.

Tudo corria com essa normalidade até que em julho de 1948, no dia 29, a cidade é colhida de surpresa pela notícia do falecimento, aos sessenta anos de idade, de Luiz Martins Soares, ocorrido em Belo Horizonte.Essa corrente política, assim como a família Martins Soares, já havia sentido profundamente a perda de Otávio, em 1944. Inteligente e culto, Otávio era peça importante no esquema do irmão Luiz, figura maior da política pessedista. Agora, era o próprio líder que desaparecia. Sem o grande chefe, o PSD passaria a enfrentar dificuldades que iriam refletir nos resultados das próximas eleições. Contudo, Soares Sobrinho continuou desenvolvendo uma administração proveitosa. Todos os imóveis urbanos são cadastrados e é estabelecida uma numeração para sua identificação.

A avenida que liga o centro da cidade ao Bairro Palmeiras é calçada com paralelepípedos, assim como a rua que contorna o Hospital Nossa Senhora das Dores e a Rua Santo Antônio até o Estádio de Futebol da Sociedade Esportiva Primeiro de Maio.Pouco mais de sete meses após a morte de Zito Soares, enquanto o PSD ponte-novense ainda se recuperava da perda recente de seu grande líder, nova tragédia se abate sobre aquele Partido Político e sobre a família Martins Soares. O Vereador e ex-Prefeito Cid Martins Soares, irmão de Soares Sobrinho, morre no dia 5 de março de 1949. Cid, que havia nascido em 22 de julho de 1909, contando portanto, então, com 39 anos de idade, não resiste a uma tuberculose pulmonar e cria, com a sua morte, mais uma lacuna na alta cúpula do PSD. Um novo período de consternação se seguiu, e a recuperação do trauma causado, dessa feita, pelo falecimento de Cid consumiria mais algum tempo. As fileiras daquele Partido Político estavam combalidas, pois haviam sido fortemente atingidas por tantos desaparecimentos. A administração municipal também sentiu profundamente a morte do ex-Prefeito. Do grande clã de políticos e homens públicos restava agora apenas Soares Sobrinho, que, então, governava Ponte Nova.

Nos primeiros meses de 1950, a cidade foi castigada por fortes chuvas, e o Piranga provocou uma das maiores enchentes da história recente do município. Várias pontes foram destruídas, e dezenas de quilômetros de estradas foram completamente arrasados.Para a reconstrução de pontes e estradas, Luiz Martins Soares Sobrinho recorreu a empréstimo da Caixa Econômica Estadual e, aproveitando que inúmeras casas da Rua João Pinheiro tinham sido arrastadas pelas águas do Piranga, deu início às obras de alargamento dessa artéria. Dos imóveis que permaneceram em pé, no lado direito, alguns foram adquiridos e outros desapropriados pela Prefeitura. O Bairro de Palmeiras ganha, finalmente, o seu jardim. Projetado por Antônio Brant Ribeiro, ainda no governo de Cid Martins, ele é, agora, construído com ajardinados de formas simétricas, passeios desenhados com pedras portuguesas, caramanchões colocados nas esquinas, bancos graciosamente distribuídos e, no centro, o lago com a fonte.

O Rio Piranga ocupa a Rua João Pinheiro durante a grande cheia de 1950

Importante obra iniciada no governo de Luiz Martins Soares Sobrinho foi a construção do edifício da Prefeitura.

Desde que a velha Casa da Câmara e Cadeia, em ruínas, fora abandonada, os Poderes Públicos se serviram de imóveis alugados. Por essa época, em espaçoso lote na Avenida Caetano Marinho, a empresa A. Fonseca começara a executar um arrojado projeto, que previa amplos salões, acessos por meio de rampas, grandes vidraças e dependências para todos os departamentos municipais. Nesse ano de 1950, a cidade ganha também os primeiros telefones automáticos e melhorias significativas no abastecimento de água. A iluminação pública, entretanto, continua muito fraca, tornando-se a principal reivindicação da população.

Ponte Nova também recebia, do governo do Estado, algumas obras importantes.

Antônio Caetano da Costa

O Projeto de Lei nº. 275, de autoria do Deputado Antônio Caetano de Souza, transforma-se em Lei e determina a construção do Aeroporto do Sombrio. Até então, Ponte Nova só contava com o campo de pouso da Usina do Pontal, que era uma propriedade particular. Também encaminhado pelo Deputado Antônio Caetano, foi o Projeto nº. 577, que autorizava a construção do Centro de Saúde.A região experimentava um momento de crescimento econômico e de franco progresso. Também, a iniciativa privada fazia grandes e maciços investimentos na cidade. A Cúria Metropolitana, que desmontara o Morro do Propedêutico, fazendo surgir o Bairro Esplanada, agora lançava a pedra fundamental do edifício Santa Cruz, grandiosa construção para a época. O Bispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, tinha outros planos para Ponte Nova. Na colina que se levantava na margem esquerda do rio Piranga, logo após a Vila Centenário, ele queria construir um grande santuário, dedicado a Nossa Senhora da Conceição. O bispo apostava no fluxo de turistas e numa movimentacao religiosa, o que , sem duvida, fomentaria o comercio regional.

A nova ligacao rodoviaria Mariana- Ponte Nova, permitia viagens mais rapidas e confortaveis a capital do Estado, onde pulsava, como nunca, o coracao da politica estadual.

