A VILA

Em Ponte Nova, a verdadeira consolidação da urbe ocorreu na primeira metade do século XIX. O povoado se estruturou fisicamente com a expansão de seu perímetro, sua elevação à categoria de Paróquia ou Freguesia, a ampliação de sua igreja, a demarcação das primeiras ruas e caminhos, etc.

No povoado, o número de casas cresceu e, no interior, as fazendas se fortaleceram com a expansão das fronteiras agrícolas, o aumento do rebanho e o sucesso dos engenhos de cana.

Ponte Nova já se tornara, a época, importante localidade da Província, o que se fez sentir em 1857, quando foi elevada à categoria de Vila, tornando-se a sede do município.

A Lei Provincial Número 827, de II de junho de 1857, cria o município, conforme se lê abaixo:

"Carta de Lei, que eleva á cathegoria de villa a Freguezía da Ponte Nova, marca As respectivas divisas e contem outras disposições. O Doutor Joaquim Delfino Ribeiro An Luz, offícial da ordem da Rosa, vice-Prensidente da Província de Minas Gerais: Faça saber todos aos seos habitantes que a Assemléa Legislativa provincial Decretou e eu Sanccionei a Lei seguinte:

Art. 1º.- Fica elevada á cathegoria de Villa A Freguezia da Ponte Nova, compreendendo o novo Município as Freguezias da Ponte Nova, Barra Longa, Santa Cruz do Escalvado, Barra do Bacalhau, São Sebastião do Pedra do Anta, Abre Campo, desmembrados do município de Mariana.

Art. 2º.- Os habitantes daquelle novo município obrigados a promptificar casa de Câmara e cadêa com as necessárias accommodações.

Art. 3º.- Logo que houver casa para as sessões da câmara do jury, será instalada a nova villa

Art. 4º.- Este Município fará parte da Comarca Piracicaba.

Art. 5º.- Ficarão revogadas as disposições em contrário.

Mando por tanto, a toda as autoridades à quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que cumprão e fação cumprir tão inteiramente como nela se contêm. O Secretário desta Província a faça imprimir publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência de Minas Geraes aos onde dias do mez de julho do anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cincoenta e sete, trigésimo sexto da independência do Império.

Joaquim Delfino Ribeiro da Luz.

Silvério Teixeira da Costa, a fez.

Sellada na Secretaria da Presidência da Província aos 14 de julho de 1857"

Entretanto, mesmo depois de criado através de ato legislativo, o município não adquiria existência real enquanto não fosse devidamente instalado, cumprindo, para tanto, as formalidades legais.

Além do caso de Ponte Nova, em diversos outras localidades ocorreu um espaço. de tempo considerável entre a criação e a instalação do município. Uma série de razões levaram a essas demoras, são elas: fatores de ordem social e política em relação aos desmembramentos e à, anexações territoriais; providências em relação às dependências, indispensáveis ao funcionamento dos diversos órgãos públicos de um município; a escolha de constuições de autoridades e até mesmo efeitos de natureza político-partidária fizeram retardar a instalação de alguns municípios mineiros.

Ocorreram grandes demoras entre a criação e a instalação de municípios, como é o caso de Rio Preto, que necessitou de mais de 27 anos, e Pará de Minas, 26, para terem seus municípios definitiva e legalmente instalados.

Tendo prescrita a Lei Provincial nº. 827, novo ato se fez necessário para que a sede do município pudesse ser instalada, em Ponte Nova.

Esta nova lei recebeu o número1.111 e foi sancionada em 16 de outubro de 1861, como s lê a seguir:

"Manoel Teixeira de Souza, Senador do Império e vice-Presidente da Província de Minas Geraes: Faço saber a todos os seos habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial decretou e eu sanciono a Lei seguinte: Art Único. Fica prorrogado por mais dous annos o praso para a installação da Villa da Ponte Nova, creada no Município de Mariana; revogadas as disposições em contrário. Mando por tanto a todas as Autoridades a quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que cumprão e fação cumprir tão inteiramente como nella se contem. O Secretário do Governo desta Província a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio da Presidência de Minas Geraes aos dezesseis dias do mez de Outubro do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e sessenta e um, quadragésimo da Independência e do Império.

Manoel Teixeira de Souza

Francisco Antonio do Carmo a fez.

Sellada na Secretaria da Presidência aos 16 de outubro de 1861."

Ultimaram-se então os preparativos para a instalação do Município de Ponte Nova com a escolha dos locais onde funcionariam os poderes públicos, assim como à cadeia e as demais instituições necessárias à sede do município

Não querendo ver atrasado novamente o processo o coronel Idelfonso Martins da Silva doou à municipalidade um amplo edifício, de sua propriedade, para abrigar a câmara e a cadeia.

No dia dois de dezembro de 1862, foi eleita a primeira Câmara Municipal de Ponte Nova, composta de seis vereadores e um presidente.

Esses edis, pessoas conceituadas no lugar, eram os Seguintes: capitão Manoel Francisco de Souza e Silva (presidente), capitão Sebastião José pereira do Monte, coronel Miguel Martins Chaves, capitão Antônio Carlos Corrêa Mayrink, capitão, Joaquim Rodrigues Milagres, capitão Antônio Justiniano Gonçalves Fortes e Luiz José Pinto Coelho da Cunha.

Como secretário da Câmara, foi nomeado Lucindo Lázaro Lessa natural de Mariana e que havia se transferido para Ponte Nova especificamente para ocupar este cargo. Dedicado e competente, Lucindo Lessa desempenhou essa função durante 32 anos1895, foi substituído pelo próprio filho.

No período imperial, as cidades eram governadas pelos Presidentes das Câmaras de Vereadores, não existindo, portanto, distinção entre o poder executivo e o legislativo. O mandato do presidente, assim como o de toda a Câmara, era de três anos e, habitualmente, tinha inicio no dia 07 de janeiro e findava em 31 de dezembro.

Não podendo deslocar-se até Mariana, onde tomaria posse como Presidente da Câmara Municipal da Vila da Ponte Nova, no dia 20 de abril Manoel Francisco de Souza e Silva solicitou ao Dr. Manoel Faustino Correia Brandão que o representasse no ato, passando-lhe, para tanto, uma procuração.

No dia 26 de abril de 1863, grandes comemorações acompanharam as cerimônias de posse da Câmara e a instalação do município, que passou a ser formado pelas paróquias da sede, de Barra Longa, de Santa Cruz do Escalvado, da Barra do Bacalhau (hoje Guaraciaba), de Abre Campo e do Distrito de São Sebastião da Pedra da Anta (hoje Pedra do Anta). A Paróquia da Conceição da Casca (hoje Rio Casca) e o Distrito de Santa Margarida, criados após a Lei Provincial Número 827 (em 1858 e 1859, respectivamente), também compunham o Município da Ponte Nova na época de sua instalação.

O primeiro presidente da Câmara de Ponte Nova, capitão Manoel Francisco de Souza e Silva, permaneceu no cargo apenas 25 dias e, em 21 de maio de 1863, foi substituído pelo capitão Miguel Martins Chaves, que ocupou o cargo até o final do período legislativo, que se extinguiu em 31 de dezembro de 1864.

O Termo Judiciário, por imposição da lei, estava instituído na vila desde o momento de sua instalação.Em 23 de outubro desse mesmo ano, toma posse, como Juiz Municipal e de Orfãos, o Dr. Ângelo da Matta e Andrade, natural do Estado da Bahia.

Conta o historiador Manoel Ignácio Machado de Magalhães que, depois de algum tempo residindo sozinho em Ponte Nova, o Dr. Ângelo regressa à Bahia para trazer a família. Graças às muitas amizades que o magistrado havia granjeado no município, uma grande festa foi preparada para recebê-lo em seu retorno. Cavaleiros foram esperar a chegada da família uma légua antes da cidade e, de lá, vieram acompanhando, com muitas reverências e aclamações, até o Largo da Matriz, onde ,fogos, músicas e outras manifestações simpáticas aguardavam o Dr. Ângelo e os seus.

Em correspondência ao barão de Cotegipe, seu amigo pessoal, Ângelo da Matta e Andrade descreve seu retomo triunfal a Ponte Nova:

"Impossível é descrever o meu bota-fora e o meu ingresso. tive-os imperiais e até recebi honrarias episcopais sendo conduzido sob o palio e acompanhado pelos cidadãos mais distintos do lugar, música, etc., até a matriz. onde solenizou-se o TeDeum, em ação de graças pelo meu feliz e almejado regresso!"