Com realacao aos deputados pontenovenses, havia uma curiosa intersao de sua representativdade. Antonio Caetano de Souza, eleito pleo PSD, partido que na esfera estadual fazeia opocisao ao governador, tinha transito livre nas Secretarias de estado e , apadrinhado que fora pof Luiz Mrtins Soares, era recebido , com deferencia pelo Governador. Jose André de Almeira, eleito pelo PR, que nas últimas eleicoes se coligara aom a UDN, partido de Milton Campos, ao contrario, não gozava de tanto prestigio na capital. Assim, enquanto as cúpulas da UDN e do PR formavam o governo em Belo Horizonte, em Ponte Nova militantes dessas siglas se amontoavam desconfortavelmente na oposicao. Já o PSD, que em todo eo Estado se opunha ao governo udenista de Milton Campos, em Ponte Nova era situação.

O ano de 1950 foi politicamente importante. Realizaram-se eleicoes diretas em todos os níveis, e este foi o segundo pleito apos a ditadura Vargas, o que significava a concretização da democracia no País.

Mesmo sentindo profundamente a falta do lider Luiz Martins Soares, falecido há pouco tempo, o PSD fazia o que podia para garantir os resultados de mais aquele embate.

Eram inauguraas obras estaduais e municipais, sempre com grandes festas. Qualquer acontecimento diferente era pretexto para realizacao de comícios e encontros políticos, que , intensamente divulgados, enchiam praças e ruas. Mas, com toda a certeza, a maior festa política daquele ano foi a visita que Milton Campos fez à cidade no dia 24 de junho.

Acompanhado da esposa, Déa Dantas Campos, o Governador chegou a Ponte Nova no início da noite. Foi saudado com pronunciamentos do padre Pedro Rosa de Toleto, do Deputado Antônio Caetano de Souza, do Vereador e Presidente da UDN Francisco Vieira Martins e da professora Maria da Conceição Lanna. No dia seguinte, 25, Milton Campos foi a Jequeri, onde participou das solenidade de instalação da Comarca daquele município.

De regresso a Ponte Nova, apoteótica festa de inauguração do Jardim de Palmeiras esperava-o, às 18h30min A fraquíssima iluminação pública, que não conseguiu clarear a noite que nascia, não tirou o brilho do evento.

Do grande palco instalado no local falaram, para uma multidão estima da em 4.000 pessoas, Francisco Vieira Martins, em nome do partido do Governador, a UDN, e Mário Clímaco, Secretário da Prefeitura, em nome do Prefeito Luiz Martins Soares Sobrinho. Ali mesmo, durante o acontecimento, oficializou-se o nome do logradouro, que passou o ser denominado "Praça Cid Martins Soares" Às 23 horas, Milton Campos ainda participou de um baile no Pontenovense Futebol Clube.

No dia 26, o Governador e sua comitiva visitaram o Grupo Escolar Otávio Soares e o Hospital Nossa Senhora das Dores, ocasião em que foi Instalado o curso de Educadoras Sanitários, além dos obras do Centro de Saúde e do Campo de Aviação.

A tarde, ele foi até a sede do clube Pontenovense, que se achava em construção, e de já seguiu para a Usina Anna Florência. A seguir, foi até a Estação Experimental de Cana, que estava sendo implantada, e visitou ainda o Destilaria da Rasa e os Grupos Escolares José Mariano e Antônio Martins.

Na Câmara Municipal, Milton Campos assistiu à afixação dos retratos de Luiz Martins Sores e Cid Martins Soares na galeria de governantes e políticos eminentes do município.

Aqueles três dias que o Governador de Minas passou em Ponte Novo revestiram-se de grande importância política. Todas as facções tentaram arrecadar para si os dividendos do acontecimento ímpar na história da cidade. A UDN fingia desconhecer a intransigente imparcialidade de Milton Campos, que insistia em não apadrinhar seus correligionários locais e participava,com seus mais influentes membros, de todos os encontros públicos. O PR era, então, uma fraca legenda, longe de ser comparada àquele forte e decisivo PRM da Repúblico Velha. O Partido em Ponte Nova tinha, entretanto, seu representante na Assembléia Legislativa e tivera participação decisiva nas últimas eleições municipais. Fazia de tudo para aparecer junto do Governador em visito a Ponte Nova.

José André de Almeira

O PSD, partido do Prefeito Luiz Martins Soares Sobrinho, aglutinava importantes expressões da política local e representava um grupo que detinha o poder na cidade e região, antes mesmo da criação desta sigla partidário. Ciente dessa importância, queria, o partido, tirar todo proveito possível da visita governamental. Tudo era válido, inclusive a identificação do parentesco do Governador com o Prefeito e com os falecidos líderes pessimistas, Otávio, Zito e Cid Soares.

Fase, sem dúvida, difícil para Milton Soares Campos foi todo aquele ano de 1950 e, principalmente, aqueles dias em que esteve em Ponte Nova. Muito próximo de uma das mais importantes eleições do história do País e, ao que tudo indicava, disputadíssima em toda a região, ele, em sua terra natal, tinha lideranças da UDN, correligionários de todos os horas, ferrenhos adversários do PSD de seus tios e primos, que vinham dominando a política regional havia anos.

Discreto e parcimonioso, o governador se esquivava como podia, em circunstância tão desagradável. Sempre, entretanto, tinha uma resposta que agra dava o interlocutor. Contam os biógrafos de Milton Campos que, quanto mais embaraçoso era a situação, mais curiosa e engraçado era a sua resposta.

José Bento Teixeira de Salles conta interessante e curto diálogo, que Milton Campos não confirmava como verídico, entre o ex-governador e uma tripulante do avião em que viajavam.

Mau tempo, viagem incomoda e com muita turbulência, perigo iminente. A aeromoça, atenciosa com o ilustre passageiro que lhe parecia preocupado e amedrontado, perguntou-lhe:

- O senhor está sentindo falta de ar, Dr. Milton
- Não, minha filha. Eu estou sentindo é falta de terra. (96)

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Para saber mais, clique abaixo:

Urucânia e o Padre Antônio

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