O Dr. Ângelo da Matta e Andrade era pessoa afável e prestativa, qualidade que fizeram com que se tornasse muito estimado pela população de Ponte Nova. Entretanto, esse bom relacionamento do Juiz com a comunidade teve dias difíceis.

Durante quatro anos, Dr. Ângelo exerceu o cargo de Juiz de Órfaos em Ponte Nova. Nesse período, a cidade vivia dias tensos e tumultuados, e. em várias ocasiões, o enérgico juiz foi obrigado a impor sua autoridade.

As facções liberal e conservadora se digladiavam, e a população, sobressaltada, acompanhava o difícil momento político por que passava o país.

No ano de 1867, o vigário João Paulo Maria de Britto, eminência parda do Partido Liberal de Ponte Nova e afeito a contendas, resolveu desrespeitar o Juiz Municipal, ligado ao Partido Conservador, incitado seus paroquianos a desobedeceram certa determinação da autoridade. Tem inicio, então, uma das mais ferrenhas disputas políticas da hist6na da cidade, ao melhor estilo das vendetas da Córsega.

Acossado pelos liberais e perseguido ferozmente pelo vigário, Dr. Ângelo conclui o quadriênio para que fora nomeado, deixando o cargo de Juiz Municipal e de Órfãos. Entretanto, para desespero de seus adversários, resolve fixar residência, definitivamente, em Ponte Nova, estabelecendo-se como advogado. Junto às atividades de sua "banca", o ex-juiz inicia sua militância política nas hostes conservadoras.

Em 1875, com a criação Comarca do Rio Turvo, com sede em Ponte Nova, Ângelo da Matta e Andrade é nomeado Promotor Público.

A 26 de setembro do ano anterior, havia sido instituída a Lei de conscrição que regulamentava o recrutamento de homens para o exército e a armada Esta lei tomou-se, rapidamente, impopular em toda a Província. Foram criadas as Juntas paroquiais de Alistamento que deveriam fazer cumprir a tão odiada lei. Estas juntas compunham-se do Juiz de Direito, do promotor público, do escrivão e do Vigário, obrigatoriamente, além de outras autoridades municipais, em alguns casos.

Em Ponte Nova, desde o início, o padre João Paulo se nega a participar da Junta e desfecha forte campanha contra a lei de recrutamento.

Em seus sermões, criticava a lei e o governo conservador. A esse movimento unem-se todos os políticos da ala liberal, complicando ainda mais a melindrosa situação em que se encontravam o Juiz e o promotor.

No dia 20 de dezembro de 1875, a Junta Paroquial de Alistamento achava se reunida na Sacristia da igreja matiz, evidentemente sem a presença do padre João Paulo Maria de Britto, empenhada, na sua função de escolher e selecionar aqueles que deveriam ser recrutados pelo exército. Insufladas pelo padre João Paulo e pelos liberais, mais de cem mulheres invadiram a igreja, adentrando a Sacristia, e, armadas de porretes, avançaram sobre os Drs. José Francisco do Rêgo Cavalcanti, Juiz de Direito, e Ângelo da Mata e Andrade, Promotor Público, José Rodrigues dos Santos e osr. Balduíno José dos Sanos,, Escrivão. Este, preocupado em recolher a papelada, chegou a ser gravemente ferido na cabeça pela turba enlouquecida.

O Dr. Ângelo determina a prisão dos que lideraram o movimento: nove mulheres e Um homem. Entretanto o guarda Adriano Marcelino Macedo, responsável pelas prisões, Interceptado no caminho da cadeia por doze homens capitaneados pelo vigário João Paulo, não agüentando as pressões, liberta os prisioneiros. E o Dr. Ângelo, mais enérgico que o Dr. Rêgo Cavalcanti, de forma audaciosa determina a prisão do vigário e do guarda Adriano Macedo.

Esses acontecimentos têm, repercussão em toda a Provincia. O chefe de Polícia da província envia para Ponte Nova uma força composta por 12 praças, comandados pelo capitão Rufino Simões de Miranda.

Na Assembléia Provincial e na Câmara dos Deputados, os debates acirram os ânimos de liberais e conservadores. Em Ponte Nova, a situação vai-se tomando cada vez mais tensa. Surgem boatos que dão conta de investidas da população contra o Juiz e o Promotor.

Com o pagamento da fiança, o padre é libertado e reinicia seu movimento contra Matta e Andrade e Rêgo Cavalcanti.

As festas de fim-de-ano transcorrem em verdadeiro clima de guerra.

Prevendo um mal maior, Dr. Ângelo aceita o convite de seu amigo Sebastião José Pereira do Monte e vai passar o Natal e a virada do ano na Fazenda do Córrego das Almas.

No dia 1º. de janeiro de 1876, os boatos que surgiram à época da prisão do padre João Paulo traduziram-se em violentas investidas contra as figuras das autoridades judiciárias, culminando em dramáticos acontecimentos.

Às 23 h 30 min, um velho português radicado em Ponte Nova e conhecido como senhor Ventura, vendo as labaredas consumirem rapidamente o sobrado que servia de residência ao Promotor público, sai em correria pelas ruas da cidade, anunciando: "Puseram fogo na casa do compadre Matta!"

A aflição do Ventura era tamanha que só no dia seguinte recordara que havia visto também um "negro jovem", disfarçado por uma longa capa escura, ateando fogo na casa de seu amigo e compadre Dr. Ângelo da Matta e Andrade.

Estando a família ausente, só dois escravos se achavam dormindo dentro da casa, os quais foram obrigados a fugir, escapando ilesos do pavoroso incêndio.

Satisfeitos, os liberais e, principalmente, o vigário João Paulo, ficaram convictos de que o inimigo fugiria, bem depressa, para distantes paragens.

Entretanto, desagradando ainda mais seus adversários, o Dr. Ângelo, novamente rico com a herança de um tio da Bahia, constrói, na Rua Direita (hoje Av. Caetano Marinho), um palacete para sua nova residência.

Palacete construído pelo Juiz Ângelo da Mata e Andrade.

A casa, das mais requintadas da Província, era toda iluminada a gás acetileno em magníficos lustres de cristal da Bohêmia e possuía enormes salões decorados com mobiliários europeus e tapetes orientais. A nova casa do ex-juiz não tinha similar nas redondezas. Até de banheiros, símbolo de luxo e requinte na época, a suntuosa vivenda dispunha.

Seus jardins foram construídos nos fundos, em degraus, aproveitando o declive do terreno, e decorados com mármores e estatuetas vindos de Portugal. Túneis ligavam os vários lances dos jardins, que, para sua conservação, o proprietário empregava quatro serviçais.

Ao invés de esmorecerem-lhe os ânimos, os acontecimentos do dia 1º. de janeiro de 1876 fizeram com que Dr. Ângelo se tornasse ainda mais impetuoso.

Definitivamente radicado em Ponte Nova, tem sua posição política cristalizada dentro do Partido Conservador. Passa, então, a colaborar em jornais da capital e, na cidade, efetiva-se como forte e significativa liderança. Na política partidária, registra uma brilhante passagem pela Câmara dos Vereadores.

Finalmente, no dia 31 de dezembro de 1900, idoso e vivido, o Dr. Ângelo da Matta e Andrade falece na terra que adotara como sua.

No final do século XVIII, a Província de Minas Gerais possuía apenas quatorze municípios. Nesse século, em grandes espaços de tempo, entre os anos de 1718 e 1729, e depois entre 1731 e 1789, não foi criado sequer um município em toda a Minas Gerais.

O professor Joaquim Ribeiro Costa justifica esses grandes interstícios em nossa formação territorial e administrativa, afirmando que "A eficácia das medidas representadas pela criação das vilas dependia naturalmente da existência das condições mínimas para seu funcionamento, tais como a fixação de, interesses econômicos, O elemento humano para o exercício das funções públicas e um nível de cultura suficiente para a formação do espirito comunitário, com base nos princípios morais que deviam informar a vida social do Brasil desde o inicio de sua colonização"

Ponte Nova foi o 60º município a ser criado na Província.

O processo de emancipação das freguesias era lento, sendo necessário satisfazer os quesitos estipulados pela lei. Também, eram imprescindíveis a influência e a atuação políticas.

Por ocasião da promulgação da lei que elevou Ponte Nova a categoria de Vila, alguns homens públicos ligados ao lugar já se destacavam no cenário político da província e do Império.

Manoel Ignácio de Mello e Souza, o barão do Pontal, cuja ascendência se mistura aos Souza Rabelo e Gonçalves Torres, foi proprietário, em Ponte Nova, da Fazenda do Pontal.

Esse tradicional estabelecimento agrícola foi instalado por seu primeiro proprietário, Antônio Gonçalves Torres, em sesmaria que lhe foi concedida em 23 de dezembro de 1755 e, por muitos anos, pertenceu a seus descendentes diretos.

No período de 1831 a 1833, o barão do Pontal ocupou a residência da Província de Minas Gerais.

Foi durante seu governo que ocorreu a Revolta de Ouro Preto, em 22 de março de 1833, ocasião em que o comandante das armas, coronel Toledo Ribas, o comandante da Guarda Nacional, Manoel Soares do Couto, e outros oficiais amotinaram-se, justamente quando Mello e Souza se achava fora de Ouro Preto, em viagem a Mariana e Ponte Nova. Na primeira cidade, ele se dirigiu para tratar de assuntos concernentes a seu governo e, na segunda, foi cuidas dos negócios de sua fazenda.

No decorrer da primeira (1835 a 1837), segunda (1838 a 1839) e quarta (1842 a 1843) legislaturas, Manoel Ignácio de Mello e Souza ocupou uma cadeira na Assembléia Provincial.

No período compreendido entre os anos de 1844 e 1859, este último, ano o de sua morte, o Barão do Pontal foi senador do Império.

O conselheiro José Joaquim Fernandes Torres, nascido em Barra Longa no ano de 1795, tinha sua ascendência, comum à do padre João do Monte, fundador de Ponte nova, ligada aos Camargo de São Paulo.

Assim que retornou de Portugal, onde havia cursado Direito na Universidade de Coimbra, ingressou na política.

Como o Barão do Pontal, foi Deputado Provincial na primeira, segunda e quarta legislaturas.

Nos anos de 1846 e 1847, Fernandes Torres ocupou uma cadeira de Deputado Geral e, no Gabinete formado por Holanda Cavalcante, foi Ministro da Justiça. Em 1847, ocupou a pasta da Fazenda.

No governo do desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, iniciado a 26 de setembro de 1864, José Joaquim Fernandes Torres é o primeiro vice- presidente da Província de Minas Gerais e, com toda certeza, sua influencia foi fundamental para que o processo de emancipação política de Ponte Nova tramitasse, com desenvoltura, até sua efetivação em forma de lei.

No ano seguinte, é convidado por Zacarias de Góes e Vasconcellos para ser o Ministro do Império.

Esse eminente estadista, que veio a falecer em 24 de dezembro de 1869, deixou herdeiros políticos.

José Joaquim Fernandes Torres Júnior, segundo filho do segundo casamento do desembargador Fernandes Torres, foi Deputado Provincial na 15ª. legislatura (1864-1865).

A irmã primogênita de Fernandes Torres Júnior, Luiza Adelaide Fernandes Torres, casa-se com Francisco de Paula Silveira Lobo.

Silveira Lobo era neto de Francisco José da Silveira, um dos lideres da Revolução Pernambucana e que foi enforcado em 1817, nasceu na Paraíba e se formou em Direito em Recife.

Como advogado, inicia sua vida profissional em Mariana, cidade natal de seus avós.

Casado em Barra Longa e definitivamente enraizado na região, lança-se na política.

Para as 10ª (1857 a 1860), 12ª (1861 a 1864) e I3ª (1865 a 1868) legislaturas, Silveira Lobo se elege Deputado Geral, no primeiro caso, pelo Distrito de Mariana e, nos dois outros, pelo Distrito de Ouro Preto.

Republicano convicto, Francisco de Paula Silveira Lobo foi ainda Senador Provincial e presidente das Províncias de Minas Gerais e Pernambuco.

Outro político de expressão que militou durante o terceiro quartel do século XIX e que era ligado a Ponte Nova foi o padre Francisco de Paula Homem.

Esse padre, que esteve atuando como religioso na paróquia de São Sebastião e Almas de Ponte Nova como auxiliar e posterior substituto do cônego José Miguel MartinsS Chaves, foi Deputado Provincial durante a 13ª legislatura (1860 a 1861)